Estudos Semióticos https://www.revistas.usp.br/esse <p>Publicação quadrimestral online do Programa de Pós-Graduação em Semiótica e Linguística Geral da FFLCH-USP, a revista <strong>Estudos Semióticos</strong> (ISSN 1980-4016) veicula, em acesso aberto, trabalhos da área de Semiótica, bem como dos campos limítrofes, dirigidos à comunidade dos pesquisadores. Podem ser propostos trabalhos que lidem com os signos, os textos, os discursos e as práticas sociais produtoras de sentido, desde que sejam inéditos e dialoguem com as teorias semióticas. Admitem-se trabalhos em português, francês, inglês, espanhol e italiano.</p> <p>Em cada temporada anual, a revista publica três números: um de tema livre e dois com dossiês temáticos. Eventualmente, pode ser publicada também uma edição extra no formato de um dossiê especial.</p> <p>No último evento de classificação do Qualis Periódicos da CAPES (2016), a revista foi classificada no estrato B1.</p> Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas pt-BR Estudos Semióticos 1980-4016 <p>Os trabalhos publicados na revista Estudos Semióticos estão disponíveis sob Licença Creative Commons <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" target="_blank" rel="noopener">CC BY-NC-SA 4.0</a>, a qual permite compartilhamento dos conteúdos publicados, desde que difundidos sem alteração ou adaptação e sem fins comerciais.</p> Da nostalgia. Estudo de semântica lexical https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/195682 <p>Lançando mão da ideia, sugerida nos escritos de Hjelmslev, de que entre os lexemas e os enunciados mais longos a diferença é antes de extensão do que de natureza, este artigo focaliza a definição de "nostalgia" nos dicionários usuais do idioma francês, descrevendo os estados e as transformações envolvidas no semantismo dessa paixão complexa, tal como se apresenta em meio às configurações passionais afins, dentro do domínio cultural em questão. Há, na nostalgia "à francesa", o definhamento gradativo de um sujeito que não pode deixar de recordar, por vezes um lugar, por vezes uma coisa, por vezes ambos – objetos de valor que perdeu no passado mas que seguem lhe atormentando a consciência presente. Marco da laboriosa conquista da dimensão tímica da narratividade e baliza reveladora dos vínculos entre o lexical, o narrativo e o discursivo, este breve estudo de Greimas ilustra, por meio de uma análise específica, alguns dos passos trilhados pela semiótica das paixões desde seus primeiros desenvolvimentos.</p> Algirdas Julien Greimas Copyright (c) 2022 Algirdas Julien Greimas https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2022-04-20 2022-04-20 18 1 01 08 10.11606/issn.1980-4016.esse.2022.195682 Un aperçu de la sémiolinguistique de Per Aage Brandt https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/195581 <p> La mort subite du sémioticien, linguiste, poète et pianiste de jazz Per Aage Brandt le 11 novembre 2021 a motivé l’auteur à relire et repenser sa contribution à la sémiotique et à la linguistique pendant un demi-siècle. Il a choisi trois livres représentatifs de trois phases de son œuvre sémiotique et linguistique : L’analyse phrastique: introduction à la grammatique (1973); La charpente modale du sens: pour une sémio-linguistique morphogénétique et dynamique (1992) et Spaces, Domains, and Meaning: Essays in Cognitive Semiotics (2004). Les trois livres renvoient à différents contextes intellectuels. En 1973, ce sont la dispute entre différents formats de grammaire et surtout la controverse entre grammaires de dépendance – par exemple celle de Tesnière, syntaxes formelles (Chomsky et d’autres) et sémantiques lexicales et casuelles (Lakoff, Fillmore). Per Aage Brandt recourt à la tradition danoise de Jespersen et Hjelmslev, introduit la notion de relateur de la grammaire de Šaumjan et propose son propre système de stemmas de dépendance. En 1992 (après sa Thèse d’État à Paris en 1987), c’est le structuralisme de l’école sémiotique de Paris (autour de Greimas) et l’innovation apportée par René Thom et sa sémantique topologique (introduite dans le groupe de Greimas par Jean Petitot) qui ont motivé une approche nouvelle. Le livre de 2004 contribue au paradigme de la sémantique cognitive initié par Lakoff, Langacker et Talmy et élaboré en interaction avec Per Aage Brandt dans son Centre de recherche sémiotique à Aarhus. Per Aage Brandt a passé les dernières années de sa carrière comme professeur à Cleveland (États-Unis) et des chapitres majeurs de son livre sont le résultat de sa réflexion sur les espaces mentaux de Fauconnier et l'opération de blending de Turner.