O conceito peirceano de metáfora e suas interpretações: limites do verbocentrismo

Autores

  • Expedito Ferraz Jr Universidade Federal da Paraíba

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2011.35252

Palavras-chave:

Peirce, hipoícone, metáfora

Resumo

O presente trabalho tem por objetivo discutir o conceito de metáfora como signo icônico, conforme proposto por Charles Sanders Peirce em sua Teoria Geral dos Signos. Após uma breve introdução, em que revisitamos na origem a descrição dos signos icônicos ou hipoícones (aqueles cuja função representativa se baseia na semelhança entre representâmen e objeto), passamos a examinar a forte tendência, constatada em obras essenciais para a divulgação dos estudos semióticos, ao que chamamos de leitura verbocêntrica da metáfora peirceana. Com essa expressão, referimo-nos à vinculação exclusiva, ou mesmo preferencial, do signo icônico metafórico ao domínio do código linguístico, a qual lhe enfatiza certo caráter discursivo, fazendo coincidir essa categoria semiótica com a figura de linguagem que conhecemos desde a poética clássica. Admitindo a existência de construções metafóricas que extrapolam os limites do verbal, e considerando que o texto peirceano não explicita qualquer restrição quanto ao tipo de linguagem em que deve materializar-se o hipoícone metafórico, adotamos uma linha de interpretação divergente da leitura dominante, em que procuramos demonstrar, através de argumentação teórica e também de análises ilustrativas, a extensão do conceito em exame às formas de representação não linguísticas. Para tanto, empreendemos uma releitura do conceito peirceano a partir da análise de sua descrição original, sublinhando a interpretação das expressões-chave “caráter representativo” e “representação de um paralelismo”. Exploramos ainda o conceito de “terceira primeiridade”, que se associa por dedução ao signo icônico metafórico, questionando um de seus desdobramentos, qual seja a subordinação da metáfora peirceana ao modo de representação simbólico — em que reconhecemos o principal fundamento da leitura verbocêntrica.

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Publicado

2011-12-19

Como Citar

Ferraz Jr, E. (2011). O conceito peirceano de metáfora e suas interpretações: limites do verbocentrismo. Estudos Semióticos, 7(2), 70-78. https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2011.35252

Edição

Seção

Artigos