https://www.revistas.usp.br/esse/issue/feed Estudos Semióticos 2022-12-15T10:38:52-03:00 Revista Estudos Semióticos rev.esse@usp.br Open Journal Systems <p>Publicação quadrimestral online do Programa de Pós-Graduação em Semiótica e Linguística Geral da FFLCH-USP, a revista <strong>Estudos Semióticos</strong> (ISSN 1980-4016) veicula, em acesso aberto, trabalhos da área de Semiótica, bem como dos campos limítrofes, dirigidos à comunidade dos pesquisadores. Podem ser propostos trabalhos que lidem com os signos, os textos, os discursos e as práticas sociais produtoras de sentido, desde que sejam inéditos e dialoguem com as teorias semióticas. Admitem-se trabalhos em português, francês, inglês, espanhol e italiano.</p> <p>Em cada temporada anual, a revista publica três números: um de tema livre e dois com dossiês temáticos. Eventualmente, pode ser publicada também uma edição extra no formato de um dossiê especial.</p> <p>No último evento de classificação do Qualis Periódicos da CAPES (2016), a revista foi classificada no estrato B1.</p> https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/198432 Personagens negras de O Cortiço: convergências com estereótipos 2022-07-05T16:26:07-03:00 Eduardo Prachedes Queiroz pprachedes@gmail.com <p><span style="font-weight: 400;">Sabendo da importante contribuição que podem fazer as análises sólidas para o reconhecimento e o combate ao racismo, desejamos, com o presente artigo, examinar como são construídas três personagens do romance de Aluísio Azevedo, O Cortiço (1890) – Rita Baiana, Bertoleza e Firmo, evidenciando as estratégias discursivas usadas em sua construção e as correspondências dessas personagens com estereótipos negativos reconhecidos na cultura brasileira com relação a pessoas negras. Para alcançar nosso objetivo, analisaremos trechos do romance principalmente fazendo uso de elementos da semântica discursiva, relacionando os resultados das análises com discursos convergentes e divergentes presentes em outros textos a fim de melhor iluminar as questões pertinentes.</span></p> 2022-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Eduardo Prachedes Queiroz https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/198044 O Ateneu, de Raul Pompéia, e o programa das escolas cívico-militares do governo Bolsonaro: espaço-tempo claustrotópico 2022-07-05T16:02:45-03:00 Ana Carolina De Picoli De Souza Cruz ana-carolina.cruz@unesp.br Arnaldo Cortina arnaldo.cortina@unesp.br <p><span style="font-weight: 400;"> Este artigo tem como objetivo contribuir com as inúmeras reflexões acerca dos rumos da educação brasileira. Fundamentados na teoria da semiótica discursiva, por meio da análise do tempo, do espaço e da ideologia na enunciação e no enunciado, apresentamos uma comparação entre o romance O Ateneu, de Raul Pompéia (1888), e as diretrizes das escolas cívico-militares (2019) do governo Bolsonaro. Acreditando que não só os espaços fechados encarceram, mas também (e principalmente) os discursos têm o poder de confinar, buscamos, ainda, analisar como as ideologias do presente revelam vestígios do passado e nos levam a questionar se estamos (re)existindo ou resistindo. </span></p> 2022-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Ana Carolina De Picoli De Souza Cruz, Arnaldo Cortina https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/198054 A lógica de dupla estigmatização social de crianças e adolescentes em situação de rua em Capitães da Areia 2022-07-07T08:00:33-03:00 Leandro Lima Ribeiro leandro.lima.ribeiro@hotmail.com <p><span style="font-weight: 400;">Este estudo analisa, no quadro teórico-metodológico da semiótica discursiva francesa, os contornos de uma retórica conservadora e intolerante que esconde, por trás de sua configuração, violação de Direitos Humanos de crianças e de adolescentes em situação de rua em Capitães da Areia (1937), livro de Jorge Amado. Nesse sentido, mostra-se que, do ponto de vista da organização narrativa, a exclusão como sanção pragmática está assentada na lógica de dupla estigmatização social dos sujeitos marginalizados: a invisibilidade e a (ultra)visibilidade. Para além disso, o romance esboça a atuação do Estado Penal e a sua metodologia de punição e exclusão dos mais pobres. Em síntese, evidencia-se uma descontinuidade com o projeto de identidade nacional fundamentado na eufórica celebração da mistura e na noção de democracia racial e cordial. </span></p> 2022-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Leandro