O brincar e suas implicações para o desenvolvimento infantil a partir da Psicologia Evolucionista

  • Janete Hansen Universidade Federal de Santa Catarina; Departamento de Psicologia
  • Samira M. Macarini Universidade Federal de Santa Catarina; Departamento de Psicologia
  • Gabriela D. F. Martins Universidade Federal de Santa Catarina; Departamento de Psicologia
  • Fernanda H. Wanderlind Universidade Federal de Santa Catarina; Departamento de Psicologia
  • Mauro L. Vieira Universidade Federal de Santa Catarina; Departamento de Psicologia
Palavras-chave: Brincar, Psicologia Evolucionista, Diferenças de Gênero

Resumo

A brincadeira é uma atividade presente na vida de crianças em diversas culturas, possuindo papel importante no desenvolvimento das mesmas. Apesar disso, tal importância nem sempre é reconhecida pelos adultos, os quais priorizam na educação das crianças aspectos cognitivos formais e apresentam uma dificuldade em visualizar a relação existente entre brincadeira e desenvolvimento. A psicologia evolucionista tem voltado seu olhar para o brincar por este caracterizar-se como adaptado e adaptativo da espécie, contendo aspectos filogenéticos e ontogenéticos. Tal abordagem busca estudar as possíveis relações entre cultura e filogênese no desenvolvimento deste comportamento. Dessa forma o objetivo deste trabalho foi apresentar o brincar a partir do referencial teórico da psicologia evolucionista, bem como seu conceito e suas características. Além disso, são apresentadas as relações entre o brincar, os tipos de brincadeira e as diferenças de gênero. A brinquedoteca é apresentada como um possível espaço no qual esse comportamento pode ser estimulado e valorizado.

Referências

Carvalho AMA, Pedrosa MI. Teto, ninho, território: brincadeiras de casinha. In: Carvalho AMA, Magalhães CMC, Pontes FR, Bichara ID, organizadores. Brincadeira e cultura: viajando pelo Brasil que brinca, vol. II – Brincadeiras de todos os tempos. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2003. p.31-48.

Ribeiro FL, Bussab VSR, Otta E. De colo em colo, de berço em berço. In: Moura, MLS, organizador. O bebê do século XXI e a psicologia em desenvolvimento. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2004. p.229-74.

Keller H. Development as the interface between biology and culture: a conceptualization of early ontogenetic experiences. In: Keller H, Poortinga YH, Schölmerich A, editors. Between biology and culture: Perspectives on ontogenetic development. Cambridge: Cambridge University Press; 2002. p.159-90.

Vieira ML, Prado AB. Abordagem evolucionista sobre a relação entre filogênese e ontogênese no desenvolvimento infantil. In: Moura MLS, organizador. O bebê do século XXI e a psicologia em desenvolvimento. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2004. p. 155-99.

Buss DM, Haseltom MG, Shackelford TK, Bleske AL, Wakefield JC. Adaptations, exaptations, and spandrels. American Psychologist. 1998;53:533-48.

Dekay WT, Buss DM. Human nature, individual differences, and the importance of context: Perspectives from evolutionary psychology. Current Directions in Psychological Science 1992; 1:184-9.

Charlesworth WR. “Darwin and the development psychology past and present”. Development Psychology. 1992; 28:5-16.

Tooby J, Cosmides L. Evolutionary psychology: Conceptual foundations. In: Buss DM. Handbook of Evolutionary Psychology. New York: Wiley; 2005.

Rabinovich EP. Nos tempos dos avós. In: Carvalho AMA, Magalhães CMC, Pontes FAR, Bichara ID, organizadores. Brincadeira e cultura: viajando pelo Brasil que brinca. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2003.p.9-30.

Pellegrini AD, Smith PK. Physical activity play: The nature and function of a neglected aspect of play. Child Development. 1998;69:577-98.

Santos AK, Bichara ID. Brincadeiras e contextos: alguns pressupostos para o estudo desta relação. In: Pontes FAR, Magalhães CMC, Brito RCS, Martin WL, organizadores. Temas pertinentes na construção da psicologia contemporânea. Belém: EDUFPa; 2005. p.277-97.

Yamamoto ME, Carvalho AMA. Brincar para que? Uma abordagem etológica ao estudo da brincadeira. Estudos de Psicologia 2002;7(10):163-4.

. ----------- Bichara ID. Brincadeira e cultura: o faz-de-conta das crianças Xocó e do Mocambo (Porto da Folha/SE). Temas em Psicologia. 1994; 7(1):57-64.

Kishimoto TM, organizadora. O brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneira; 1988.15. Pellegrini AD, Smith PK. The development of play during childhood: forms and possible functions. Child Psychology Psychiatry Review 1998; 3(2):51-7.

Gosso Y. Pexe oxemoarai: brincadeirasinfantis entre os índios Parakanã [tese].São Paulo(SP): Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo; 2004.

Morais MLS. Conflitos e(m) brincadeiras infantis: Diferenças culturais e de gênero.[tese]. São Paulo(SP): Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo; 2004.

