Dossiê temático 36/1: Toponímia, seus caminhos: Tradição e inovação no estudo dos nomes de lugares

2022-03-15

Os estudos em toponímia encontram-se, no século XXI, em uma encruzilhada entre tradição e inovação. A tradição originada no século XIX pressupõe a análise linguística de nomes de lugares em todos os seus processos morfológicos, sintáticos, semânticos, fonéticos, entre outros. Foi a partir dela que nasceu a toponímia na Universidade de São Paulo, em 1939. Embora a língua seja o foco/locus das análises, o não linguístico ou extralinguístico impunha-se, desde sempre, como elemento obrigatório em uma análise exaustiva e de cunho holístico. 

Ainda hoje, no século XXI, essa necessária articulação não é completamente compreendida e nem sempre alcançada pelo pesquisador, talvez pela peculiar formação interdisciplinar necessária ao bom toponimista (SALAZAR-QUIJADA, 1985). Cientistas de outras áreas de Humanidades que não a linguística apontavam, já no final do século XX, a necessidade de se observar o fenômeno toponímico com outros olhos. Despontou, assim, a toponímia crítica e a interpretação da língua, em geral, e dos nomes próprios, em específico, como instrumentos ideológicos e ferramentas de poder.

Embora não se excluam estudos de caráter aplicado, este número temático está aberto a contribuições de estudos toponímicos preferencialmente de cunho teórico e metodológico que dialoguem sobre essa articulação entre linguístico e não linguístico no âmbito das pesquisas em toponímia. Também são bem-vindos artigos, resenhas e traduções que apresentem iniciativas e projetos inovadores no que concerne ao tratamento e análise de corpora de nomes geográficos, seja em seu termo genérico ou específico. Serão aceitas contribuições não apenas com relação aos nomes de lugares no Brasil, mas também referentes a outros lugares ‒ inclusive não lusófonos. Assim, pretende-se, com este número temático e comemorativo dos oitenta e cinco anos de estudos toponímicos na Universidade de São Paulo, ampliar o escopo teórico e metodológico a respeito dos nomes próprios de lugares para articular tradição e inovação, o que se faz desejável nesse início de século. 

A Linha D’Água aceita trabalhos de doutores e/ou doutorandos, além de trabalhos de mestres, mestrandos, graduados e ou graduandos em coautoria com doutores e/ou doutorandos. Os artigos podem ser submetidos em português, inglês, francês ou espanhol.

Prazo de submissão prorrogado: 30 de setembro de 2022.

Previsão de publicação: abril de 2023.

Para acessar as normas para submissão, clique em https://www.revistas.usp.br/linhadagua/about/submissions

Editores convidados/as:

Profa. Dra. Patricia Carvalhinhos (USP)

Prof. Dr. Cézar Alexandre Neri Santos (UFAL)

Profa. Ma. Adriana Tavares Lima (USP)