100% negro, camisetas, insígnias e utopias sociais

Autores

  • Luiz C. Borges MAST/UNIRIO; Programa de Pós- Graduação em Museologia e Patrimônio

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1981-1616.v12i13p57-81

Palavras-chave:

Emancipação, Movimento negro, Utopia, Imaginário, Discurso

Resumo

A luta histórica da população negra no Brasil por sua emancipação, visando superar as condições sociais assimétricas a que continua sendo submetida, assume diversos posicionamentos político-ideológicos e apresenta, como desdobramento, diferentes níveis de fragmentação e enfrentamentos tanto inter quanto intra-étnicos. Este trabalho objetiva, por meio do aparato teórico-metodológico da análise de discurso, examinar o enunciado “100% negro”, enquanto um discurso fundacional. Em meio a uma complexa trama discursiva, marcada por afetos e ideologizações, tem chamado a atenção uma tendência recente a radicalizar essa luta mediante a mitificação fetichizada da herança genética e cultural africana. Os efeitos políticos dessa nova tendência mostram- se na desvinculação da luta emancipatória da fração negra daquela empreendida por outros segmentos igualmente desfavorecidos da sociedade brasileira (índios, lavradores, sem terra etc.). A hipótese central aqui proposta considera que essa tendência radicalizada, representada pelo “100% negro”, a despeito de sua aparente afirmatividade, propende a fechar o movimento negro em um ideal fetichizado de pureza racial ou cultural e, conseqüentemente, termina por reforçar o racismo que, supostamente, deveria erradicar.

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Publicado

2006-12-01

Edição

Seção

nao definida