Um ouvido no fone e o outro na cidade: por uma representação audiovisual do musicar local

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2525-3123.gis.2021.176158

Palavras-chave:

Musicar local, Documentário, Riders, Produção coletiva, Narrativa audiovisual

Resumo

O presente artigo discute a utilização do audiovisual para representar as características e as possibilidades de um musicar local. Ao observar o processo de criação do documentário Um ouvido no fone e o outro na cidade, os(as) autores(as) refletem sobre os usos e as funções da música, bem como sobre o engajamento musical e a relação de escuta dos(as) riders – entregadores(as) de comida por aplicativo. Esses(as) profissionais são brasileiras e brasileiros que moram em Dublin e que têm a música como parte essencial da sua rotina de trabalho. Nesse sentido, nossa questão é: como representar as diversidades e as contradições desse musicar local? Argumentamos que, por meio das etapas coletivas de desenvolvimento e criação desse documentário, os(as) realizadores(as) expressam não apenas o engajamento dos(as) riders com a música, mas também constroem uma representação sensorial do musicar que perpassa as relações de trabalho, de afeto e de localidade.

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Biografia do Autor

Renan Moretti Bertho, Universidade Estadual de Campinas

Renan Moretti Bertho é doutorando em Música pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – com estágio de pesquisa na School of music da University College Dublin (UCD/Irlanda). Possui mestrado em Música (com ênfase em etnomusicologia) pela Unicamp (2015) e graduação em Educação Musical pela Universidade Federal de São Carlos (2008). Desde 2007 atua como flautista em grupos de choro e samba. Possui interesse nos temas: etnomusicologia, música popular e antropologia visual. E-mail: renanbertho@gmail.com.

Alexsânder Nakaóka Elias, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Alexsânder Nakaóka Elias é pós-doutorando em Antropologia Social na UFRGS, doutor em Antropologia e mestre em Multimeios pela Unicamp. Pesquisa temas relacionados com arte, imagem, Antropologia Audiovisual, rituais, narrativas e cultura japonesa. Atualmente, seu foco volta-se para as relações entre as noções de “experiência” e “experimentação” e nas reflexões acerca das potencialidades da “montagem” como metodologia na confecção do saber antropológico. É membro do “Núcleo de Antropologia Visual” (NAVISUAL/UFRGS), do “Laboratório Antropológico de Grafia e Imagem (LA’GRIMA/UNICAMP), do “Laboratório de Ensino, Pesquisa e Produção em Antropologia da Imagem e do Som” (LEPPAIS/UFPel). E-mail: alexdefabri@yahoo.com.br.

Brenno Brandalise Demarchi , Universidade Federal de Santa Catarina

Brenno Brandalise Demarchi é mestrando em Antropologia Social (PPGAS/UFSC). Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais (UNESP-FFC). É membro do Grupo de Pesquisa Comum Urbano na América Latina (CUAL/UFPR), do Grupo de Estudos em Imagem, Fotografia e Cinema (GEI/UNESP) e do Grupo de Estudos em Psicologia e Epistemologia Genéticas e Educação (GEPEGE/UNESP). É também produtor, editor e host do Podcast de Marte. Foi Bolsista no Instituto Grupo Pão de Açúcar (GPA), atuando como Violista da orquestra deste instituto. Tem interesse em pesquisas sobre Antropologia Visual, Antropologia Urbana, Geografia Radical e Produção dos Comuns. E-mail: brennodemarchi@gmail.com.

Anna Flávia Guimarães Hartmann, Universidade de São Paulo

Anna Hartmann é mestranda em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), graduada em Ciências Sociais pela USP. Membra do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Sociologia do Espaço e do Tempo (NEPSESTE) do Departamento de Sociologia da USP e do Núcleo de Produção e Pesquisa em Audiovisual (NUPEPA/ImaRgens – ICNOVA/LAPS). E-mail: annamtrah@gmail.com

Arthur Silva Barbosa, Universidade de Brasília

Arthur Silva Barbosa é graduado no curso de licenciatura em Artes Visuais pela Universidade de Brasília. Membro do Núcleo de Produção e Pesquisa em Audiovisual (NUPEPA), é Professor de Arte em contrato temporário na Secretaria de Educação do Distrito Federal, editor audiovisual e artista plástico. Tem interesse em pesquisas sobre Cinema, Estética, Arte Contemporânea e Narrativas visuais. E-mail: arthur980@gmail.com.

Luiz Henrique Campos Pereira , Universidade Estadual Paulista

Luiz Henrique Campos Pereira é mestrando em Ciências Sociais pela UNESP-FFC. Graduado em Ciências Sociais (bacharelado e licenciatura) pela UNESP-FFC e em Comunicação Social pela Faculdade Cásper Líbero. Docente no Senac de São José do Rio Preto/SP, integrante do corpo editorial da Revista Medalhão Persa VIP e do periódico acadêmico Revista Aurora. Além disso, é membro do Grupo de Estudos em Imagem, Fotografia e Cinema (GEI/UNESP) e tem interesse por pesquisas ligadas aos seguintes tópicos: Vida Cotidiana; Lazer; Turismo; Antropologia Visual. E-mail: pereiralhc@hotmail.com.

Noelle Rodrigues Ventura , Universidade São Judas

Noelle Rodrigues Ventura é atriz, escritora, dramaturga e produtora audiovisual, formada em Artes Cênicas, estudante de Cinema e Audiovisual pela Universidade São Judas e do Núcleo de Produção e Pesquisa em Audiovisual (NUPEPA/ImaRgens – ICNOVA/LAPS). Escreveu a peça “Os Cavalos-de-Przewalski”, uma adaptação do livro homônimo de sua autoria, sob supervisão do professor Dr. Samir Yazbek. E-mail: venturanoelle@gmail.com.

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AUDIOVISUAL

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Publicado

2021-06-01

Como Citar

Bertho, Renan Moretti, Alexsânder Nakaóka Elias, Brenno Brandalise Demarchi, Anna Flávia Guimarães Hartmann, Arthur Silva Barbosa, Luiz Henrique Campos Pereira, e Noelle Rodrigues Ventura. 2021. “Um Ouvido No Fone E O Outro Na Cidade: Por Uma representação Audiovisual Do Musicar Local”. GIS - Gesto, Imagem E Som - Revista De Antropologia 6 (1). São Paulo, Brasil:e-176158. https://doi.org/10.11606/issn.2525-3123.gis.2021.176158.

Edição

Seção

Dossiê Musicar Local