Direitas partidárias na América Latina do século XXI

Autores

  • Jean Lucas Macedo Fernandes Universidade Estadual de Campinas

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2237-4485.lev.2017.147008

Palavras-chave:

ideologia, partidos políticos, conservadorismo

Resumo

Através de levantamento bibliográfico dos debates recentes da literatura, este trabalho realiza um balanço acerca da relação entre conservadorismo e dinâmica partidária na América Latina contemporânea. O enfoque recai sobre as transformações econômicas e políticas do contexto internacional e a maneira como o espectro ideológico conservador tem articulado suas demandas aos partidos políticos. A conclusão geral é de que os partidos à direita – que acolhem as pautas conservadoras – tem se adaptado com sucesso ao jogo democrático, em meio ao recrudescimento de discursos conservadores, reativos às ações progressistas que ganharam força ao longo dos governos de esquerda dos anos 2000. 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Jean Lucas Macedo Fernandes, Universidade Estadual de Campinas

Doutorando no Departamento de Ciência Política do IFCH/UNICAMP

Referências

ALBALA, A.; VIEIRA, S. M. 2014. “¿Crisis de los partidos en América latina? El papel de los partidos políticos latinoamericanos en el escenario reciente”. Política, v. 52, n. 1, pp. 145-170.

ALCÁNTARA, M.; FREIDENBERG, F. 2002. “Partidos Políticos na América Latina”. Opinião Pública, vol. 8, n. 2, pp. 137-157.

ALCÁNTARA, M. 2004a. “Partidos políticos en América Latina: precisiones conceptuales, estado actual y retos futuro”. Documentos Cidob América Latina, n. 3.

ALCÁNTARA, M. 2004b ¿Instituciones o Máquinas Ideológicas? Origen, Programa y organización de los partidos latinoamericanos. Barcelona: Institut de Ciéncies Politiques i Sociales.

ALCÁNTARA, M.; VALDUVIECO, I. L. 2008. “The Parliamentary Right”. In: ALCÁNTARA SÁEZ, M. (ed.). Politicians and Politics in Latin America. London: Lynne Rienner Publishers.

ALTMAN, D. et. al. 2009. “Partidos y sistemas de partidos em América Latina: Aproximaciones desde la encuesta a expertos 2009”. Revista de Ciencia Política, v. 29, n. 3, pp. 775-798.

AMES, B. 2003. Os entraves da democracia no Brasil. São Paulo: FGV.

ANDERSON, P. 1995. “Balanço do neoliberalismo”. In: SADER, E., GENTILI, P. (orgs.), Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

ARNOLD, J.; SAMUELS, D. 2011. “Latin America’s Left Turn? Evidence from Public Opinion: A Conceptual and Theoretical Overview”. In: LEVITSKY, S.; ROBERTS, K. (orgs.). The Resurgence of the Latin America Left. Baltimore: John Hopkins.

AVELAR, L.; WALTER, M. I. M. T. 2008. “Lentas mudanças: o voto e a política tradicional”. Opinião Pública, Campinas, vol. 14, nº 1, Maio.

BABIRESKI, F. 2016. “Pequenos partidos de direita no Brasil: uma análise dos seus posicionamentos políticos”. Newsletter. Observatório de elites políticas e sociais do Brasil. NUSP/UFPR, v.3, n.6, pp. 1-16.

BOBBIO, N. 1995. Direita e Esquerda: Razões e Significados de uma Distinção Política. São Paulo: Editora UNESP.

BORGES, A. 2010. “Já não se fazem mais máquinas políticas como antigamente: competição vertical e mudança eleitoral nos estados brasileiros”. Revista de Sociologia e Política, v. 18, pp. 167-188.

CAMERON, M.; HERSHBERG, E. (orgs.). 2010. Latin America’s Left Turn: Politics, Policies and Trajectories of Change. Boulder: Lynne Rienner.

CÂNDIDO, A. 1990. “Radicalismos”. Estudos Avançados, vol. 4, n. 8.

CODATO, A.; BOLOGNESI, B.; ROEDER, K. M. 2015. “A nova direita brasileira: uma análise da

dinâmica partidária e eleitoral do campo conservador”. In: CRUZ, S. V.; KAYSEL, A.; CODAS, G. Direita, volver!: o retorno da direita e o ciclo político brasileiro. São Paulo: Perseu Abramo.

CRUZ, S. V. 2015. “Elementos de reflexão sobre o tema da direita (e esquerda) a partir do Brasil no momento atual”. In: CRUZ, S. V.; KAYSEL, A.; CODAS, G. Direita, volver!: o retorno da direita e o ciclo político brasileiro. São Paulo: Perseu Abramo.

