Cold Spring Harbor Laboratory e o Eugenics Record Office (1890-1939): genética e eugenia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2178-6224v17i1p115-139

Palavras-chave:

Eugenia, Genética, Charles B. Davenport, Harry H. Laughlin, Cold Spring Harbor Laboratory

Resumo

Durante o século XIX, a biologia se consolidou como disciplina dedicada ao estudo dos seres vivos e dos processos e sistemas a eles relacionados. Após a retomada dos trabalhos de Gregor Mendel (1822-1884) no início dos anos 1900, nas décadas que se seguiram foi se expandido o escopo da pesquisa biológica para compreender as leis da hereditariedade, inicialmente em vegetais para animais e mais tarde em humanos, não somente relacionada à cor dos olhos, mas também características do comportamento, inteligência e algumas doenças. Este artigo procura contar a história do funcionamento do Cold Spring Harbor Laboratory entre 1890 e 1939, abordando como as pesquisas eugênicas desenvolvidas por Charles Benedict Davenport (1866-1944) e por Harry Hamilton Laughlin (1880-1943) ganharam centralidade entre 1910 e 1930, tendo sido compreendidas por eles como, genética aplicada aos humanos. A pesquisa desenvolvida mostra que, a partir do final dos anos 1920, as ideias eugênicas de Davenport e Laughlin foram desacreditadas por outros cientistas e    perderam o financiamento concedido por agências como a Carnegie Institution de Washington.  Por fim, caíram no ostracismo após a Segunda Guerra Mundial e a revelação dos crimes cometidos pelos nazistas.

Referências

ADAMS, Mark. The wellborn science: Eugenics in Germany, France, Brazil, and Russia. London: Oxford University Press, 1990.

AMERICAN PHILOSOPHICAL SOCIETY. Carta de Francis Galton para Charles Davenport. Davenport Papers. (APS). Philadelphia. 1902.

AMERICAN PHILOSOPHICAL SOCIETY. Davenport Papers Collection (Mss.B.D27); Eugenics Record Office Records (Mss.Ms.Coll.77)

ALLEN, Garland E. Eugenics as the basis of population policy, in: SMELSER, Neil J.; BALTES, Paul B. (eds.). International encyclopedia of the social & behavioral sciences. vol. 11. Amsterdam: Elsevier, 2001.

BASHFORD, A.; LEVINE, P. The Oxford Handbook of the History of Eugenics. New York: Oxford University Press, 2010.

BELL, Alexander Graham (1912). Alexander Graham Bell letter to Charles Davenport about Eugenics Record Office [Letter to Charles Davenport]. ID 10428. DNA Learning Center, and the American Philosophical Society.

BOARINI, Maria Lúcia. Higiene e Raça como Projetos. Maringá: EDUEM, 2003.

BRUINIUS, Harry. Better for all the world: the secret history of forced sterilization and America’s quest for racial purity. Chicago: Vintage, 2006.

BUCK versus BELL, Superintendent of State Colony Epileptics and Feeble Minded. Final Sentence, Justice Holmes. 1927. Disponível em: <https://www.law.cornell.edu/supremecourt/text/274/200>

CARLSON, E.A. The Unfit: a history of a bad idea. New York: Cold Spring Harbor University Press, 2001.

CARNEGIE INSTITUTION OF WASHINGTON, Yearbook, v. 17. Eugenics Record Office. Series: Historical Documents. Carnegie Library, 1918.

CARNEGIE INSTITUTION OF WASHINGTON, Yearbook, v. 04. Eugenics Record Office. Series: Historical Documents. Carnegie Library, 1905.

COHEN, Adam. Imbecils: The Supreme Court, American Eugenics and the Sterilization of Carrie Buck. New York: Penguin Audio, 2016.

COMFORT, Nathaniel. The science of human perfection: How genes became the heart of American medicine. New Haven: Yale University Press, 2012.

CRUZ, Rodrigo de A. Ronald Fisher e a eugenia: estatística, evolução e genética na busca da civilização permanente. São Paulo, 2016. Tese. Doutorado em História da Ciência. Programa de Estudos Pós-Graduados em História da Ciência, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2016. Disponível em: <https://repositorio.pucsp.br/jspui/handle/handle/19448>

CRUZ, Rodrigo Andrade da. Das ervilhas mendelianas ao ‘décimo submerso’. Aspectos teóricos e práticos do desenvolvimento da eugenia nos Estados Unidos. Eugenia e História: ciência, educação e regionalidades. São Paulo, Faculdade de Medicina da USP, Univer-sidade Federal do ABC, CD. G Casa de Soluções e Editora, p. 37-48, 2013.

