Editorial

  • Ana Lúcia Tinoco Cabral Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo
  • Maria Inês Batista Campos Universidade de São Paulo

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Biografia do Autor

Maria Inês Batista Campos, Universidade de São Paulo
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Depto de Letras Clássicas e Vernáculas - Área de Filologia e Língua Portuguesa
Publicado
2015-06-30
Como Citar
Cabral, A. L., & Campos, M. I. (2015). Editorial. Linha D’Água, 28(1), 1-3. https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v28i1p1-3
Seção
Editorial

Linha d'Água dedica este número ao tema "Tecnologias digitais no ensino de Língua Portuguesa". Pensar o ensino de Língua Portuguesa em sua interface com as tecnologias digitais é inserir-se na agenda da pesquisa linguística do século XXI. e alinhar-se com as questões que permeiam as práticas educativas que direcionam os sujeitos para o exercício da cidadania na sociedade atual.

A constante evolução tecnológica desse século, aliada ao seu acesso mais extensivo, transformou radicalmente as relações humanas; as tecnologias digitais se infiltram na vida individual, social e coletiva, rompendo espaços e redimensionando o tempo. O ser humano está conectado 24 horas; aqui e já não existem mais; todos se sentem presentes com os vários canais de comunicação como Skype, Whatshapp, Facetime, Facebook, Tweet, todos estão ligados ao Google e a muitas outras mídias sociais criadas diariamente no Vale do Silício.

Nesse contexto, os saberes ultrapassam o domínio das instituições escolares e passam a invadir as esferas sociais mais amplas de atividades públicas e privadas. Essas transformações modificaram radicalmente a forma de agir na sociedade e as formas de construir conhecimentos, o que nos obriga, como pesquisadores e professores, a refletir sobre as contribuições que as tecnologias digitais podem trazer ao ensino de Língua Portuguesa.

Os artigos e a resenha que se encontram nesta edição de Linha D'Água trazem uma contribuição acadêmica significativa do que se pesquisa na universidade em torno do tema. As tecnologias digitais nos remetem a diferentes eixos de conhecimento e pesquisa; podemos destacar, entre eles, a interdisciplinaridade, as múltiplas linguagens, os processos educativos a distância e as redes sociais. Os textos apresentados nesta edição de Linha D'Água contemplam esses matizes. Responderam ao tema proposto 18 pesquisadores de 13 instituições de diversos estados brasileiros (PA, PE, PB, SP, PR,RS).

Comprovando a diversidade de interfaces que as tecnologias da informação abrem para o ensino de língua portuguesa, dois artigos propõem o diálogo com o ensino de matemática, marcando a interdisciplinaridade.

Crescitelli e Campos, de forma mais ampla, observam a estrutura socioretórica de homepages em disciplinas do curso de graduação em Matemática, para, a partir dessa análise, que observa o funcionamento do gênero, contribuírem para o contexto do ensino.

Propondo um diálogo específico entre matemática, lógica e língua portuguesa, Guaranha e Bortolete, cientes da importância dessas disciplinas para o ensino da linguagem computacional, objeto de estudos nos cursos tecnológicos em que atuam, apresentam uma análise de um método de leitura de um texto verbal, decompondo-o em proposições e encadeando-as em expressões lógicas.

Contemplando as redes sociais como espaço estratégico de interação e lugar também para o ensino, três textos têm como corpus ferramentas e gêneros oriundos das redes sociais.

Aquino e Dioguardi tratam do tweet, um gênero ainda pouco estudado em sala de aula; as autoras descrevem sua aplicabilidade na apreensão dos "gêneros da ordem do argumentar".

Pereira dedica-se ao facebook, focalizando a dinâmica interacional instaurada com a sua utilização como plataforma de ensino; discute os resultados de projeto realizado na graduação em Letras-Português da Universidade Federal do Pará.

Almeida, Nascimento e Xavier apresentam uma pesquisa-ação, de caráter interdisciplinar sobre jornalismo digital, na qual se desenvolveram ações de construção do conhecimento político, mediante a leitura e reflexão de portais jornalísticos do Estado da Paraíba, e a criação de um blog no qual se trabalhou a produção textual com alunos de ensino médio de escola pública.

Outros três trabalhos abordam as práticas educativas a distância.

O texto de Pereira relata pesquisa que compreendeu a realização de trabalho cooperativo em torno de ações de ensino voltadas para a produção de materiais virtuais de leitura para alunos de 7ª série do EF, o desenvolvimento de oficinas com esses materiais para esse público, a verificação dos benefícios para o desenvolvimento da compreensão leitora dos alunos e a aprendizagem de conhecimentos linguísticos textuais e a geração de um e-book para uso por professores.

Stutz e Cacilho analisam atividades de leitura e escrita em apostila adotada por uma escola da região central do Paraná, refletindo sobre as propostas de ensino subjacentes ao material. O arcabouço teórico-metodológico é do interacionismo sociodiscursivo com o conceito de gêneros textuais, as noções de capacidades de linguagem e macroestrutura, as noções de gêneros digitais e de material apostilado.

Marquesi e Silveira tratam do ensino de Língua Portuguesa, em uma abordagem que relaciona princípios teóricos das Metodologias Ativas de Aprendizagem e da Análise Textual dos Discursos; discutem uma unidade de ensino ministrada na modalidade a distância em curso de Graduação.

Silva reflete sobre os possíveis diálogos entre discurso, mídia e ensino, defendendo que se devem trazer para a sala de aula as diferentes linguagens, a fim de favorecer o desenvolvimento de competências e habilidades de leitura e de produção dos diferentes discursos que permeiam a sociedade contemporânea. Suas reflexões sobre as interfaces entre discurso, mídia e ensino o conduzem a defender que a inserção das mídias nos diferentes suportes torna o ensino-aprendizagem mais significativo para os sujeitos envolvidos.

Masip defende a importância de se refletir sobre os sons do português, e lembra a necessidade de se usarem os recursos que a tecnologia coloca ao nosso dispor, destacando, sobretudo, os laboratórios fonéticos. Propõe, em seu artigo, um modelo, em duas fases, que pode ser usado como suporte para o ensino da língua portuguesa a nativos e a estrangeiros, além de representar importante instrumento de pesquisa capaz de detalhar o registro dos sons, seus traços segmentais e prosódicos.

A resenha apresenta a obra organizada por Ana Lucia Tinoco Cabral, Jean-Luc Minel e Sueli Cristina Marquesi. Leitura, escrita e tecnologias da informação traz textos de vários pesquisadores que se dedicam tanto à reflexão em torno da relação entre leitura, escrita e tecnologias da informação, quanto ao emprego de tecnologias nas práticas de leitura e escrita. Como bem destaca a resenhadora Gebara: "Este livro situa as tecnologias presentes hodiernamente dentro de um quadro maior: das reflexões sobre os processos de leitura e escrita (...)".

Junho 2015