A FALA ESVAZIADA EM NELSON RODRIGUES

Autores

  • Leyla Perrone-Moisés Universidade de São Paulo (USP)

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2237-1184.v0i10p46-55

Palavras-chave:

Diálogo, atos de linguagem, fala vazia, fala esvaziada.

Resumo

Não há nada a interpretar nas obras de Nelson Rodrigues, porque nelas não há recalques, substituições inconscientes ou atos falhos. Está tudo feito e dito, até mesmo a apreciação geral da trama, que se encontra no próprio texto de Álbum de família: “São resultados da educação patriarcal”. A proposta deste artigo não é, portanto, analisar o autor, as personagens, suas relações psicológicas e seus atos, mas certo tipo de diálogo recorrente na obra. São diálogos reduzidos ao mínimo e sempre inconclusivos. Eles se apresentam sob seis modalidades: 1 perguntar; 2 tergiversar; 3 duvidar; 4 jurar; 5 confessar; 6 pedir perdão. Esses verbos são performativos, isto é, verbos que realizam uma ação e encerram seu sentido no próprio ato de enunciação. Não têm referente na realidade, são apenas atos de linguagem. Como são diálogos artísticos, não se trata de uma fala vazia (neurose), mas de uma fala esvaziada.

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Publicado

2007-12-06

Como Citar

Perrone-Moisés, L. (2007). A FALA ESVAZIADA EM NELSON RODRIGUES. Literatura E Sociedade, 12(10), 46-55. https://doi.org/10.11606/issn.2237-1184.v0i10p46-55

Edição

Seção

Ensaios