O <em>éthos</em> poético de algumas <em>imagines</em> tibulianas

Autores

  • João Batista Toledo Prado Universidade Estadual Paulista

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2358-3150.v18i1p138-172

Palavras-chave:

Tibulo, elegia, imagem, écfrase, éthos, efeitos poéticos

Resumo

A construção e sugestão de imagens, tenham elas o grau de vivacidade da écfrase ou não, são recursos profusamente utilizados em quase toda a poesia latina, por conseguinte, nem mesmo Tibulo, em sua propalada concisão e simplicidade, poderia ter descurado elaborar “quadros de palavras” e cenas verbais que estabelecessem, colaborassem ou ampliassem a poeticidade de seus poemas, afinal, a prisca ideia enunciada por Simônides de que “poesia é pintura falante e pintura é poesia muda” parece ter sido corrente na Antiguidade Clássica, e o ut pictura poesis horaciano é talvez seu mais memorável e célebre reflexo. Notável é também como a essa percepção de escritores antigos homologam-se de modo aparentemente perfeito muitas codificações modernas da mesma questão: para a semiótica greimasiana, por exemplo, signos figurativos são transportáveis e traduzíveis por qualquer língua natural, porque é apanágio desse – e apenas desse – sistema semiótico codificar todos os demais, e, além disso, eles são categorias abstratas universais, um fato que facilita e habilita a passagem de um sistema a outro. Há que se convir, entretanto, em que a pintura de imagens verbais em poesia é mais um expediente de que lança mão o poeta para criar homologias entre expressão e conteúdo, destinadas a lograr o efeito de permanência da mensagem poética, pela concentração de sentido em investimentos lexicais justos e concisos, ideia que encontra respaldo e consecutividade na de que “nenhum poema jamais é escrito exclusivamente para contar uma história” (“No poem is ever written for its story line’s sake only […]”, Brodsky 1986, 47). Este texto propõe, por isso, fazer a leitura de certas passagens daquelas elegias tibulianas em que predomina a construção de imagens, a fim de investigar seu caráter poético, ou seja, verificar como o plano verbal lhes confere certos efeitos de realidade, como concretude, contraste, etc.

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Publicado

2016-08-22

Como Citar

Prado, J. B. T. (2016). O <em>éthos</em> poético de algumas <em>imagines</em> tibulianas. Letras Clássicas, 18(1), 138-172. https://doi.org/10.11606/issn.2358-3150.v18i1p138-172

Edição

Seção

Artigos