"Seminário Marx", um capítulo brasileiro do marxismo ocidental?

  • Giovanna Henrique Marcelino Universidade de São Paulo (USP)

Resumo

Nos anos 1960, o marxismo passou por um momento de renovação no Brasil, ao servir de base para um conjunto de teses dedicadas à interpretação da sociedade brasileira, entre as quais, aquelas que se desenvolveram a partir do que ficou conhecido como “Seminário Marx”. Um pouco antes, esta tradição também havia passado por uma metamorfose na Europa, processo que resultou na consolidação de uma nova configuração intelectual – posteriormente denominada como Western Marxism– composta por uma geração de teóricos marxistas que se giraram para o trabalho filosófico e perderam o vínculo com a prática política.

Este trabalho visa realizar uma breve meditação acerca da relação de parentesco entre essas duas formas de marxismo: a que se desenvolveu em terras paulistanas e aquela gestada no continente europeu. Para tanto, o centro da análise será problematizar a noção de que o marxismo levado à cabo pelos membros do Seminário representaria “o capítulo brasileiro do marxismo ocidental”, tal como sugerido por alguns autores. Com isso, espera-se refletir sobre a relação entre marxismo ocidental e o Brasil, e o paradoxo que percorre a história do marxismo brasileiro: o de precisar ser universal e particular ao mesmo tempo, tendo em vista o caráter internacional da tradição marxista, bem como a necessidade de adaptar suas formulações às realidades nacionais concretas.

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Publicado
2019-05-07
Como Citar
Marcelino, G. (2019). "Seminário Marx", um capítulo brasileiro do marxismo ocidental?. Leviathan (São Paulo), (15), 122-146. https://doi.org/10.11606/issn.2237-4485.lev.2017.155220
Seção
Dossiê "Crise na América Latina: entre o passado e o futuro"