CRUZ, Rodrigo de A. Oito votos contra um: o desenvolvimento da ciência eugenista nos Estados Unidos. São Pulo, 2012. Dis-sertação. Doutorado em História da Ciência. Programa de Es-tudos Pós-Graduados em História da Ciência, Pontifícia Univer-sidade Católica de São Paulo, 2016. Disponível em: <https://repositorio.pucsp.br/jspui/handle/handle/13268>

COLD SPRING HARBOR LABORATORY. Survey for the Genetics Record Office Material, s.d. E.R.O. Genetics Record Of-fice: Notes (s.d.); Middlebrook para Bush, 1948; Eugenics Rec-ord Office (1908-1973). Series 1-4. Box 1-25.

DAVENPORT, Charles B. Eugenics: The Science of Human Improvement by Better Breeding. New York: Henry Holt Company, 1910.

DAVENPORT, Charles B. Heredity in relation to Eugenics. New York: Henry Holt & Company, 1911.

DAVENPORT, Charles B. Army antropology: based on observations made on draft recruits, 1917-1918, and on veterans at demobili-zation, 1919. Washington, D.C.: Government Printing Office, 1921.

DAVENPORT, Charles B. The Body-Build: its development and inheritance. Proceedings of the National Academy of Sciences, 9 (7): 226-230, 1924.

DAVENPORT, Gertrude Anna Crotty; DAVENPORT, Charles Benedict. Prepotency in pigment colors. Journal of Heredity, 5: 221-222, 1909.

DAVENPORT, Gertrude Anna Crotty; DAVENPORT, Charles Benedict. Heredity of skin pigmentation in man. The American Naturalist, 44 (527): 641-672, 1910.

DEJARNETTE, R. Delegates Urge Wider Practice of Sterilization. Richmond Times-Dispatch, 16, 1934.

DIWAN, Pietra Stefania. Entre Dédalo e Ícaro: cosmismo, eugenia e genética na invenção do transhumanismo norte-americano (1939-2009). São Paulo, 2020. Tese. Doutorado em História Social. Programa de Estudos Pós-Graduados em História, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2020. Disponível em: <https://repositorio.pucsp.br/jspui/handle/handle/24029>

DUNN, L.C. DOBZHANSKY, T. Heredity, race and society. New York: Pelican Books, 1946.

ENGLISH, Daylane K. Unnatural Selections: eugenics in America and the Harlem Renaissance. Chapell Hill: University of North Carolina Press, 2004.

FARBER, Steven. U.S. Scientists’ Role in the Eugenics Movement (1907-1939): A Contemporary Biologist’s Perspective. Zebrafish. Dec; 5 (4): 243-245, 2008.

GALTON, Francis. The Trait Book. Long Island: Eugenics Record Office, 1912.

GOULD, Stephen Jay. The Mismeasure of Man. New York: Norton & Company Ltd., 1981.

GRANT, Madison. The passing of the Great Race: or, the racial basis of European history. New York: Charles Scribner’s Sons, 1916.

HABIB, Paula Arantes B.B. Eis o mundo encantado que Monteiro Lobato criou: raça, eugenia e nação. Campinas, 2003. Dissertação. Programa de Pós-Graduação em História, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas. Disponível em: <https://doi.org/10.47749/T/UNICAMP.2003.276003>

HILLIER, Alfred J. Albert Johnson, Congressman. The Pacific Northwest Quarterly, 36 (3): 193-211, 1945. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 2019.

KEVLES, Daniel. In the name of eugenics. Genetics and the uses of human heredity. [1985]. Cambridge: Harvard University Press, 1999.

KLINE, Wendy. Building a better race: gender, sexuality, and eugenics from the turn of the century to the baby boom. Berkeley: University of Cali-fornia Press, 2001.

LAUGHLIN, Harry. The eugenical aspects of deportation: Hearings before the Committee on Immigration and Naturalization House of Representatives, Seventieth Congress, First Session February 21, 1928. Statement of Dr. Harry H. Laughlin. Washington, D.C.: US Government Printing Office, 1928. Government Docu-ments Collection Y 4.IM 6/1:D 44/10. Ellis Library. University of Missouri.

LAUGHLIN, Harry. Correspondências Vanevar Bush para Laugh-lin, 1939, Eugenics Record Office Collection. American Philo-sophical Society (APS)

LAUGHLIN, Harry. Correspondências Laughlin para Blakeslee, 1940, Eugenics Record Office Collection. American Philosophi-cal Society (APS

LAUGHLIN PAPERS. Report of the Advisory Committee on eugenics Record Office”, Laughlin Papers, Truman State Uni-versity (Kirksville, Missouri) Caixa C-2-3.

LEWOTIN, Richard; ROSE, Steven; KAMIN, Leon. Not in our genes. Biology, ideology and human nature. New York: Pantheon, 1984.

LOMBARDO, Paul. Eugenics and public health: Historical connections and ethical implications. In: MASTROIANNI, Anna C.; KAHN, Jeffrey P.; KASS, Nancy E. (eds). The Oxford handbook of public health ethics. Oxford: Oxford University Press: 2019.