</p> Wolfgang Wildgen Copyright (c) 2022 Wolfgang Wildgen https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2022-04-20 2022-04-20 18 1 09 24 10.11606/issn.1980-4016.esse.2022.195581 Um par incerto? https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/195494 <p>O presente artigo aborda a questão da imanência sem separá-la do par original do qual participa não só na filosofia, mas também na semiótica, e desenvolve a seguinte hipótese: a transcendência é o limite da imanência admitida, o que podemos reformular de duas maneiras. A primeira, positiva e enunciada a partir da perspectiva da transcendência: esta seria o espaço que abriga as dificuldades não resolvidas ou mal resolvidas da imanência. A segunda, negativa e enunciada a partir da perspectiva da imanência: diríamos então que a falta de controle, por exemplo, da afetividade transfere seus rejeitos ao espaço aberto da transcendência. A relação imanência/transcendência não é outra coisa senão uma alternância dependente de outra relação mais profunda que a sustenta e que é concebida a partir da teoria do valor em semiótica: valores de absoluto/valores de universo. Ao fim e ao cabo, é o sujeito que avalia, mensura e relativiza o domínio da transcendência em face da imanência; por meio das operações analíticas desta última, as dimensões da transcendência, seja pela intensidade, seja pela extensidade, avançam e retrocedem em sua capacidade de serem compreendidas.</p> Claude Zilberberg Copyright (c) 2022 Claude Zilberberg https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2022-04-20 2022-04-20 18 1 25 36 10.11606/issn.1980-4016.esse.2022.195494 Semiótica do discurso filosófico: a palavra pensada, o ato de escrita e o sentido https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/194592 <p>Este artigo desenvolve, na perspectiva da semiótica francesa, uma análise do discurso filosófico, identificando no texto filosófico um laboratório de ideias. O artigo confere destaque à perspectiva teórica aberta pela analyse du discours, sem prescindir das contribuições advindas da semiótica do conhecimento, da semiótica dos objetos e da sociossemiótica. O pensamento é visto e discutido, ao longo da análise, enquanto palavra pensada, na medida da relação de intimidade que mantém com a linguagem. Na história da filosofia, não importa a tradição ou a linha de pensamento, a palavra é um ponto em comum dos sistemas filosóficos, pois permite operar a conversão do sentido convencional ao sentido filosófico. O discurso filosófico é também analisado por ser um discurso constituinte (discours constituant), exercido na base de uma enunciação debreada, que opera generalizações através de conceitos, buscando o efeito de verdade. O ato de pensamento não se separa do ato de escrita, e ambos se inscrevem dentro de uma comunidade discursiva, dos jogos polêmicos e de estereótipos acerca da vida intelectual.</p> Eduardo Carlos Bianca Bittar Copyright (c) 2022 Eduardo Carlos Bianca Bittar https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2022-04-20 2022-04-20 18 1 37 63 10.11606/issn.1980-4016.esse.2022.194592 Semiótica e política: um estudo de caso https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/195448 <p>O funcionamento do discurso político vai além de estratégias enunciativas de textualização ou das narrativas que instituem as relações entre sujeitos e objetos e as estruturas modais que as constituem. A política define um modo de ser e de estar no mundo, articula as relações interpessoais, organiza a vida social, instala-se como forma de vida. Será necessário, para compreendê-la semioticamente, perceber os sistemas axiológicos e as relações de crença, identificação e confiança entre os atores sociais, mediadas por fatores emocionais e intelectuais. Este artigo toma a política em seu sentido de exercício do poder, relação entre governantes e governados e legitimação desse poder, com o objetivo de analisar a vitória eleitoral da extrema-direita no Brasil, nas eleições presidenciais de 2018, com base em algumas imagens de campanha. Por meio de conceitos como os de veridicção, persuasão e figurativização e da mobilização de categorias de análise da semiótica plástica, examinam-se estratégias de campanha e definem-se semioticamente os atores envolvidos no processo eleitoral.