A diacronia dos objetos. uma critividade imanente

Autores

  • Anne Beyaert-Geslin Université Bordeaux Montaigne

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2013.69526

Palavras-chave:

design, diacronia, enunciação, “pervir”, “sobrevir”

Resumo

Nosso ponto de partida é a seguinte pergunta : seria possível conceber os objetos do design, em sua própria expressão, como manifestantes de semantismos tão amplos quanto o da temporalidade? Entre o tempo dilatado da fruição das obras de arte e o tempo costumeiro dos objetos utilitários da vida cotidiana, há um lugar para a temporalidade dos objetos do design, caracterizada pela ruptura das expectativas usuais, ou seja, caracterizada pela surpresa. Para compreender a dimensão de acontecimento presente nos objetos, o olhar do analista tem de estender-se a um duplo plano de imanência, a saber : o das formas do enunciado bem como o da dinâmica de sua enunciação. Focalizaremos aqui duas classes de objeto, a das cadeiras e a dos computadores pessoais ; comentaremos seus efeitos tendo em vista as práticas sociais em que se inserem sua percepção e seu uso. Referindo-nos a C. Zilberberg e sua teoria dos “modos de eficiência”, propomos uma distinção entre dois tipos de acontecimentos, conforme seus modos de descontinuidade e de ligação com o que segue e o que precede : (i) o acontecimento inacentuado, que corresponde a um “pervir” ; (ii) o acontecimento acentuado, que é da alçada do “sobrevir”. Analisaremos, em conclusão, a maneira como a enunciação individual das formas significantes ganha sentido uma vez colocada no âmbito mais abrangente da enunciação social, que se traduz em práticas e sanções coletivas a evoluir continuamente no decorrer da história.

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Publicado

2013-12-29

Como Citar

Beyaert-Geslin, A. (2013). A diacronia dos objetos. uma critividade imanente. Estudos Semióticos, 9(2), 1-6. https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2013.69526

Edição

Seção

Artigos