LOMBARDO, Paul. We who champion the unborn: racial poisons, eugenics and the campaign for prohibition. The Journal of Law, Medicine & Ethics, 50 (2022): 124-138, 2022

MARQUES, V.R.B. A medicalização da raça: médicos, educadores e discurso eugênico. Campinas: Editora Unicamp, 1994.

MOTA, André. Quem é bom já nasce feito. Sanitarismo e eugenia no Brasil. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

NYT. The New York Times. “Close Oriental Ban demanded by Labor”. 09/10/1965.

OFFICIAL RECORD of the Gift of the Eugenics Record Office Cold Spring Harbor, Long Island, New York by Mrs. E.H. Harriman to the Carnegie Institution of Washington and of its Ac-ceptance by the Institution, Eugenics Record Office. Series: Historical Documents. Carnegie Library, 1940.

PAUL, Diane. Eugenics and the Left. Journal of the History of Ideas, 45 (4): 567-590, 1984.

REIS, José Roberto F. Higiene Mental e eugenia: o projeto de “re-generação nacional” da Liga Brasileira de Higiene Mental (1920-1930). Campinas, 1994. Dissertação. Programa de Pós-Graduação em História, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas. Disponível em: <https://doi.org/10.47749/T/UNICAMP.1994.84264>

REPORT of the Advisory Committee on eugenics Record Office, Laughlin Papers, Truman State University (Kirksville, Missouri) Caixa C-2-3., 1935.

SANTOS, Ricardo Augusto. Pau que nasce torto, nunca se endireita! E quem é bom, já nasce feito? Esterilização, Saneamento e Edu-cação: uma leitura do Eugenismo em Renato Kehl (1917-1937). Niterói, 2008. Tese (Doutorado em História). Departamento de História, Universidade Federal Fluminense. Disponível em: <https://app.uff.br/riuff/handle/1/22298>

SCHOEN, Johanna. Choice and Coercion: birth control, sterilization, and abortion in public health and welfare. Chapel Hill: The University of North Carolina Press, 2005.

SOUZA, Vanderlei S. A Política Biológica como Projeto: a ‘eugenia negativa’ e a construção da nacionalidade na trajetória de Renato Kehl (1917-1934). Rio de Janeiro, 2006. Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. Casa de Os-waldo Cruz. Disponível em: <https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/6134>

SOUZA, Vanderlei S. As Ideias Eugênicas no Brasil: ciência, raça e projeto nacional no entre guerras. Revista Eletrônica História em Re-flexão, 6 (11): 1-23, 2012.

SOUZA, Vanderlei S. A eugenia brasileira e suas conexões internacionais: uma análise a partir das controvérsias entre Renato Kehl e Edgard Roquette-Pinto, 1920-1930. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, 23: 93-110, 2016.

SPIRO, Jonathan Peter. Defending the Master Race: conservation, eugenics, and the legacy of Madison Grant. Montpelier: University of Vermont Press, 2009.

STEPAN, Nancy. The hour of eugenics: race, gender, and nation in Latin America. Ithaca: Cornell University Press, 1991.

STERN, A.M. Eugenic Nation: faults & frontiers of better breeding in modern America. Berkeley: University of California Press, 2005.

TANNER, Adam. Our Bodies, Our Data: How companies make billions selling our medical records. Boston: Beacon Press, 2016.

TURDA, Marius. Modernism and Eugenics. London: Plagrave Mcmillan, 2010.

WEINDLING, Paul. Victims and survivors of Nazi human experiments: science and suffering in the Holocaust. New York Bloomsbury Academic, 2015.

WEINDLING, Paul. Conceptualizing eugenics and racial hygiene as public health theory and practice. In: KANANEN, Johannes; BERGENHEIM, Sophy; WESSEL, Merle (Ed.). Conceptualising public health: Historical and contemporary struggles over key concepts. Routledge, 2018.

WEGNER, Robert. Renato Kehl, a eugenia alemã e a doença de Nietzsche. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH. São Paulo, julho 2011.

WEGNER, Robert; SOUZA, Vanderlei Sebastião de. Eugenia ‘negativa’, psiquiatria e catolicismo: embates em torno da esterilização eugênica no Brasil. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, 20 (1): 263-288, 2013.

WITKOWSKI, J.A. The road to discovery: a short story of Cold Spring Harbor Laboratory. New York: Cold Spring Harbor University Press, 2016.

Downloads

Publicado

2022-07-03

Como Citar

DIWAN, P. S. Cold Spring Harbor Laboratory e o Eugenics Record Office (1890-1939): genética e eugenia . Filosofia e História da Biologia , [S. l.], v. 17, n. 1, p. 115-139, 2022. DOI: 10.11606/issn.2178-6224v17i1p115-139. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/fhb/article/view/fhb-v17-n1-05. Acesso em: 18 ago. 2022.

Edição

Seção

Artigos