Lima Ribeiro https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/199067 Práticas e estratégias de cancelamento virtual 2022-08-10T20:41:04-03:00 Patricia Veronica Moreira patricia.moreira@unesp.br Flavia Karla Ribeiro Santos flaviakarlar@gmail.com Jean Cristtus Portela jean.portela@unesp.br <p><span style="font-weight: 400;">Considerando as reflexões sobre os níveis de pertinência da análise semiótica e as diferentes cenas predicativas observadas nas redes sociais – que utilizam a violência em diferentes intensidades para destruir a imagem pública do outro, ou, em certos casos, mantê-la –, buscamos, neste trabalho, identificar como se configuram as práticas e estratégias relacionadas à cultura do cancelamento. Essas práticas, e as estratégias que as acomodam, são realizadas no ambiente virtual, na forma de comentários em redes sociais e outros tipos de mídia on-line que, simulando um tribunal virtual e assumindo os papéis actanciais de juízes, jurados e executores, sancionam negativamente o sujeito que enuncia discursos desinformados, preconceituosos e intolerantes ou exprime comportamentos que podem corroborar discursos negacionistas, e aplicam punições diversas. Por outro lado, as mesmas práticas podem desencadear um processo de reiteração e forte assunção do discurso ou comportamento que levou o sujeito a ser inicialmente julgado e cancelado. Esse comportamento é observado em grupos que manifestam discursos de apoio a valores morais historicamente enraizados na estrutura social e que não condizem com uma sociedade que visa a ser mais pacífica, inclusiva, sustentável e justa.</span></p> 2022-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Patricia Veronica Moreira, Flavia Karla Ribeiro Santos, Jean Cristtus Portela https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/198838 Interação, desinformação e intolerância: análise de uma fake news sobre o assassinato Marielle Franco 2022-07-27T08:27:36-03:00 Conrado Moreira Mendes conradomendes@yahoo.com.br Natália Giarola nati.giarola@gmail.com Mariana Vitti marianavittirc@gmail.com André Vianna Maricato andrevmaricato@gmail.com <p><span style="font-weight: 400;">Este trabalho investiga a relação entre a desinformação e a intolerância nas redes sociais online, tomando como corpus uma fake news, veiculada na fanpage “Canal da Direita”, no Facebook. Para isso, apresenta duas seções teóricas: uma sobre verdade, veridicção e crença para tratar, semioticamente, da desinformação e, em seguida, uma sobre intolerância, visto que tais fenômenos estão, contemporaneamente, relacionados. Os objetivos deste trabalho são: com base em Barros (2020), a) realizar o diálogo entre essa fake news e outros textos/discursos para desmascará-la; (b) analisar o discurso intolerante da postagem e dos comentários com base em dois dos quatro eixos propostos por Barros (2011, 2015), a saber: sanção e temas e figuras e; (c) analisar as interações discursivas (OLIVEIRA, A., 2013) nos pares postagem/comentários e comentários/comentários. Os resultados da análise indicam que a notícia compartilhada faz uso de estratégias que permitem a criação de um parecer verdadeiro, por meio da ancoragem de ator, tempo e espaço e, sobretudo, o argumento de autoridade. Além disso, tematiza a minimização da morte de Marielle Franco. Finalmente, a notícia falsa propagada é a responsável por desencadear um circuito de interações discursivas nos pares postagem/comentários e comentários/comentários, caracterizados, sobretudo, pelo sentido conquistado e pelo sentido aleatório (OLIVEIRA, A., 2013). </span></p> 2022-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Conrado Moreira Mendes, Natália Giarola , Mariana Vitti , André Vianna Maricato https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/198470 As culturas binárias e ternárias: da intolerância à tradução semiótica 2022-08-12T17:24:25-03:00 Regiane Miranda de Oliveira Nakagawa regianemo@uol.com.br Fábio Sadao Nakagawa fabiosadao@gmail.com <p><span style="font-weight: 400;">Com base na formulação proposta pelo semioticista da cultura Iuri Lotman, interessa-nos discutir de que maneira as estruturas binárias elucidam o funcionamento semiótico da intolerância, diferentemente do que ocorre com as estruturas ternárias, que se caracterizam pela ambivalência e pelo intercâmbio com diferentes esferas culturais. Ambas serão exploradas como tipologias que, segundo Lotman, prevê a apreensão das culturas como sistemas