Tengo miedo torero, de Pedro Lemebel: pasodoble e melodrama

  • Laura Janina Hosiasson Universidade de São Paulo (USP)
Palavras-chave: Romance chileno, ditadura chilena, melodrama e literatura

Resumo

Nos anos 80, Pedro Lemebel surgia no Chile como uma extravagância, como uma brincadeira licenciosa e imoral que se deixava abater sobre um meio social, cultural e politicamente estreitado. No espaço minado da ditadura, as performances, os programas de rádio e as crônicas foram as armas com as quais Lemebel exerceu sua política de resistência. Se no deboche dos espetáculos de Las Yeguas del Apocalipse (1987-1993), a denúncia do constrangimento político e sexual se propunha de uma maneira teatralizada, na escrita ela irá acolher uma diversidade de perspectivas pelas quais o problema se constrói no cainho de uma revisão histórica. Neste seu único romance, Tengo miedo torero (2001), a ditadura militar é penetrada pelo prisma do olhar periférico e marginal de um velho homossexual travesti. Lemebel convoca o expediente do cancioneiro musical do radinho de pilha da sua infância para combiná-lo acertadamente com o ritmo de melodrama. O resultado aponta para um binarismo antitético, preto no branco.

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Biografia do Autor

Laura Janina Hosiasson, Universidade de São Paulo (USP)

Laura Janina Hosiasson é livre-docente pela USP, onde leciona Literatura Hispano-americana. Autora do livro Nação e Imaginação na Guerra do Pacífico (2012), traduziu o peruano Julio Ramón Ribeyro (2007) e a chilena María Luisa Bombal (2013). Tem publicado numerosos capítulos em livros e artigos em revistas especializadas. Atualmente, prepara um livro sobre o escritor chileno, Alberto Blest Gana (1830-1920).

Publicado
2019-09-19
Como Citar
Hosiasson, L. (2019). Tengo miedo torero, de Pedro Lemebel: pasodoble e melodrama. Literatura E Sociedade, 24(29), 141-149. https://doi.org/10.11606/issn.2237-1184.v0i29p141-149
Seção
Dossiê