Colocação, metamorfismo e natureza dos anfibolitos de Água Azul do Norte, Província Carajás

  • Diwhemerson Barbosa de Souza Universidade Federal do Pará - UFPA, Instituto de Geociências (IG), Grupo de Pesquisa Petrologia de Granitoides (GPPG), Programa de Pós-Graduação em Geologia e Geoquímica (PPGG).
  • Davis Carvalho de Oliveira Universidade Federal do Pará - UFPA, Instituto de Geociências (IG), Grupo de Pesquisa Petrologia de Granitoides (GPPG), Programa de Pós-Graduação em Geologia e Geoquímica (PPGG).
  • Lena Virgínia Soares Monteiro Universidade de São Paulo - USP, Instituto de Geociências, Programa de Pós-graduação em Recursos Minerais e Hidrogeologia.
  • Eleilson Oliveira Gabriel Universidade Federal do Pará - UFPA, Instituto de Geociências (IG), Grupo de Pesquisa Petrologia de Granitoides (GPPG), Programa de Pós-Graduação em Geologia e Geoquímica (PPGG).
  • Bhrenno Marangoanha Universidade Federal do Pará - UFPA, Instituto de Geociências (IG), Grupo de Pesquisa Petrologia de Granitoides (GPPG), Programa de Pós-Graduação em Geologia e Geoquímica (PPGG).
Palavras-chave: Anfibolito, Geoquímica, Geotermobarometria, Arqueano, Carajás.

Resumo

Os corpos metamáficos de Água Azul do Norte, porção centro-sul do Domínio Carajás, são intrusivos em uma crosta TTG e correspondem a duas variedades: (i) actinolita anfibolito, que ocorre como um corpo alongado de orientação geral N-S e inflexão para NE, com ~ 17 km de extensão. É formado por plagioclásio e anfibólio, com relíquias de cristais de piroxênio e plagioclásio ígneos associados à textura blasto-subofítica; e (ii) diopsídio anfibolito, de ocorrência restrita ao extremo leste da área, que aflora como pequenos corpos lenticulares, anastomosados e de orientação NW-SE. Estes possuem protólito de composição semelhante aos basaltos toleíticos e razões HFSE que sugerem uma fonte derivada do manto primitivo, com mudanças significativas na composição do magma devido à interação com a crosta e/ou a litosfera subcontinental. As evidências química, mineralógica e textural indicam que o protólito do actinolita anfibolito foi deformado em estágio submagmático e, posteriormente, em estado sólido em profundidades rasas. Em contrapartida, o diopsídio anfibolito foi submetido a regime de deformação dúctil em profundidades relativamente elevadas. A colocação e deformação desses corpos estaria relacionada ao momento D2 sob o qual a crosta TTG de Água Azul sofreu deformação heterogênea com acomodação de zonas de cisalhamento dextrais e sinistrais. A trajetória metamórfica do actinolita anfibolito revela descompressão isotermal (com pico metamórfico em 2,7 kbar e 430ºC e equilíbrio retrometamórfico em 1,2 kbar e 425ºC), associada à sua exumação e/ou à colocação de corpos de leucogranito, enquanto o diopsídio anfibolito registrou metamorfismo em fácies anfibolito sob condições de nível crustal intermediário e ambiente de crosta relativamente fria (5 kbar; 540ºC). Esses dados evidenciam história metamórfica distinta para os corpos anfibolíticos e a exumação e exposição de segmentos de crosta arqueana relativamente profunda na região de Água Azul do Norte (~ 9 – 16 km).

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Publicado
2018-02-20
Como Citar
Souza, D., Oliveira, D., Monteiro, L. V., Gabriel, E., & Marangoanha, B. (2018). Colocação, metamorfismo e natureza dos anfibolitos de Água Azul do Norte, Província Carajás. Geologia USP. Série Científica, 17(4), 99-123. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9095.v17-441
Seção
Artigos