de linguagens que se organizam com base na presença de um dominante. Assim, no caso das estruturas binárias, isso ocorre por meio da dinâmica espacial estabelecida entre interior/ exterior ou dentro/ fora, da qual decorre a separação entre a “cultura própria” e o “alheio”, de modo que tudo o que não faz parte da primeira é visto como uma ameaça, gerando a intolerância. Por outro lado, nas estruturas ternárias, o “diferente” é considerado fonte de informação pela qual se constroem individualidades caracterizadas pela diversidade e pela heterogeneidade semiótica. Com essa discussão, objetivamos indicar de que maneira se dá a compreensão da intolerância como um fenômeno semiótico cultural e como ela é constantemente tensionada pelo movimento do espaço semiótico de relações. </span></p> 2022-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Regiane Miranda de Oliveira Nakagawa, Fábio Sadao Nakagawa https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/198991 Corpos e práticas LGBTQIAP+: da censura à presença capital 2022-07-07T07:38:47-03:00 Sued Lima sued.lima@live.com Taís de Oliveira tais.oliveira@usp.br <p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, durante grande parte do século XX, corpos e práticas homossexuais eram constantemente reprimidos nas ruas e censurados nos jornais, na literatura ou no cinema. Muito embora a organização e o estabelecimento de movimentos sociais tenham ocorrido durante esse período, a prevalência de uma moral conservadora contribuiu para a promoção de ações discriminatórias por parte da sociedade civil e do Estado. Na atualidade, com a evidência dos movimentos sociais e a crescente preocupação com pautas identitárias, a emergência de discursos que promovam o reconhecimento dos homossexuais busca suprir demandas sociais e midiáticas. As primeiras se referem à inclusão social dessa minoria que, historicamente, se constitui como uma “identidade concessiva” (OLIVEIRA, 2021) em relação a construções identitárias heteronormativas, estas, implicativas. As segundas correspondem aos interesses mercadológicos e midiáticos que se adaptam às demandas sociais e originam práticas como o Pink Money e a inserção de personagens homossexuais em diversas esferas de comunicação. De modo a abordar essas transições socioculturais e midiáticas, mobilizamos conceitos da semiótica discursiva para contrastar a repressão de homossexuais em artigos de opinião do jornal Lampião da Esquina (1978-1981) com a presença numerosa de corpos LGBTQIAP+ nas produções midiáticas contemporâneas, como reality shows e programas de TV de modo geral. </span></p> 2022-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Sued Lima, Taís de Oliveira https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/199393 Estratégias semânticas no discurso do MEC e ideologia 2022-06-26T09:51:36-03:00 Regina Souza Gomes reginagomes@letras.ufrj.br <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo tem como objetivo, à luz da semiótica discursiva, analisar as estratégias semânticas empregadas em textos publicados no site do Ministério da Educação (notícias, documentos, programas, especialmente os voltados para a alfabetização) para colocar em circulação certos valores ideológicos, ao mesmo tempo que, ao se apropriar de temas caros aos discursos com os quais mantêm relações polêmicas, os alteram, distorcem ou subvertem. Buscamos mostrar a ênfase no tema da ciência, como ele é tratado nos textos, quais combinações temáticas são a ele associadas, suas relações interdiscursivas polêmicas e consensuais e, nesse contexto, como a figura do professor é construída. Observou-se que foram operadas triagens, partindo de um regime de exclusão, de modo a restringir o valor da ciência nos discursos governamentais sobre alfabetização, que se associam aos temas da tecnologia, do mercado e da profissionalização. Há também uma divisão de papéis temáticos no que se refere aos atores que estão envolvidos no fazer pedagógico, de modo que os professores são sujeitos operadores das atividades práticas pensadas e elaboradas por “especialistas”, dotados de um saber científico e técnico eficaz. </span></p> 2022-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Regina Souza Gomes https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/203778 Língua, gênero e diversidade: o que tem a semiótica a ver com isso? 2022-10-23T22:50:59-03:00 Matheus Nogueira Schwartzmann matheus.schwartzmann@unesp.br <p><span style="font-weight: 