• Dossiê “Direitas latino-americanas no século XXI” - Parte I
    n. 13 (2016)

    A Revista Leviathan procurou reunir no presente Dossiê artigos que pudessem iluminar diversos aspectos relacionados ao avanço de movimentos, grupos e atores políticos de direita no Brasil e em outros países da América Latina. Devido ao grande interesse que o tema vem suscitando, bem como a qualidade dos trabalhos recebidos, o Dossiê foi dividido em dois números. As pesquisadoras e pesquisadores que integram o primeiro número procuraram realizar uma leitura instigante acerca das possíveis  ambiguidades suscitadas pela atuação de certos grupos e movimentos de direita brasileiros nos últimos anos, considerando seu discurso anti-partidário, analisado por Leticia Baron, e sua intenção em se vincular a uma tradição política liberal, discutida por Otávio Dias de Souza Ferreira; refletir acerca das análises que apontam para uma relação entre o avanço do conservadorismo e as manifestações de Junho de 2013, tema abordado por Pedro Luiz Lima e Mateus Hajime; e, discutir a pertinência da utilização da noção de “direita” para a classificação dos partidos políticos brasileiros atuais, empreitada realizada por Mariani Ferri de Holanda. É com a esperança de que tais trabalhos possam inspirar novas pesquisas e olhares sobre fenômenos tão relevantes que desejamos a todas e todos uma boa leitura!

                                                                                                                   Camila Rocha

                                                                               Organizadora do Dossiê “Direitas latino-americanas no século XXI”

  • Dossiê “Direitas latino-americanas no século XXI” - Parte II
    n. 14 (2017)

    É com muita satisfação que a Revista Leviathan lança o segundo número do Dossiê “Direitas latino-americanas no século XXI”. Devido ao grande interesse que os novos atores e movimentos de direita na América Latina e em outros países vem suscitando, bem como a qualidade dos trabalhos recebidos, o Dossiê foi dividido em duas partes. A segunda parte, na qual consiste esta edição, reúne duas reflexões a respeito dos diversos aspectos da atuação das direitas latino-americanas, um estudo de caso a respeito de um dos países mais importantes do subcontinente, o México, e uma resenha sobre o último livro do historiador Enzo Traverso: “Las nuevas caras de la derecha”.

    Monica Nikolajczuk e Florencia Prego,  a partir de uma revisão bibliográfica acerca dos estudos produzidos sobre as novas direitas latino-americanas, procuram apontar núcleos de dissenso e consenso na literatura tendo em vista a definição de esquerda e direita a partir de uma matriz relacional vis-à-vis a díade igualdade-desigualdade popularizada por Noberto Bobbio; a caracterização dos atores que compõem e representam as novas direitas; e a relação entre direitas e democracia, e ao final avançam uma caracterização das novas direitas problematizando sua “novidade”. A partir de outra revisão bibliográfica acerca do tema, com enfoque nas dinâmicas partidárias, Jean Lucas Macedo Fernandes busca compreender como demandas conservadoras passaram a se expressar em termos partidários tendo em vista o avanço da democratização e as dinâmicas econômicas internacionais recentes, avançando no entendimento de que os partidos conservadores vem se adaptando com sucesso ao jogo democrático. A atuação de atores conservadores também é abordada por Tania Hernández Vincencio a partir da análise do papel desempenhado pelo Colegio de Abogados Católicos na direita mexicana no que tange às disputas interpretativas sobre a questão dos direitos humanos. Finalmente, Florencia Prego resenha a edição em espanhol do livro mais recente publicado por Enzo Traverso no qual o autor procura diferenciar fascismo, de neofascismo e pós-fascismo com o intuito de delimitar melhor o campo de atuação das novas direitas europeias.

    Esperamos que as contribuições aqui reunidas possam auxiliar na reflexão acerca desta temática tão premente e desejamos a todas e todos uma boa leitura!

     

                                                                                         Camila Rocha

                                                Organizadora do Dossiê “Direitas latino-americanas no século XXI”

  • Dossiê "Crise na América Latina: entre o passado e o futuro"
    n. 15 (2017)

    Com o dossiê “Crise na América Latina: entre o passado e o futuro”, a revista Leviathan inaugura a sua seção dedicada à área de pensamento político latino-americano. Trata-se de um passo inovador da revista. Ao incorporar as reflexões dessa área em expansão das pesquisas acadêmicas brasileiras, a Leviathan dá mostras de seu pluralismo de temas, enfoques e métodos. Isso transparece também na origem diversificada dos autores que compõem o dossiê.

    Por outro lado, como temos cotidianamente, a crise na América Latina continua. No Peru, o suicídio do ex-presidente Alan Garcia; na Argentina, a inflação acompanhada de uma política de desinvestimentos sociais do governo de Maurício Macri, responsável por saliente piora no nível de vida de parte significativa da sociedade Argentina; na Venezuela, o embate entre as forças capitaneadas por Nicolás Maduro e pelos oposicionistas Juan Guaidó e Leopoldo López parece mexer em um conflito geopolítico maior, no qual encontramos Rússia e Estados Unidos representando interesses diversos. Por fim, no Brasil, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) se mostra uma combinação perversa entre liberalismo econômico, conservadorismo moral, militarização da vida social, exceção jurídica, obscurantismos de toda sorte e o tradicional familismo típico daquilo que o próprio mandatário acusava de ser a “velha política”.   

    Nos textos que compõem o dossiê, encontramos reflexões sobre a democracia – e o seu antípoda, o fascismo-, sobre as relações entre América Latina e Estados Unidos, sobre as utopias forjadas no debate cultural latino-americano e sobre as tensões que a formação brasileira impõe aos esquemas universalizantes do marxismo. Embora cada um dos artigos trate de temas e objetos específicos, é bastante sugestivo lê-los com os olhos voltados para os desdobramentos políticos do quais estamos diante. Impossível não ter certa sensação de vertigem, como se já tivéssemos os vistos. Um motivo a mais, portanto, para aprofundarmos nossos estudos sobre o pensamento político e social produzido em nosso subcontinente, área especialmente vocacionada para exame da formação e dos desdobramentos da consciência crítica diante desse enigma chamado América Latina.

    Leonardo Octavio Belinelli de Brito

    Rafael Marino