Caravaggio e il Maccheronico di Teofilo Folengo

  • Bernardo Piciché
Palavras-chave: Caravaggio, macarrônico, Teofilo Folengo, Baldus, Merlin Cocai, Michelangelo da Merisi, paródia

Resumo

O presente estudo desenvolve a hipótese de uma afinidade entre Caravaggio e Teofilo Folengo, afirmando que a pintura do primeiro apresenta analogias estéticas e éticas com a produção em latim macarrônico do segundo. O Baldus representa um exemplo típico daquela que Genette definirá como «paródia séria»: mediante a inversão e a derrisão escarnecedora Folengo desafia a arte afetada e a deturpação dos valores cristãos. Não se trata aqui de estabelecer uma influência de Folengo sobre Caravaggio, mas sim uma analogia, em virtude de um fio de conjunção ideal, cuja presumibilidade é corroborada também pelo substrato biográfico-cultural e pelo espírito religioso comum. Seja em Folengo que em Caravaggio foram apontados os caracteres de certa modalidade da cultura lombarda de estar “contra”, a ponto de a dupla Folengo-Caravaggio parecer representar a antítese do decoro da cortesania solene de Castiglione e Rafael. O Cristo-paradoxo constitui a verdadeira fonte inspiradora para ambos. A comparação entre duas artes deve levar em conta diversos instrumentos expressivos, e isso será um dos assuntos para reflexão no texto. Se a hipótese da consentaneidade é defendida razoavelmente, por que não apontar uma componente macarrônica também na arte de Caravaggio? Deixamos para os historiadores da arte, entretanto, a decisão se cabe considerar o macarrônico uma categoria da pintura

Biografia do Autor

Bernardo Piciché
É professor de italianística, estudos mediterrâneos e estudos comparados de literatura. Coordena os cursos de Italiano e de Estudos mediterrâneos da VCU, Virginia Commonwealth University, USA. Formado em direito pela Università di Roma, onde obteve seu mestrado em italianística. Prosseguiu seus estudos de pós-graduação na Université de Paris e a Yale University, obtendo o doutorado em Língua e Literatura Italiana em 2004. Entre suas publicações recordamos o livro Argisto Giuffredi, gentiluomo borghese nel vicereame di Sicilia (2006), com o qual obteve o prêmio de melhor ensaio crítico pelo Istituto Italiano di Cultura de Nápoles
Publicado
2013-06-07
Como Citar
Piciché, B. (2013). Caravaggio e il Maccheronico di Teofilo Folengo. Revista De Italianística, (25), 51-74. https://doi.org/10.11606/issn.2238-8281.v0i25p51-74
Seção
Não definida