Deformações da interioridade

marcas expressionistas em o lustre, de Clarice Lispector

Autores

  • Mariangela Alonso Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2019.159775

Palavras-chave:

Expressionismo, Grotesco, Clarice Lispector, O lustre

Resumo

A arte expressionista realiza-se por meio da tendência à deformação dos aspectos naturais da realidade como forma de traduzir de modo subjetivo o indivíduo e o cenário que o cerca, reivindicando, assim, a presença dos sentimentos em oposição à representação objetiva. As questões suscitadas pela estética expressionista não deixaram de se fazer sentir na escrita de O lustre (1946), segundo romance de Clarice Lispector, cujas confluências remetem a traços do grotesco. O plano discursivo desta narrativa revela-se cruzado, demorado e interrompido a todo o momento por reflexões e miragens da personagem Virgínia. Nesse contexto, o objetivo deste artigo é focalizar marcas da estética expressionista como força dissonante da ficção de Clarice Lispector.

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Biografia do Autor

Mariangela Alonso, Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)

Doutora em Estudos Literários pela UNESP, campus de Araraquara-SP, com período sanduíche na universite Sorbonne, Paris IV. Pós-doutora em Literatura Brasileira pela USP. É autora dos livros Instantes líricos de revelação: a narrativa poética em Clarice Lispector (Annablume, 2013) e O jogo de espelhos na ficção de Clarice Lispector (Annablume, 2017).

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Publicado

2019-12-27

Como Citar

Alonso, M. (2019). Deformações da interioridade: marcas expressionistas em o lustre, de Clarice Lispector. Opiniães, (15), 213-234. https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2019.159775