PERCEPÇÃO DOS FAMILIARES DE PACIENTES COM ALERGIA AO LEITE DE VACA EM RELAÇÃO AO TRATAMENTO

  • Glauce Hiromi Yonamine Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICr-HCFMUSP)
  • Divanice Contim Universidade Federal do Triângulo Mineiro
  • Ana Paula Beltran Moschione Castro Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICr-HCFMUSP)
  • Cristina Miuki Abe Jacob Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICr-HCFMUSP)
  • Antonio Carlos Pastorino Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICr-HCFMUSP)
Palavras-chave: pesquisa qualitativa, hipersensibilidade alimentar, criança, hipersensibilidade a leite.

Resumo

Este estudo qualitativo teve como objetivo compreender as percepções de familiares de crianças eadolescentes com alergia à proteína do leite de vaca (APLV) em relação à doença e seu tratamento.Foram realizadas nove entrevistas e foi utilizado o método de análise de conteúdo. Surgiram trêscategorias com subcategorias: tratamento e educação do paciente e familiares (experiências vividas,base do tratamento e como lidar com a doença), resolução da doença (expectativa e melhoragradativa), qualidade de vida (inclusão social, cotidiano familiar e custo dos alimentos). Os familiaresvivenciaram dificuldades durante o início do tratamento, mas revelaram que as orientações fornecidasno seguimento tornaram as adaptações à doença mais fáceis. Comentaram sobre as dificuldades emobter a colaboração de outros membros da família em relação à dieta de exclusão, suas experiênciasfrente a uma reação alérgica, dúvidas quanto ao tratamento e lacunas do conhecimento sobre adoença entre outros médicos e na população em geral. Alguns deles acreditavam que não haviatratamento para a APLV, porque não existiam medicamentos ou vacinas, mas mantinham a esperançada descoberta de uma cura. A maioria dos familiares estava satisfeita com a melhora gradativa dosseus filhos, percebida pela redução da gravidade dos sintomas e tolerância a traços de leite. Tambémcomentaram sobre os esforços em proporcionar uma vida normal para seus filhos, as mudanças emsuas vidas e a dificuldade em comprar alimentos especiais. Em conclusão, os familiares de criançase adolescentes com APLV sentem grande impacto da doença.

Biografia do Autor

Glauce Hiromi Yonamine, Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICr-HCFMUSP)
Nutricionista, Mestre em Ciências, Supervisora do Ambulatório do Serviço de Nutrição e Dietética do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICr-HCFMUSP)
Divanice Contim, Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Enfermeira, Doutora em Enfermagem, Professora Adjunta da Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Ana Paula Beltran Moschione Castro, Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICr-HCFMUSP)
Médica, Doutora em Ciências, Assistente da Unidade de Alergia e Imunologia (ICr-HCFMUSP)
Cristina Miuki Abe Jacob, Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICr-HCFMUSP)
Médica, Doutora em Ciências, Professora Associada do Departamento de Pediatria da FMUSP, Chefe da Unidade de Alergiae Imunologia, Instituto do Coração, Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo (ICr-HCFMUSP)
Antonio Carlos Pastorino, Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICr-HCFMUSP)
Médico, Doutor em Ciências, Assistente da Unidade de Alergia e Imunologia, (ICr-HCFMUSP), Brasil.Instituição em que o trabalho foi realizado: Departamento de Pediatria - Unidade de Alergia e Imunologia. Instituto daCriança do Hospital das Clínicas de São Paulo – FMUSP, (ICr-HCFMUSP)

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Publicado
2013-01-23
Seção
Artigos Originais