400;">Neste trabalho, objetivamos demostrar como discursos sexistas e sobre a língua são construídos para perpetuar preconceitos de gênero, raça e classe, à medida que o discurso anticientífico é usado para estabelecer a língua normatizada por gramáticas e dicionários como a única correta e aceitável, e performances linguísticas sexistas e intolerantes perpetuam formas de violência contra o corpo feminino (mulheres cis e identidades de gênero LGBTQIA+), e sua consequente exclusão social. Utilizando a visada teórico-metodológica da semiótica discursiva, verificamos a construção figurativa e veridictória do nosso córpus, revelando valores como a negação das transformações da/na língua em uso em artigo jornalístico veiculado na revista Veja em 2001, na Portaria nº 604/21, do Ministério do Turismo, e no Projeto de Lei 948/21, dispositivos legislativos que vetam o uso de linguagem neutra na esfera pública brasileira. Conforme explicitamos como a linguagem sexista inflige a exclusão e violências simbólicas à população que não é exclusivamente masculina, simultaneamente, analisamos o Manual para o uso não sexista da linguagem (2014), publicado pelo Governo do Rio Grande do Sul. Como resultado, apresentamos o que é e como o falante do português pode usar a linguagem não sexista e a linguagem neutra em diferentes situações de interação social. </span></p> 2022-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Matheus Nogueira Schwartzmann https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/203773 Romper, desviar, desafiar: reflexões por uma semiótica implicada 2022-10-23T19:45:45-03:00 Matheus Nogueira Schwartzmann matheus.schwartzmann@unesp.br Luiza Helena Oliveira da Silva luiza.to@uft.edu.br 2022-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Luiza Helena Oliveira da Silva, Matheus Nogueira Schwartzmann https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/203775 A questão da marcação linguística da não binariedade 2022-10-23T21:22:28-03:00 José Luiz Fiorin jolufi@usp.br <p><span style="font-weight: 400;">Depois de apresentar as condições histórico-sociais que estão na base da reivindicação de uma linguagem neutra, isto é, que não dê a entender que o mundo se organiza apenas em masculino e feminino e, por isso, expressa um gênero neutro ao lado dos gêneros já existentes na língua, este trabalho expõe o que é gênero gramatical e como ele se organiza e se manifesta em indo-europeu, em latim, em português e em inglês. Em seguida, mostra a simplicidade da criação de uma linguagem neutra em inglês e a complexidade para fazê-lo em português, pois, naquela língua, o gênero é marcado apenas pela referência pronominal na terceira pessoa do singular dos pronomes pessoais e possessivos, enquanto, nesta, o gênero é assinalado pela referência pronominal, pela concordância nominal e pela flexão de gênero. </span><span style="font-weight: 400;">Essa mudança, apesar de complexa, pode ser feita e não vai acabar com o português, mas, ao contrário, vai mostrar sua força e sua potência de, como toda língua, acolher nele as transformações sociais.</span></p> 2022-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 José Luiz Fiorin https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/203776 L’identité narrative en question : les zones paradoxales de l’expérience 2022-10-23T22:02:44-03:00 Verónica Estay Stange veronicaestay@hotmail.com <p><span style="font-weight: 400;">Afin de remettre en cause le problème de l’identité collective, le présent essai prend pour objet les discours de la mémoire post-dictature au Chili et en Argentine, dont il souligne les contradictions et les points de fracture. On voudrait montrer ici comment “l’ancrage ontologique” des “rôles thématiques” (héros, militant de la résistance, tyran, tortionnaire), essentiel pour l’engendrement des récits historique et judiciaire, se voit questionné par les micro-récits dévoilant la complexité immanente aux individus qui leur prêtent une concrétude corporelle. Entre collaboration contrainte, dissidence, Syndrome de Stockholm et “honte du survivant”, cet article passe en revue les multiples “instances énonçantes” qui, en amont des acteurs collectifs, nous font problématiser le concept même d’une “identité”, tout en dissociant ses différents domaines de manifestation (historique, juridique, politique, intersubjectif, intime...).