O “espaço-entre” na matriz da contratransferência

diálogos entre Winnicott e Ogden

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v25i3p518-533

Palavras-chave:

transferência, clínica, psicanálise, espaço-entre, contratransferência

Resumo

Nesse artigo buscamos entender a continuidade das proposições teórico-clínicas de Winnicott e Ogden, que incluem a contratransferência no processo analítico do paciente, e mais, o psiquismo do analista em sua parte mais inconsciente. Essas proposições implicariam um entendimento intersubjetivo do enquadre, produzindo uma nova maneira de enxergar a relação analítica e, consequentemente, a técnica. Escolhemos o termo “espaço-entre” para nomear tais propostas, pois concluímos que um outro lugar ou processo é produzido no encontro analítico. Esse lugar não é nem do analista, nem do paciente, mas de ambos. Tal encontro produziria um inconsciente do vínculo, capaz de gerar trabalho psíquico e gerar efeitos importantes.

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Biografia do Autor

Ludmilla Tassano Pitrowsky, Grupo Brasileiro de Pesquisa Sándor Ferenczi

Psicóloga e psicanalista. Doutora pelo Programa de Pós-graduação em Teoria Psicanalítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Sergio Gomes, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Psicólogo e psicanalista. Professor do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

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Publicado

2020-12-28

Como Citar

Pitrowsky, L. T., & Gomes, S. (2020). O “espaço-entre” na matriz da contratransferência: diálogos entre Winnicott e Ogden. Estilos Da Clinica, 25(3), 518-533. https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v25i3p518-533