As cinzas e a poética do fantástico obsessivo: considerações sobre o conto “O homem do boné cinzento”, de Murilo Rubião

Autores

  • Rita de Cássia Silva Dionísio Santos Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-9826.literartes.2016.115185

Palavras-chave:

Murilo Rubião, O homem do boné cinzento, fantástico obsessivo.

Resumo

Considerado precursor da narrativa fantástica no Brasil, o escritor Murilo Rubião (1916-1991), de Minas Gerais, declara que todos os seus contos estão intimamente ligados às histórias lidas e ouvidas na infância, as quais, recriadas e contadas pela babá, apresentavam aspectos do estranho. Este artigo apresenta uma análise da narrativa “O homem do boné cinzento”, em seus aspectos estéticos e semânticos, na perspectiva do que consideramos como uma poética do fantástico obsessivo: a constante e excessiva preocupação de um personagem em observar, sem o devido consentimento, um vizinho em sua doentia privacidade, e a forma como essa prática contamina o observador, a ponto de transformar-lhe, radicalmente, a natureza.

Biografia do Autor

Rita de Cássia Silva Dionísio Santos, Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES

Doutora em Literatura (UnB); Mestre em Letras: Estudos Literários (UFMG). Professora da Graduação em Letras e dos Programas de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários e Mestrado Profissional em Letras da Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES. Membro do GT Vertentes do Insólito Ficcional da ANPOLL.

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Publicado

2016-12-27

Como Citar

SANTOS, R. de C. S. D. As cinzas e a poética do fantástico obsessivo: considerações sobre o conto “O homem do boné cinzento”, de Murilo Rubião. Literartes, [S. l.], n. 6, p. 71-86, 2016. DOI: 10.11606/issn.2316-9826.literartes.2016.115185. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/literartes/article/view/115185. Acesso em: 31 jul. 2021.