</span></p> 2022-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Verónica Estay Stange https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/198457 Re-pensando a raiva: políticas midiatizadas do corpo ressentido 2022-07-22T11:00:07-03:00 Kati Caetano katicaetano@hotmail.com Júlio César Rigoni Filho julinhorigoni@icloud.com <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo visa a retomar o debate das paixões considerando-as a partir da dimensão política em que certas eclosões passionais podem ser apreendidas. Refere-se especificamente à raiva, que tem sido muito discutida no campo da Ciência Política recentemente, como forma de emancipação política integrada a uma nova partilha do sensível. Buscamos explicar esse contexto de discussões no domínio da semiótica, intentando, ao mesmo tempo, ampliar, nesta, o quadro de discussão dos efeitos de sentido passionais. Apreender a paixão como ato de subjetivação, que implica a presença de um limite do insuportável, coloca em xeque o procedimento da moralização</span><span style="font-weight: 400;"> </span><span style="font-weight: 400;">para situá-la em outro nível de sensibilização, o do irrompimento da raiva como dissenso político. Essa problematização dos afetos indóceis permite pensá-los como objeto de uma semiótica implicada em práticas mitigadoras dos danos sociais. </span></p> 2022-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Júlio César Rigoni Filho, Kati Caetano https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/198486 Interação e cuidado materno: análise sociossemiótica de histórias de vida de estudantes da área de Letras 2022-07-15T11:57:48-03:00 Naiane Vieira dos Reis naianevieira@uft.edu.br <p><span style="font-weight: 400;">Este trabalho objetiva analisar, nas narrativas de formação de estudantes que também são mães e trabalhadoras, situadas na região Norte do Brasil, as interações no serviço de cuidado, que pode estar associado ao fazer de mulheres ou de uma comunidade. Para tanto, discute-se sobre o trabalho e sobre a participação das mulheres no espaço público e privado, a partir das contribuições das teorias sociológicas, da historiografia e dos estudos do discurso, mobilizando as categorias de análise da sociossemiótica para compreender como se dão as relações mais ou menos hierarquizadas ou ritualizadas nos discursos desses sujeitos na sua atuação em diferentes âmbitos. Ao longo da formação, as estudantes que vivenciam a maternidade fazem uso de diferentes estratégias para garantir a permanência na universidade, tendo em vista suas rotinas de estudos e, tantas vezes, de trabalho. Assim, ao ser configurada uma comunidade de cuidado em diversos espaços, em interação regida pela sensibilidade, emergem-se novas possibilidades, menos excludentes, para as estudantes-mães, de pertencimento à vida acadêmica e ao âmbito público. </span></p> 2022-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Naiane Vieira dos Reis https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/198626 O Pão Que O Viado Amassou: contribuições da semiótica para o processamento de língua natural 2022-08-10T21:25:54-03:00 Tulio Ferreira Leite da Silva tuliosil@gmail.com <p><span style="font-weight: 400;">A crescente produção de dados na internet e nas redes sociais digitais é incontornável e, até 2025, espera-se que a humanidade produza por dia 463 exabytes de dados em geral. A dimensão de tal valor pode ser ilustrada com a imagem de aproximadamente meio trilhão de pendrives de 1 gigabyte. Tal fenômeno, entretanto, longe de ser motivo para comemorações (como querem as Big Techs), tem sido diretamente responsável por inúmeros males à sociedade e à Democracia, sendo o discurso de ódio e a desinformação apenas a ponta do iceberg. Por conta desse cenário alarmante, a realização de pesquisas na interface entre semiótica e tecnologias de processamento de dados se faz urgente. Neste artigo, pretendemos apresentar brevemente o cenário de uma das áreas mais celebradas da Inteligência Artificial (caracterizada pelas redes neurais artificiais) e então utilizar os conceitos de contexto situacional e de competência discursiva para debater os mecanismos de sinalização de discursos enviesados, utilizados para marcar publicações digitais com potencial de desinformação ou de discurso de ódio. Caso icônico ao qual pretendemos nos deter, O Pão Que o Viado Amassou é um delivery curitibano, criado por um gay bem humorado, que foi penalizado pelo Facebook.</span></p> 2022-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Tulio Ferreira Leite da Silva