Classificação de minério-estéril e tipo de minério utilizando FRX Portátil: um estudo de caso de uma mina de ferro do Quadrilátero Ferrífero, Brasil

Palavras-chave: Controle de qualidade, Mineração, Fluorescência por raios X, Minério de Ferro, Planejamento de mina

Resumo

O controle de qualidade é uma atividade fundamental para o Planejamento de Lavra de Curto Prazo, pois valida a classificação de minério-estéril e tipo de minério nas frentes de lavra. O mapeamento geológico e a amostragem de grande volume fornecem informações indispensáveis para a equipe de Planejamento de Mina de Curto Prazo atualizar os modelos de blocos e fazer o controle de qualidade do run-of-mine. No entanto, a resposta do laboratório pode levar muito tempo e não ser oportuna para as necessidades operacionais, afetando a eficiência da mineração. Para propor uma solução para esse problema, testamos a acurácia da espectrometria por Fluorescência de Raios X (FRX) portátil para classificação de minério-estéril e tipos de minério de acordo com o teor de ferro e fósforo. Assim, amostras de minério de ferro do Quadrilátero Ferrífero foram analisadas pela FRX portátil como pastilhas prensadas. Como resultado, a acurácia geral da classificação de minério-estéril foi superior a 92% para diferentes teores de corte. Por outro lado, enquanto a classificação dos diferentes tipos de minério teve uma melhor acurácia sem fatores de calibração para o ferro, o uso destes fatores melhorou significativamente a acurácia da classificação do tipo de minério em relação ao fósforo. Portanto, apesar da FRX portátil apresentar boa acurácia para o controle de qualidade, ainda são necessários mais avanços em relação a sistemas automatizados de processamento de informações e validação do suporte amostral para que esta ferramenta possa ser usada em larga escala pelas equipes de controle de qualidade. Finalmente, o uso combinado da FRX portátil e outras técnicas, como análise por Imagens Hiperespectrais ou Difratometria de Raios-X (DRX), pode ser de.

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Biografia do Autor

Emílio Evo Magro Corrêa Urbano, Universidade Federal de Ouro Preto

Possui graduação em Engenharia Geológica pela Universidade Federal de Ouro Preto (2008) e doutorado em Geologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD-Portugal). Possui experiência em geologia de mina de curto prazo, caracterização mineralógica, mapeamento geológico aplicado à depósitos minerais, modelagem geológica e exploração geológica.

João Felipe Coimbra Leite Costa, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Possui graduação em Engenharia de Minas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1983), mestrado em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1992) e doutorado em Earth Sciences Dept - The University of Queensland (1997). Atualmente, é pesquisador da Fundação Luiz Englert e professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem experiência na área de Engenharia de Minas, com ênfase em Geoestatística, atuando principalmente nos seguintes temas: geoestatística, avaliação de depósitos e simulação.

Leonardo Martins Graça, Universidade Federal de Ouro Preto

Doutorado e Mestrado em Evolução Crustal e Recursos Naturais pela Universidade Federal de Ouro Preto. Experiência profissional na área de planejamento e modelamento de Mina, operação de mina, usina de concentração, caracterização mineralógica aplicada ao processo de pelotização. Professor assistente 1, área de atuação mineralogia e gemologia.

Ricardo Augusto Cipriano Scholz, Universidade Federal de Ouro Preto

Possui graduação em Geologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2000), mestrado em Geologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2002) e doutorado em Geologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2006). Atualmente é pesquisador colaborador da Universidade de Zagreb e professor Adjunto II da Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em mineralogia e gemologia, atuando principalmente nos seguintes temas: pegmatito, diamante, phosphate, topázio, prospecção mineral e espectroscopia.

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Publicado
2020-06-17
Como Citar
Urbano, E., Costa, J. F., Graça, L., & Scholz, R. A. (2020). Classificação de minério-estéril e tipo de minério utilizando FRX Portátil: um estudo de caso de uma mina de ferro do Quadrilátero Ferrífero, Brasil. Geologia USP. Série Científica, 20(2), 3-15. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9095.v20-162436
Seção
Artigos