</p> Lucia Teixeira Copyright (c) 2022 Lucia Teixeira https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2022-04-20 2022-04-20 18 1 64 80 10.11606/issn.1980-4016.esse.2022.195448 O virtual, a atualização e o tempo presente em Émile Benveniste: uma leitura sobre o signo “vazio” https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/189298 <p>Este trabalho objetiva retomar a relação entre a temporalidade da instância discursiva e a caracterização de não virtualidade do pronome pessoal, ou “signo vazio”, em Émile Benveniste. A hipótese principal é que o pronome pessoal, que apenas pode ser considerado enquanto atualização, não pressupõe a representação do tempo presente, proposto por Benveniste como forma originária e exclusiva da enunciação. A virtualidade do signo, prevista por Benveniste, torna-se um modo de explicar a permanência ou “eternidade” do tempo presente, diante da condição singular de cada enunciação, que se repete frente a toda nova apropriação da língua pelo locutor.</p> Marcelo Corrêa Giacomini Copyright (c) 2022 Marcelo Corrêa Giacomini https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2022-04-20 2022-04-20 18 1 81 97 10.11606/issn.1980-4016.esse.2022.189298 Classe média brasileira: novas fachadas, velhos hábitos https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/181863 <p>Neste artigo procuramos mostrar de que modo dados aparentemente tão despretensiosos quanto os nomes de condomínios residenciais de uma grande cidade brasileira podem ser reveladores da maneira excludente como, segundo o que tem defendido Souza (2019), nossa classe média historicamente se comporta. Para ecoar esse pano de fundo sociológico, utilizamos, num primeiro momento, as categorias metodológicas da semiótica tensiva (ZILBERBERG, 2011) e, numa segunda etapa, convocamos para a análise categorias do design (LUPTON; PHILLIPS, 2014; SILVA; FARIAS, 2005). Nosso corpus é composto por 12 nomes de condomínios de Fortaleza-CE, seis deles localizados num bairro de perfil socioeconômico mais modesto, Passaré, e seis num bairro mais rico da capital cearense, Engenheiro Luciano Cavalcante.</p> Lucas Porto de Queiroz Camila Barros Copyright (c) 2022 Lucas Porto de Queiroz, Camila Barros https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2022-04-20 2022-04-20 18 1 98 114 10.11606/issn.1980-4016.esse.2022.181863 O andamento tensivo em Água viva, de Lispector: do improviso jazzístico a uma [quase] aria cantabile https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/186134 <p>Partindo da abordagem que coaduna as investigações sobre o contínuo e o descontínuo nos mais recentes estudos discursivos, valemo-nos de Claude Zilberberg e de Luiz Tatit para nos acercar do andamento que tece um ritmo entoativo no discurso lispectoriano em Água viva. A obra, publicada em 1973, trata de esboços e de um ensaio sobre o instante exemplar contido em cada instante trivial. Como se manipulasse um caleidoscópio de temas atemáticos, a enunciação os reúne em uma espécie de diário afetivo, que lhes confere ordenamento, sensibilidade e ampliação de sentidos. O discursoentoação revela a cifra tensiva e, em última instância, inscreve o éthos e o estarno-mundo do referido enunciador, posicionando-o a partir da presença marcante de um ser em construção e em busca de perguntas em lugar de respostas.