Mare nostrum, mare alienun

identidade, epistemologia e a imaginação flusseriana dos fluxos

Palavras-chave: Vilém Flusser, Identidade, Ficção, Imaginário marinho

Resumo

O tema da identidade e seus desdobramentos na cultura digital têm emergido de forma relativamente marginal nos estudos de comunicação brasileiros. Este artigo propõe explorar determinados aspectos do pensamento de Vilém Flusser a respeito de identidade e alteridade na contemporaneidade. Ao mesmo tempo, propõe-se a realizar uma leitura do imaginário dos fluxos e da liquidez que, segundo cremos, atravessa parte da obra flusseriana e encontra expressão máxima em Vampyroteuthis Infernalis. Na filosofia da ficção de Flusser, é elaborada uma ética da relação com a alteridade, que se funda no ato imaginativo de tomadas de ponto de vista e identificação com o outro. Tal ética encontra ressonância em proposições recentes nos campos da teoria cultural e da filosofia.

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Biografia do Autor

Erick Felinto, Universidade Estadual do Rio de Janeiro

ossui graduação em Comunicação Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1990), Mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1993), Especialização (ABD) pela Universidade da California, Los Angeles em Línguas e Literaturas Românicas (1997) e doutorado em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1998), além de ter realizado estágio de Pós-Doutoramento Sênior na Universität der Künste Berlin sobre Teorias da Mídia alemães (2010-2011). É autor dos livros "A Religião das Máquinas: Ensaios sobre o Imaginário da Cibercultura" (Sulina, 2005), "Passeando no Labirinto: Textos sobre as Tecnologias e Materialidades da Comunicação" (EDIPUCRS, 2006), "Silêncio de Deus, Silêncio dos Homens: Babel e a Sobrevivência do Sagrado na Literatura Moderna" (Sulina, 2008), "A Imagem Espectral: Comunicação, Cinema e Fantasmagoria Tecnológica" (Ateliê Editorial, 2008), "Avatar: o Futuro do Cinema e a Ecologia das Imagens Digitais" (com Ivana Bentes: Sulina, 2010) e "O Explorador de Abismos: Vilém Flusser e o Pós-Humanismo" (com Lúcia Santaella: Paulus, 2012). Atualmente é pesquisador do CNPq e Professor Associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde leciona no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. Também é professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura da UFF. Foi Presidente da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação (COMPÓS) no biênio 2007-2009, é membro fundador da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura (ABCIBER), na qual exerceu ainda o cargo de Diretor Científico (de 2009 a 2014) e foi membro do Conselho Científico da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema (SOCINE) entre 2005 e 2009 e, novamente, de 2014 a 2016. Atuou como coordenador do NP "Tecnologias da Informação e Comunicação" da Sociedade Brasileira de Ciências da Comunicação (INTERCOM) no biênio 2006-2008 e do GT "Comunicação e Cibercultura" da Compós no biênio 2011-2013. Trabalhou como parceiro da Universität der Künste Berlin, sob a supervisão de Siegfried Zielinski, na produção do DVD "We Shall Survive in the Memory of Others", contendo as últimas entrevistas dadas pelo filósofo Vilém Flusser, bem como na elaboração do Dicionário Vilém Flusser (Flusseriana), publicado na Alemanha em 2015. Além disso, pertence ao Conselho Editorial da coleção "Cibercultura", da Editora Sulina, e é Conselheiro da EDUERJ (Editora da UERJ). Em 2014 foi convidado e passou a integrar, também, o Conselho Editorial da coleção "Recursions", da Amsterdam University Press (AUP). Foi presidente e organizador principal do Simpósio Internacional "A Vida Secreta dos Objetos: Medialidades, Materialidades, Temporalidades", realizado no Rio de Janeiro e mais três capitais brasileiras em agosto de 2012.

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Publicado
2018-12-26
Como Citar
Felinto, E. (2018). Mare nostrum, mare alienun. MATRIZes, 12(3), 45-58. https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v12i3p45-58
Seção
Dossiê