Fenômenos primitivos no campo analítico

construção de uma clínica com pais e bebês

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v25i3p488-500

Palavras-chave:

clínica psicanalítica, relação pais-bebê, intesubjetividade, identificação projetiva

Resumo

O artigo desenvolve reflexões sobre fenômenos primitivos experienciados no campo analítico, partindo de vinhetas clínicas e da observação de um bebê e seus pais. O que acontece no campo analítico é complexo, sobretudo nas terapias conjuntas pais-bebê, quando se trabalha simultaneamente com os mundos internos da mãe, do pai, do bebê e do analista. Como conceituar e fazer uso dos fenômenos primitivos advindos da interação intersubjetiva pais-bebê na clínica? Apresentam-se reflexões ancoradas em contribuições de Bion sobre a identificação projetiva e de outros autores sobre o enactment. Reconhecendo que as vivências corpóreas, primitivas são projetadas no contexto analítico, mesmo que não estruturadas como experiências simbólicas, defende-se que elas têm o potencial de auxiliar na construção do pensar da tríade pais-bebê-analista.

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Biografia do Autor

Marisa Sampaio, Universidade Católica de Pernambuco

Docente da Pós-Graduação em Psicologia Clínica da Universidade Católica de Pernambuco, Recife, PE, Brasil.

Maria do Carmo Camarotti, Faculdade Frassinetti

Psicanalista, Coordenadora da Pós-Graduação em Clínica Psicanalítica com Bebês da Faculdade Frassinetti, Recife, PE, Brasil.

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Publicado

2020-12-28

Como Citar

Sampaio, M., & Camarotti, M. do C. (2020). Fenômenos primitivos no campo analítico: construção de uma clínica com pais e bebês. Estilos Da Clinica, 25(3), 488-500. https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v25i3p488-500