Schwarz lê Brecht

Autores

  • Lindberg Campos Filho Universidade de São Paulo (USP)

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2448-1769.mag.2019.173825

Palavras-chave:

Roberto Schwarz, Bertolt Brecht, Teatro épico, Didatismo, Dialética

Resumo

É possível dizer que há uma mudança considerável na leitura que Roberto Schwarz faz de Bertolt Brecht. Se por um lado seu comentário – por ocasião da tradução de A Santa Joana dos matadouros – é determinado por uma admiração estética e intelectual em relação à obra do dramaturgo, por outro lado o tom de seu provocativo ensaio – “Altos e baixos da atualidade de Brecht”– é mais crítico e até, em certo modo, pessimista a respeito das potencialidades abertas pela insistência contemporânea nos procedimentos do teatro épico brechtiano devido, sobretudo, às suas correspondentes transformações em “artigos de consumo” em meio à extinção do antigo movimento operário e da era das revoluções, bem como ao fato do capitalismo ter supostamente se tornado um fator dinâmico. É nesse sentido que essa reflexão visa recuperar os argumentos desenvolvidos nesses dois textos e propor e delimitar ao menos dois momentos da leitura que Schwarz faz de Brecht, levando em consideração sua explicação fundamental para tal metamorfose – a ausência de um referente de revolução social que conferisse fôlego e sentido às teorias e ao teatro brechtianos.

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Biografia do Autor

Lindberg Campos Filho, Universidade de São Paulo (USP)

Lindberg Campos Filho é graduado em letras - com habilitação em português e inglês - na Universidade de São Paulo (USP), mestre em letras no programa de pós-graduação em estudos linguísticos e literários em inglês da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/USP) e atualmente é doutorando no mesmo programa. Foi pesquisador visitante no departamento de literatura do King's College London em 2014 e no Institute for Critical Theory da Duke University durante o primeiro semestre de 2018. Tem experiência na área de letras e estudos de cultura, com ênfase em literaturas de língua inglesa e literatura brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: arte moderna, teoria do romance, cultura política e engajamento, dialética marxista e crítica materialista.

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Publicado

2019-12-27

Como Citar

Campos Filho, L. (2019). Schwarz lê Brecht. Magma, 26(15), 67-91. https://doi.org/10.11606/issn.2448-1769.mag.2019.173825

Edição

Seção

Artigos