Reverberações de Hiroshima em Marguerite Duras: a (geo)política a partir do corpo

Autores

  • Maurício Ayer Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2237-1184.v0i31p67-85

Palavras-chave:

Hiroshima mon amour, corpo e lugar, corpo e política, o nome próprio

Resumo

Alain Resnais e Marguerite Duras situam as narrativas de Hiroshima mon amour no exato ponto em que corpo e (geo)política se chocam. Ao fazê-lo, reúnem um conjunto de elementos que reaparecerá, total ou parcialmente, em obras de Duras: o amor fulminante; sua interrupção violenta, a provocar a dor e a loucura; neste arrebatamento lírico, a personagem e o lugar misturam-se a ponto de intercambiar um mesmo nome próprio; finalmente, o reencontro com a dor e o amor torna-se possível a partir do contato com os rastros deixadas no lugar e /ou no corpo. Neste artigo, procura-se mostrar como estes elementos reaparecem em obras como India Song (1973/1975) e Césarée (1979).

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Biografia do Autor

Maurício Ayer, Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil

Leciona literatura francesa no Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, é autor de A música do fim do mundo: orquestrações de literatura, teatro e cinema em Marguerite Duras (crítica, 2020), A cidade além das margens (poesia, 2018), Olhares sobre Marguerite Duras (crítica, 2014), coorganizado com Cristina Kuntz, e de Música nas Montanhas: 40 anos do Festival de Campos do Jordão (reportagem histórica, 2009), com Camila Frésca.

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Publicado

2020-11-27

Como Citar

Ayer, M. (2020). Reverberações de Hiroshima em Marguerite Duras: a (geo)política a partir do corpo. Literatura E Sociedade, 25(31), 67-85. https://doi.org/10.11606/issn.2237-1184.v0i31p67-85