</p> Fernando de Freitas Moreira Copyright (c) 2022 Fernando de Freitas Moreira https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2022-04-20 2022-04-20 18 1 115 134 10.11606/issn.1980-4016.esse.2022.186134 O percurso passional de Elena: da esperança à melancolia https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/191991 <p>Nossa análise tem como objeto de significação o documentário brasileiro Elena (2012), dirigido pela mineira Petra Costa. A obra aborda, de forma bastante pessoal, a relação da diretora com a memória da irmã, Elena, que comete suicídio aos vinte anos, no início da década de 1990. Trata-se de um texto fílmico no qual se sobressaem os estados de alma, as paixões. Somos envolvidos pela jornada afetiva de cada personagem. Assim, detendo-nos apenas no plano do conteúdo, pretendemos evidenciar o percurso passional de Elena, com ênfase na melancolia, que tem uma posição central nesta investigação, visto ser o estado que domina o sujeito até o fim de seus dias. Valemo-nos, pois, da Semiótica Francesa, levando em conta os avanços teóricos propostos por Zilberberg, que nos traz a noção de tensividade. Utilizamos também as formulações de Freud no ensaio Luto e melancolia (2011 [1914]), tendo em vista suas contribuições pertinentes aos nossos objetivos.</p> Joyce do Nascimento Lopes Copyright (c) 2022 Joyce do Nascimento Lopes https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2022-04-20 2022-04-20 18 1 135 148 10.11606/issn.1980-4016.esse.2022.191991 O relato de Flora Tristan: tensão entre o ser e o parecer de uma pária https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/192002 <p>Neste artigo, apresentaremos o relato de viagem de Flora Tristan, no seu livro Peregrinações de uma pária (2000 [1838]). O objetivo consiste em apreender, a partir dos aspectos sensíveis da obra, o seu projeto enunciativo e, mais especificamente, como se dá a construção do seu arco tensivo (MANCINI, 2020). Trata-se de um esforço em conceber os preconceitos relacionados ao ser mulher, sobretudo no que se refere à esfera matrimonial, compreendidos a partir do ponto de vista da militante. O uso da semiótica tensiva nos permitirá refletir sobre os momentos átonos e tônicos do relato de uma mulher do século XIX, consciente da sua situação: sem direito a se divorciar do marido, à herança paterna, à liberdade. Destacamos, sobretudo, a compreensão das estratégias sensíveis para levar o enunciatário proposto a se sensibilizar com as mazelas enfrentadas por aquela que se encontrava à margem da sociedade, nos baseando, ademais, nos graus de veridicção e na noção de belo gesto. Eis o relato de uma pária para a sociedade, sem a autorização de viver como o seu verdadeiro ser.</p> Vanessa Pastorini Copyright (c) 2022 Vanessa Pastorini https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2022-04-20 2022-04-20 18 1 149 167 10.11606/issn.1980-4016.esse.2022.192002 Significação e contexto: relações entre língua e cultura nos pontos de renda Renascença https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/189470 <p>A Semântica, de acordo com Ferrarezi Júnior (2010), a partir da década de 1980, ganha bastante notoriedade como campo de estudo. Faz apenas algumas décadas que os estudiosos da língua têm despertado para a importância do atrelamento de tais estudos aos aspectos culturais. É nessa conjuntura que se insere a presente abordagem das escolhas lexicais de um grupo de mulheres rendeiras, especificamente da cidade de Monteiro-PB, que, ao desenvolver uma forma de artesanato intitulada renda Renascença, permite refletir, no processo de nomeação dos pontos, sobre um possível atrelamento ao contexto sociocultural em que essas mulheres vivem. Para tanto, esta pesquisa teve como objetivo observar de que forma essas rendeiras se apropriam do vocabulário utilizado para nomear os pontos e se elas conseguem estabelecer conexões entre esse vocabulário e o seu próprio cotidiano. A partir desse estudo, constatou-se que há relação entre o contexto das rendeiras e a nomenclatura dos pontos, evidenciada através de nomes que permeiam o seu cotidiano. Contudo, essa relação só é percebida por elas quando suscitadas reflexões a respeito.</p> Liliane de Souza Almeida Copyright (c) 2022 Liliane de Souza Almeida https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2022-04-20 2022-04-20 18 1 168 188 10.11606/issn.1980-4016.esse.2022.189470 Memória e resistência. Semiótica apesar dos tempos adversos https://www.revistas.usp.br/esse/article/view/196555 Ivã Carlos Lopes Eliane Soares de Lima Carolina Lindenberg Lemos Copyright (c) 2022 Ivã Carlos Lopes, Eliane Soares de Lima, Carolina Lindenberg Lemos https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2022-04-20 2022-04-20 18 1 i xi 10.11606/issn.1980-4016.esse.2022.196555