CRUZ, S. V.; KAYSEL, A.; CODAS, G. 2015. Direita, volver!: o retorno da direita e o ciclo político brasileiro. São Paulo: Perseu Abramo.

CUEVA, A. 1989. “A guinada conservadora”. In: CUEVA, A. (org). Tempos Conservadores: A direitização no Ocidente e na América Latina. São Paulo: Hucitec.

FAGANELLO, M. A. 2015. “Bancada da bala: uma onda na maré conservadora”. In: CRUZ, S. V.; KAYSEL, A.; CODAS, G.. Direita, volver!: o retorno da direita e o ciclo político brasileiro. São Paulo: Perseu Abramo.

FRANZMANN, S. 2010. “Locating political parties in policy space: a reanalysis of Party Manifesto Data”. Party Politics, v. 12, n. 2, pp. 151-171.

FRETEL, J. 2011. “Qual sociologia para o estudo dos partidos políticos conservadores?”. Revista Brasileira de Ciência Política, nº 5, pp. 321-349.

GIBSON, E. J. 1996. Class and Conservative Parties: Argentina in Comparative Perspective. Baltimore: John Hopkins University Press.

GIDDENS, A. 1995. Para Além da Esquerda e da Direita: O futuro da política radical. São Paulo: Editora da Unesp.

HAGOPIAN, F. 1996. Traditional politics and regime change in Brazil. Cambridge; New York: Cambridge University Press.

HERSHBERG, E. 2010. “Latin America’s Left: The Impact of the External Environment”. In: CAMERON, M.; HERSHBERG, E. (orgs.). Latin America’s Left Turn: Politics, Policies and Trajectories of Change. Boulder: Lynne Rienner.

HIRSCHMAN, A. O. 1992. A retórica da intransigência: perversidade, futilidade, ameaça. São Paulo: Companhia das Letras.

IANNI, O. 1989. “A Nova República do Brazil”. In: CUEVA, A. (org). Tempos Conservadores: A direitização no Ocidente e na América Latina. São Paulo: Hucitec.

KAYSEL, A. 2015. “Regressando ao regresso: elementos para uma genealogia das direitas brasileiras”. In: CRUZ, S. V.; KAYSEL, A.; CODAS, G.. Direita, volver!: o retorno da direita e o ciclo político brasileiro. São Paulo: Perseu Abram.

KINZO, M. D. G. 2005. “Os partidos no eleitorado: percepções públicas e laços partidários no Brasil”. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 20, n. 57, pp. 65-81.

LEVITSKY, S.; ROBERTS, K. (orgs.). 2011. The Resurgence of the Latin America Left. Baltimore: John Hopkins.

LÖWY, M. 2015. “Conservadorismo e extrema-direita na Europa e no Brasil”. Serviço Social e Sociedade, n. 124, pp. 652-664.

LUNA, J. P.; KALTWASSER, R. (orgs.). 2014. The Resilience of the Latin American Right. Baltimore: John Hopkins University Press.

LUPU, N. 2009. “Electoral Bases of Leftist Presidents in Latin America”, paper presented at the 2009 National Congress of the Argentine Association of Political Analysis, Ciudad de Santa Fe.

MADEIRA, R.; TAROUCO, G. 2010. “A “direita envergonhada” no Brasil: como partidos reinterpretam seus vínculos com o regime militar?” V Congresso Latinoamericano de Ciência Política. Asociación Latinoamericana de Ciencia Política, Buenos Aires.

MAINWARING, S.; MENEGUELLO, R.; POWER, T. 2000. Partidos Conservadores no Brasil Contemporâneo: Quais são, o que defendem, quais são suas bases. São Paulo: Paz e Terra.

MAINWARING, S.; TORCAL, M. 2005. “La institucionalización de los sistemas de partidos y la teoría del sistema partidista después de la tercera ola democratizadora”. América Latina Hoy, n. 41, pp. 141-173.

MANIN, B. 1998. Los Principios del Gobierno Representativo. Madrid: Alianza Editorial.

MANIN, B. 2012. “A democracia do público reconsiderada”. Novos Estudos, n. 97, pp. 115-127.

MANNHEIM, K. 1981. “O pensamento conservador”. In: MARTINS, J. de S. (org.). Introdução crítica à sociologia rural. São Paulo: Hucitec.

MENEGUELLO, R.; BIZZARRO NETO, F. 2012. “Contexto e Competição na Política Paulista”. DADOS – Revista de Ciências Sociais, vol. 55, n. 1.

