Convocatória - Dossiê 32: "Formação nos cursos superiores de Relações Públicas e Comunicação Organizacional: práticas pedagógicas emergentes no processo ensino-aprendizagem"

2019-11-11

N.32 – Janeiro a abril de 2020

Dossiê temático"Formação nos cursos superiores de Relações Públicas e Comunicação Organizacional: práticas pedagógicas emergentes no processo ensino-aprendizagem"

 

A formação superior no Brasil tem sido influenciada nos últimos 20 anos por concepções educacionais globais, derivadas do alinhamento a políticas adotadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pelo Processo de Bolonha. Referenciais contemporâneos de competitividade, mobilidade e empregabilidade, presentes nos documentos relativos a discussões empreendidas nessas instâncias, incentivaram a flexibilização dos currículos de cursos de graduação brasileiros.

Para isso, começaram a ser indicadas diretrizes curriculares que acabaram com os antigos currículos mínimos, antes responsáveis por detalhar as disciplinas a serem ofertadas obrigatoriamente pelos cursos de graduação. Com a introdução das diretrizes, o que se tem agora são referências de como cada instituição de educação superior (IES) deve organizar os projetos pedagógicos dos seus cursos.

Nesses documentos, permite-se a escolha dos conteúdos de acordo com o perfil do egresso pretendido, entre outras possibilidades, para atender demandas locais ou regionais. A perspectiva contemporânea é da elaboração de projetos baseados na integração da teoria com a prática e na interdisciplinaridade para alcançar uma formação processual e contínua.

As atuais diretrizes curriculares indicam a formação de um profissional autônomo, flexível, que possa enfrentar situações desafiadoras e apto às mudanças desejadas pela sociedade. Os documentos explicitam o perfil do egresso por competências, orientam sobre as atividades complementares e a duração dos cursos em termos de carga horária.

Os cenários de mudança sociolaborais influenciam a educação em relação à superação da fragmentação disciplinar, do direcionamento do foco à aprendizagem do estudante e à presença constante da tecnologia no espaço educacional. São perspectivas emergentes apoiadas em um perfil geracional diferenciado de estudantes, que exige outra postura docente.

O estudante contemporâneo está exposto a um novo panorama, no qual a ética corporativa, as competências profissionais relacionadas à sua função e o uso permanente da tecnologia são características reforçadas diante das vulnerabilidades, principalmente as vividas no Brasil nos últimos anos.

Valores como cidadania, diversidade, solidariedade e sustentabilidade, alinhados à visão crítica e reflexiva sobre a prática, aparecem nas propostas educacionais emergentes e no objetivo de formação de cursos superiores no contexto das competências, tendo como bases a aprendizagem ativa, a interação disciplinar e a valorização das experiências além da sala de aula.

Esse redimensionamento implica trabalhar com práticas pedagógicas diferenciadas e outros métodos de ensino-aprendizagem, como jogos e simulações, mapas conceituais, sala de aula invertida, visitas técnicas, educação híbrida, resolução de problemas. Não corresponde a um aprendizado mecânico, mas à participação ativa no processo de construção do conhecimento. 

Diante desse horizonte, vale destacar a implantação das últimas diretrizes curriculares para os cursos de Relações Públicas, que também tiveram um papel importante na definição de competências profissionais, práticas de estágio obrigatórias e conteúdos específicos na formação dos relações-públicas no Brasil.

Apesar das inovações trazidas pelas diretrizes, é preciso deter o olhar para questões que vão além de atender a demandas do mundo do trabalho como: Até que ponto as IES estão sensíveis à necessidade de imprimir transformações substantivas à educação do século 21? Quais são as novas relações que os estudantes devem ter com o saber? Como criar condições que favoreçam a aprendizagem dos estudantes? As IES devem se limitar à formação específica dos cursos de Relações Públicas e Comunicação Organizacional? Quais são as novas responsabilidades dos docentes e discentes nos cursos de Relações Públicas e Comunicação Organizacional? 

Respostas a essas e outras questões sobre a formação do estudante de Relações Públicas e Comunicação Organizacional é o que se quer entregar aos leitores no presente dossiê. 

São bem-vindas as experiências sobre temas relacionados ao ensino, aprendizagem, metodologias e novas propostas curriculares contemporâneas para os cursos de Relações Públicas e Comunicação Organizacional. Assuntos como as competências nos cursos de Relações Públicas e Comunicação Organizacional, o perfil dos egressos, a adoção de práticas pedagógicas emergentes e métodos diferenciados à aprendizagem são os temas esperados para esta edição.

 

Convidamos os pesquisadores e acadêmicos a colaborar como dossiê “Formação nos cursos superiores de Relações Públicas e Comunicação Organizacional: práticas pedagógicas emergentes no processo ensino-aprendizagem” por meio de artigos científicos inéditos, pesquisas e resenhas de livros.

 Normas para submissão de artigos: http://www.revistas.usp.br/organicom/about/submissions

 

Data limite para o envio: 16 de fevereiro de 2020.

 

Coordenadoras:

Maria Aparecida Ferrari - maferrar@usp.br

Cláudia Peixoto de Moura - cpmoura@pucrs.br 

Juliane Martins -