Diversidade ou manutenção de estruturas de poder? Reflexões sobre a comunicação organizacional do MMFDH

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2238-2593.organicom.2022.195360

Palavras-chave:

Comunicação organizacional, Comunicação pública, Diversidade, Ministério da mulher, da família e dos direitos humanos

Resumo

Este artigo busca compreender como o discurso organizacional do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, por meio de sua produção publicitária, faz emergir vestígios da comunicação interna da administração ministerial, a partir de estratégias de abordagem da diversidade na comunicação das secretarias. A metodologia é uma pesquisa exploratória que mapeou campanhas implementadas na primeira metade da gestão bolsonarista. A presença pontual de pessoas diversas não significa mudança sistemática da comunicação, tampouco da gestão organizacional.

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Biografia do Autor

  • Tamires Ferreira Coêlho, Universidade Federal de Mato Grosso

    Doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Professora adjunta do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Vice coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMT. Líder do Grupo de Pesquisa em Comunicação, Política e Cidadania (Ciclo-UFMT).

  • Isabella Szabor Machado Mustafé, Universidade Federal de Goiás

    Mestranda em Comunicação, Cultura e Cidadania na Universidade Federal de Goiás (UFG). Graduada em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela UFG. Membro do Grupo de Pesquisa em Comunicação, Política e Cidadania da Universidade Federal de Mato Grosso (Ciclo-UFMT). Bolsista com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) – Código de Financiamento 001.

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Publicado

2022-11-18

Como Citar

COÊLHO, Tamires Ferreira; MUSTAFÉ, Isabella Szabor Machado. Diversidade ou manutenção de estruturas de poder? Reflexões sobre a comunicação organizacional do MMFDH: . Organicom, São Paulo, Brasil, v. 19, n. 38, p. 106–122, 2022. DOI: 10.11606/issn.2238-2593.organicom.2022.195360. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/organicom/article/view/195360.. Acesso em: 21 jul. 2024.