MIDDLEBROOK, K. J. 2000. Conservative Parties, the Right, and Democracy in Latin America. Baltimore: Johns Hopkins University Press.

MONTERO, A. 2011. “Inequality and the and decline of conservatives in Brazilian democracy”. Disponível em: http://people.carleton.edu/~amontero/Inequality%20and%20the%20Rise%20and%20Decline%20of%20Conservatives.pdf. Acessado em: 30/03/2016.

O’DONNELL, G.; SCHMITTER, P.; WHITEHEAD, L. (orgs.). 1986. Transitions from Authoritarian Rule: Comparative Perspective. Baltimore: Johns Hopkins University Press.

OLIVEIRA, T.; BENETTI, P. 2014. “As novas direitas sul-americanas: análise das experiências chilena e colombiana”. Observador On-line, v. 99, n. 1.

PANIZZA, F. 2005. “Unarmed utopia revisited: the resurgence of the left-of-centre politics in Latin America”. Political Studies, v. 53, n. 4, pp. 716-734.

PANIZZA, F. 2009. Contemporary Latin America: Development and Democracy Beyond the Washington Consensus. London: Zed Books.

PIERUCCI, A. 1987. “As bases da nova direita”. Novos Estudos CEBRAP, n. 19, pp. 26-45.

POWER, T. 1996. “Elites and Institutions in Conservative Transitions to Democracy: Ex Authoritarians in the Brazilian National Congress”. Studies in Comparative International Development, vol. 31, n. 3, pp. 56-84.

POWER, T. 2000. The political right in postauthoritarian Brazil: elites, institutions, and democratization. University Park: Pennsylvania State University Press.

POWER, T. 2008. “Centering Democracy? Ideological Cleavages and Convergence in the Brazilian Political Class”. In: KINGSTONE, P.; POWER, T. (eds). Democratic Brazil Revisited. University of Pittsburgh: Pittsburgh.

RIBEIRO, R. L. M. 2014. “Decadência longe do poder: refundação e crise do PFL”. Revista de Sociologia e Política, v. 22, n. 49, pp. 5-37.

REID, M. 2007. Forgotten Continent: the battle for Latin America’s soul. New Haven: Yale University Press.

ROBERTS, K. M. 2012. “Democracy, Free Markets, and the Rightist Dilemma in Latin America”. Paper presented at the annual conference of the American Political Science Association, New Orleans, August 30-Sept. 2.

ROMANO, R. 1981. Conservadorismo Romântico. São Paulo: Brasiliense.

ROMANO, R. 1994. “O Pensamento Conservador”. Revista de Sociologia e Política, n. 3, pp. 21-31.

SCOTT, J. 1969. “Corruption, Machine Politics, and Political Change”. American Political Science Review, vol. 63 pp. 1142-58.

SINGER, A. 2002. Esquerda e direita no eleitorado brasileiro: a identificação ideológica nas disputas presidenciais de 1989 e de 1994. São Paulo: EdUSP.

SMITH, P. H.; ZIEGLER, M. R. 2009. “Democracias liberal e iliberal na América Latina”. Opinião Pública, vol. 15, n. 2, pp. 356-385.

SOUZA, M.C.C. 1992. “The Contemporary Faces of the Brazilian Right: An Interpretation of Style and Substance”. In: CHALMERS, D.; SOUZA, M. C. C.; BORON, A. (orgs). The Right and Democracy in Latin America. New York: Praeger.

TATAGIBA, L.; TRINDADE, T.; TEIXEIRA, A. 2015. C. “Protestos à direita no Brasil (2007-2015)”. In: CRUZ, S. V.; KAYSEL, A.; CODAS, G.. Direita, volver!: o retorno da direita e o ciclo político brasileiro. São Paulo: Perseu Abramo.

WEYLAND, K. 2009. “The Rise of Latin America’s Two Lefts Insights”. Comparative Politics, v. 41, n. 2, pp. 145-164.

WIESEHOMEIER, N.; DOYLE, D. 2012. “Attitudes, Ideological Associations and the Left-Right Divide in Latin America”. Journal of Politics in Latin America, vol.3, n.1, pp. 3-33.

Downloads

Publicado

2019-02-13

Como Citar

Fernandes, J. L. M. (2019). Direitas partidárias na América Latina do século XXI. Leviathan (São Paulo), (14), 26-50. https://doi.org/10.11606/issn.2237-4485.lev.2017.147008

Edição

Seção

Dossiê “Direitas latino-americanas no século XXI”