Tema do n. 35/3: Abordagens plurais e Intercompreensão em línguas românicas: reflexões sobre ensino e aprendizagem de línguas e formação de professores

2021-08-03

As diferentes formas de se informar, comunicar e interagir em línguas estrangeiras nos dias de hoje são reflexo de um processo intenso de transformações da sociedade, ocorridas em diferentes esferas (social, cultural, econômica, política, educacional), cujas consequências se fazem sentir tanto no âmbito do indivíduo quanto do(s) grupo(s) ao(s) qual(is) está vinculado. Essas transformações têm um impacto especialmente significativo na esfera educacional, incluindo todas as etapas da vida escolar e, sobretudo, as universidades, nas quais as reflexões e os questionamentos sobre a formação e as ações de ensinar e aprender estão presentes no cotidiano de alunos e professores. No que se refere às línguas, a necessidade de se repensar os currículos, as abordagens metodológicas e a formação dos discentes e dos futuros professores é cada vez mais urgente. Algumas questões com as quais professores, alunos e pesquisadores estão se deparando no dia-a-dia são: Que competências e conteúdos curriculares devem ser considerados indispensáveis hoje? Que habilidades o/a professor/a necessita desenvolver tanto para atuar na educação básica quanto no meio universitário? Quais saberes deve acessar para dar conta da contemporaneidade?

O contexto é particularmente complexo, pois nele convivem, apenas para citar alguns exemplos:

(a) de um lado, o mito do país monolíngue (Capucho & Silva, 2014) e, de outro, a ampliação do ensino da língua brasileira de sinais (LIBRAS) e do ensino de português língua estrangeira (PLE) para alunos indígenas na universidade;

(b) em âmbito acadêmico, de um lado, o paradigma de uma educação linguística que entende a internacionalização universitária como ensino de conteúdos das várias áreas do conhecimento em inglês e, de outro, iniciativas que promovem a democratização do acesso ao conhecimento através de programas de mobilidade acadêmica que incentivam uma abertura para o contato com outras línguas e culturas;

(c) de um lado, uma política linguística que restringe o ensino de língua estrangeira na educação básica ao inglês e, de outro, a presença crescente de alunos indígenas e imigrantes (inclusive não anglófonos e não proficientes nem em português nem inglês) matriculados, por direito, nas escolas públicas brasileiras;

(d) e ainda a multiplicação de espaços de informação e comunicação em várias línguas devido aos avanços tecnológicos que se fazem presentes no dia a dia de cada um dos indivíduos.

Considerando esse cenário de múltiplas demandas relacionadas ao ensino de línguas na contemporaneidade, este volume se abre a reflexões em torno das seguintes temáticas gerais:

  1. Políticas Linguísticas plurilíngues 
  2. Educação linguística bi- e plurilíngue 
  3. Abordagens plurais
  4. Intercompreensão em Línguas românicas
  5. Plurilinguismo e ensino de línguas estrangeiras
  6. Ensino plurilíngue e formação de professores
  7. Ensino plurilíngue e tecnologias

Calendário: 

Envio de trabalhos: de 01 de agosto de 2021 a 1 de março de 2022

Publicação do volume: dezembro de 2022

Editoras convidadas:

Elisabetta Santoro (USP)

Heloísa Brito de Albuquerque Costa (USP)

Mônica Ferreira Mayrink O'Kuinghttons (USP)