Mitos e nós do agronegócio no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2179-0892.geousp.2021.182640

Palavras-chave:

Retrocesso político, Agronegócio, Bancada Ruralista, Brasil

Resumo

O presente artigo parte da hipótese de que os retrocessos políticos vividos no Brasil desde o golpe parlamentar de 2016 mostram a tendência ao aumento de poder dos agentes hegemônicos do agronegócio atuantes no país e, consequentemente, a propensão ao agravamento das desigualdades socioespaciais, dos conflitos e da violência no campo e nas cidades. O principal objetivo é discutir o que consideramos alguns dos principais mitos e nós nos quais se escora o agronegócio, uma vez que julgamos que devem ser desfeitos para que possamos trilhar os caminhos para uma sociedade mais justa, igualitária e democrática. A metodologia estruturou-se nos fundamentos da pesquisa qualitativa. Concluímos que as formas-conteúdo do agronegócio são contestáveis e devem ser rejeitadas e substituídas por outras.

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Biografia do Autor

Denise Elias, Universidade Estadual do Ceará

Professora da Universidade Estadual do Ceará - UECE, Departamento de Geociências, Fortaleza, CE

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Publicado

2021-08-12

Como Citar

ELIAS, D. Mitos e nós do agronegócio no Brasil. GEOUSP Espaço e Tempo (Online), [S. l.], v. 25, n. 2, p. e-182640, 2021. DOI: 10.11606/issn.2179-0892.geousp.2021.182640. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/geousp/article/view/182640. Acesso em: 9 dez. 2021.

Edição

Seção

Artigos