Depósitos conglomeráticos do Paleo Rio Tietê: evento de agradação fluvial na evolução da depressão periférica paulista

Palavras-chave: Depósitos conglomeráticos, Proveniência sedimentar, Luminescência Opticamente Estimulada, Análise de fácies, Rio Tietê, Cenozoico

Resumo

Os depósitos conglomeráticos situados nos arredores do distrito de Laras, São Paulo, capeiam colinas amplas de topo aplainado com altitudes entre 500 e 570 m. Ocorrem em discordância sobre as formações Piramboia e Teresina da Bacia do Paraná. São constituídos de fácies de ortoconglomerados polimíticos com matriz arenosa, mal selecionada. A análise de proveniência realizada evidenciou o predomínio de clastos de silexito, quartzito e quartzo de veio, bem arredondados e oblatos, sugerindo longo transporte. A análise estatística revelou maior frequência de litotipos resistentes ao transporte na porção sudeste da área. Na porção noroeste predominam clastos menos resistentes, representados por oólito e coquina, sugerindo erosão da Formação Teresina e transporte curto a partir de terrenos paleozoicos existentes na Depressão Periférica Paulista. Dados de Luminescência Opticamente Estimulada (OSL) possibilitaram conferir idade mínima de 371.4 ± 27.5 ka para a unidade. Os depósitos conglomeráticos são interpretados como produto de deposição em canais fluviais tributários de grande porte, ou mesmo de um canal tronco principal, de um extenso sistema deposicional fluvial com paleomergulho deposicional para sudoeste do Estado de São Paulo. Esse sistema fluvial antecessor do atual Rio Tietê, com proveniência de nordeste, tinha área de drenagem em terrenos pré-cambrianos situados ao leste da área de ocorrências das unidades paleozoicas. Devido à localização e ao porte, os depósitos descritos registram importante fase de agradação fluvial na história geológica do Rio Tietê, evento de sedimentação ocorrido durante o longo processo de denudação que deu origem à Depressão Periférica Paulista durante o Cenozoico.

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Biografia do Autor

Lucas Veríssimo Warren, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Departamento de Geologia Aplicada

Lucas V. Warren é docente na área de sedimentologia no Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 1D. Possui graduação em Geologia pela Universidade de São Paulo (2002), mestrado em Geociências (Geologia Sedimentar) e doutorado em sedimentologia e estratigrafia pela instituição homônima. Atua principalmente na área de análise de bacias sedimentares com ênfase em análise de fácies e sedimentologia, estratigrafia de sequências e paleontologia sistemática e tafonômica. Desenvolveu projeto de pós-doutoramento em sedimentologia, geoquímica, geocronologia e paleontologia de sucessões carbonáticas ediacaranas no Paraguai setentrional. Atua também como colaborador em projetos de mapeamento e análise estratigráfica de unidade neoproterozoicas brasileiras como os Grupos Corumbá e Jacadigo, Faixa Paraguai (MS), e unidades fanerozoicas da Bacia do Paraná no Brasil e Ilhas Falklands/Malvinas. Temas de interesse: evolução de bacias sedimentares, paleontologia da transição Ediacarano-Cambriano, paleoecologia, sedimentação carbonática, estratigrafia de sequências. Atualmente é revisor de diversos periódicos nacionais e internacionais e membro efetivo da International Subcomission on Ediacaran Estratigraphy e do Upper Ediacaran Series Division Working Group,

Fabiano do Nascimento Pupim, Universidade Federal de São Paulo, Departamento de Ciências Ambientais

Professor Adjunto do Departamento de Ciências Ambientais na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), campus de Diadema e pesquisador/orientador no Programa de Pós-graduação em Geociências (Geoquímica e Geotectônica) da Universidade de São Paulo (USP; CAPESP 7). Formado em Geografia, com mestrado e doutorado em Geociências e Meio Ambiente (UNESP - Rio Claro), e período de estágio sanduíche doutorado na University of Vermont (EUA). Foi pesquisador de pós-doutorado no Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo e no Department of Earth Science and Engineering do Imperial College London (UK). Pesquisador colaborador no Lab. de Espectrometria Gama e Luminescência (IGc-USP) e Lab. de Estudos do Quaternário (IGCE-UNESP). Membro do grupo de pesquisa "Sistemas Fluviais e Meio Ambiente" (CNPq). Temas de interesse: geomorfologia, sedimentologia, evolução da paisagem, nuclídeos cosmogênicos, datação por luminescência, rios e áreas úmidas tropicais, sensoriamento remoto, SIG e planejamento do meio físico. (Fonte: Currículo Lattes)

Mário Luís Assine, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Instituto de Geociências e Ciências Exatas

Mario Luis Assine graduou-se em Geologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 1979. Atuou como geólogo na Petrobrás (1980-1981), no IPT (1982-1985) e na Construtora Andrade Gutierrez (1985-1986). De 1987 a 1997 exerceu o cargo de professor do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Obteve título de Mestre em Geologia Regional pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 1990 e de Doutor em Geociências (Geologia Sedimentar) pela Universidade de São Paulo (USP) em 1996. Desde 1997 é docente do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), instituição na qual exerce a função de professor adjunto desde 2003, quando obteve o título de Professor Livre-Docente em Estratigrafia e Sedimentação. Tem como linhas de pesquisa a análise de bacias sedimentares (Araripe, Paraná, Campos e Santos) e o estudo da Geologia do Quaternário continental (Bacia do Pantanal)

Publicado
2019-12-20
Como Citar
Breda, C., Warren, L., Pupim, F., & Assine, M. (2019). Depósitos conglomeráticos do Paleo Rio Tietê: evento de agradação fluvial na evolução da depressão periférica paulista. Geologia USP. Série Científica, 19(4), 147-163. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9095.v19-155306
Seção
Artigos