O papel ativo de mulheres rappers negras e indígenas na produção de contranarrativas na América Latina

Autores

  • Ana Luísa Melo Ferreira Université Panthéon-Sorbonne
  • Yoná Santos Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas

DOI:

https://doi.org/10.11606/extraprensa2022.194025

Palavras-chave:

Rap, Mulheres, Resistência, Relações étnico-raciais, América Latina

Resumo

Nascido na Jamaica do século XX e migrado para os Estados Unidos nos anos 70, o rap se estabeleceu como uma contranarrativa de jovens negros, latino-americanos e caribenhos. À margem das instituições e representações políticas oficiais, os grupos de rap buscavam denunciar estereótipos aos quais estavam submetidos e criavam consciência política em seus ouvintes. Fortemente influenciados pela cultura da oralidade, propunham, por meio de suas letras, formas ativas e potentes de sobrevivência em territórios violentos e segregados. É o que fazem, hoje, mulheres negras e indígenas ao se apoderarem do gênero musical para revelar suas dores e compartilhar suas lutas diante de estruturas de poder que silenciam suas identidades e subjetividades. Deste modo, este trabalho busca estudar como artistas latino-americanas fazem uso do rap com o seu potencial emancipatório, para trazer à esfera pública problemáticas invisibilizadas, mas que afetam grande parte da população feminina indígena e negra.

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Biografia do Autor

Ana Luísa Melo Ferreira, Université Panthéon-Sorbonne

Mestre em Ciências Políticas pela Université Panthéon-Sorbonne (Paris 1), Paris, França, e membro
NUPEDELAS USP.

Yoná Santos, Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas

Mestre em Ciências Políticas pela FFLCH USP, e membro NUPEDELAS USP.

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Publicado

2022-05-31

Como Citar

Ferreira, A. L. M., & Santos, Y. dos. (2022). O papel ativo de mulheres rappers negras e indígenas na produção de contranarrativas na América Latina. Revista Extraprensa, 15(Especial), 670-688. https://doi.org/10.11606/extraprensa2022.194025