Uma (in)versão da história do brasil:

a queda do céu, de Davi Kopenawa e Bruce Albert

  • Suene Honorato Universidade Federal do Ceará (UFC)
Palavras-chave: história do Brasil, história indígena, Davi Kopenawa

Resumo

Os livros de história do Brasil se iniciam com a narrativa do descobrimento, seguida do genocídio cometido contra populações indígenas. Tal sequência indica o apego à força da escrita em oposição à oralidade e legitima a posse da terra pelo colonizador. Conhecendo a primazia da escrita no mundo dos brancos, Davi Kopenawa solicita que suas palavras sejam registradas pelo antropólogo Bruce Albert, processo que resultou no livro A queda do céu. Embora, para o xamã, a escrita seja a prova de que o pensamento do branco é “cheio de esquecimento”, por meio dela Kopenawa alerta para o direito à existência da cultura e modos de vida do seu povo. Se lermos o livro como versão possível da história do Brasil, em que o índio é sujeito e não vítima do processo histórico, talvez possamos inverter certos pressupostos da cultura escrita e impedir que a História, com H maiúsculo, continue se repetindo.

Biografia do Autor

Suene Honorato, Universidade Federal do Ceará (UFC)

Professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), no curso de Letras, Campus Universitário do Benfica, Fortaleza. Bacharel em Literatura pela Universidade Federal de Goiás (2002), mestre em Letras e Lingüística pela Universidade Federal de Goiás (2006) e doutora em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas. Trabalho especialmente com poesia brasileira moderna e contemporânea. Atualmente, venho desenvolvendo pesquisa sobre a representação do índio na literatura brasileira.

Publicado
2018-12-27
Como Citar
Honorato, S. (2018). Uma (in)versão da história do brasil:. Magma, (14), 17-27. https://doi.org/10.11606/issn.2448-1769.mag.2018.153630
Seção
Abertura