Morais MLS, Otta E. Entre a serra e o mar. In: Carvalho AMA, Magalhães CMC, Pontes FAR, Bichara ID, organizadores. Brincadeira e cultura: viajando pelo Brasil que brinca. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2003. p.127-57.

Conti LD, Sperb TP. O brinquedo de pré-escolares: um espaço de ressignificação cultural. Psicologia: Teoria e Pesquisa. 2001;17(1):59-67.

Corsaro W. “Like you can ́t imagine”: pretend play among Huli children. Contemporary Psychology 1999; 44(4):278-80.

Bussab VSR, Ribeiro, FL. Biologicamente Cultural. In: Souza L, Freitas MFQ, Rodrigues MMP. Psicologia: reflexões (im)pertinentes. São Paulo: Casa do Psicólogo;1998. p.175-93.

Bjorklund DF, Pellegrini AD. Child Development and Evolutionary Psychology. Child Development. 2000; 71(6):1687–708.

Biben M. Squirrel monkey play fighting:making the case for a cognitive training function for play. In: Bekoff M, Byers JA. Animal Play. Evolutionary, Comparative and Ecological Perspectives. Cambridge: Cambridge University Press; 1998. p.161-82.

Smith PK. Does play matter? Functional and evolutionary aspects of animal and human play. Behavioral and Brain Sciences 1982;5:139-84.

Bjorklund DF. The role of immaturity in human development. Psychological Bulletin1997; 122:153-69.

Sutton-Smith B. Conclusion: the persuasive theoretic of play. In: Pellegrini, AD. The future of play theory: A Multidisciplinary Inquiry into the contributions of Brian Sutton-Smith. Albany, NY: State University of New York Press; 1995. p.275-95.

Souza AM, Vieira ML. Origens históricas da brincadeira. Psicologia Brasil 2004; 2(7): 28-33.

Moraes AS. Análise estrutural e funcional da brincadeira de crianças em idade pré-escolar [dissertação]. Florianópolis (SC): Universidade Federal de Santa Catarina; 2001.

Fein G. Pretend play in childhood: An integrative review. Child Development. 1981;52: 1095-118.

Sylva K, Bruner JS, Genova P. The role o fplay in the problem-solving of children 3-5years old. In: Bruner JS, Jolly A, Silva K. Play: Its role in development and evolution. Middlesex, England: Penguin Books; 1976.p.246-57.

Dohme V. Atividades lúdicas na educação: o caminho de tijolos amarelos do aprendizado. Petrópolis: Vozes; 2003.

Morais MLS. O faz-de-conta e a realidade social da criança [dissertação]. São Paulo (SP): Instituto de Psicologia da Universidade de SãoPaulo; 1980.

Cordazzo STD. Caracterização de brincadeiras de crianças em idade escolar [dissertação]. Florianópolis (SC): Universidade Federal de Santa Catarina; 2003.

Maccoby EE, Jacklin CN. Gender segregation in childhood. Advances in Child Development and Behavior1987; 20:239-87.

Beraldo KEA. Gênero de brincadeira na percepção de crianças de 5 a 10 anos[dissertação]. São Paulo (SP): Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo; 1993.

Martin CL, Fabes RA. The stability and consequences of young children’s same-sexpeer interactions. Developmental Psychology2001; 37: 431-46.

Hanish LD, Martin CL, Fabes RA. Young children’s play qualities in same, other, and mixed-sex peer groups. Child Development. 2003; 3(74):921-32.

Macarini SM, Vieira ML. O brincar de crianças escolares na brinquedoteca. Rev Bras Crescimento Desenvolv Hum. 2006; 16:49-60.

Liss MB. Learning gender-related skills through play. In: Liss MB. Social and cognitive skills: sex-roles and children ́s play. New York: Academic Press; 1983. p.147-67.

Hinde RA. Individuals, relationships and culture: Links between Ethology and Social Sciences. Cambridge (UK): Cambridge University Press;1987.

Maccoby EE. Gender as a social category. Developmental Psychology 1988; 24(6): 755-65.

Connellan H, Baron-Cohen S, Wheelwright S, Batki A, Abluwalia J. Sex differences in human neonatal social perception. Infant Behavior Development 2000; 23:113-8.

Servin A, Bohlin G, Berlin L. Sex differences in 1-, 3- and 5-year-olds‘toy-choice in a structured play session. Scandinavian J Psychology. 1999; 40:43-8.

Porto CL. Brinquedo e brincadeira na brinquedoteca. In: Kramer S. Infância e produção cultural São Paulo: Papirus; 1998.p.171-98.

Bichara ID. Um estudo etológico da brincadeira de faz-de-conta em crianças de 3-7anos[tese]. São Paulo (SP): Instituto de Psicologia da USP; 1994.

Sutton-Smith B, Rosenberg BG. Sixty years of historical change in the game preferences of American children. Journal of American Folklore 1961; 71:17-46.

Publicado
2007-08-01
Seção
Atualização