A língua alemã como marcador de identidade étnica em Pomerode

  • Paulo Maltzahn Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão, Departamento de Língua e Literatura estrangeiras
Palavras-chave: Língua alemã, identidade étnica, Pomerode, História Oral.

Resumo

Este trabalho analisa a língua alemã como marcador de identidade étnica teutobrasileira na cidade de Pomerode (SC) entre a década de 1980 e os dias atuais através de histórias de vida, isto é, de relatos que os teuto-brasileiros fizeram de sua vida pessoal e social. Para essa compreensão investiga-se os sentidos atribuídos pelos depoentes à lingua no que diz respeito ao seu aspecto objetivo e subjetivo. A pesquisa encontra-se apoiada na teoria da etnicidade relacional e em estudos sobre identidade étnico-cultural e na metodologia de História Oral. A língua alemã em Pomerode é, de um lado, vivenciada individualmente e, de outro lado, compartilhada no coletivo étnico e está relacionada à produção de sentidos que cada depoente vivenciou na família e na comunidade étnica, o que caracteriza permanência e transformação do papel dessa língua e uma negociação de sentidos individuais e coletivos. A redefinição do papel da língua alemã em Pomerode está associada, por um lado, ao próprio grupo étnico, ou seja, a autocompreensão de sua identidade étnica e, por outro lado, à mercantilização da identidade, ou seja, à instrumentalização da língua.

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Publicado
2017-11-23
Como Citar
Maltzahn, P. (2017). A língua alemã como marcador de identidade étnica em Pomerode. Pandaemonium Germanicum, 21(33), 113-135. https://doi.org/10.11606/1982-88372133113
Seção
Artigos

1 Introdução

Neste trabalho analisamos a língua alemã como marcador de identidade étnica teuto-brasileira no município de Pomerode (SC) - década de 1980 aos dias atuais - através de relatos que os teuto-brasileiros fizeram sobre sua vida pessoal e social. Para isso, procuramos verificar e evidenciar os sentidos atribuídos pelos entrevistados à sua identidade étnica, precisamente à língua alemã, no que diz respeito a aspectos objetivos e subjetivos. O recorte cronológico inicial a partir da década de 1980 refere-se a um evento cultural, que marca, podemos dizer assim, o revival da etnia teuto-brasileira em Pomerode, a saber: a “Festa Pomerana”, no ano de 1984. O apoio teórico da nossa pesquisa está concentrado no eixo da etnicidade relacional que concebe a identidade como algo construído na relação com o “outro” e em estudos sobre identidade étnico-cultural a partir de autores como Fredrik Barth (1969 apud Poutignat; Streiff-Fenart 1998), Roberto Cardoso de Oliveira (1976), Katheleen Nehls Conzen (1992) e Stuart Hall (2006)2 e na metodologia de pesquisa da História Oral. A História Oral pressupõe, em primeiro lugar, uma mudança de enfoque para a reconstrução da história no sentido de se visibilizar aspectos relegados por outras fontes, de se trazer à tona temas do cotidiano, de se fazer de pessoas comuns agentes construtores de história e de se reconstruir uma história multifacetada. Outrossim, usar as fontes orais para encontrar a verdade seria dar uma visão simplista para a complexidade do uso da História Oral. Entendemo-la antes como

uma fonte documental a mais para o trabalho do historiador e, como tal, sujeita aos mesmos cuidados que dedicamos a outros materiais, reconhecendo suas potencialidades e colocando sempre as questões advindas de nossas problemáticas de investigação (Ferreira, 1996).

Mais do que buscar informações, dados, confrontos de ideias com o fim de verificar os fatos, a análise dos relatos de teuto-brasileiros terá como prioridade identificar e analisar as diferentes versões sobre acontecimentos, de maneira a perceber o impacto desses no indivíduo e através desse na sociedade. Conforme Alistair Thomson (2002), a migração é um dos temas mais importantes para a História Oral, pois possibilita, entre outros aspectos, a abordagem de questões relacionadas tanto com os problemas enfrentados pelos migrantes em suas comunidades de origem quanto com aqueles em suas comunidades de chegada. De acordo com esse autor,

o testemunho oral e outras formas de histórias de vida demonstram a complexidade do real processo de migração e mostram como estas políticas e padrões repercutem nas vidas e nos relacionamentos dos migrantes individualmente, das famílias e das comunidades (Thomson, 2002: 342).

Ainda segundo Thomson (2002: 348), a História Oral é um meio muito importante para a compreensão do “interjogo complexo entre culturas introduzidas pelas minorias e as práticas dominantes da sociedade principal.” Conforme Marieta de Moraes Ferreira (1994 apud Meihy, 2002: 69), “a história oral nasceu e se desenvolveu extremamente vinculada à problemática dos estudos das identidades.” No que diz respeito à problemática sobre etnicidade, podemos a partir de relatos sobre práticas e traços culturais de imigrantes e descendentes na preservação de identidades, identificar com maior precisão critérios de identificação étnica. De acordo com Denys Cuche (2002: 182),

[...] para definir a identidade de um grupo, importante não é inventariar seus traços culturais distintos, mas localizar aqueles que são utilizados pelos membros do grupo para afirmar e manter uma distinção cultural.

A História Oral muito nos auxiliará a compreender as histórias de vida do grupo étnico teuto-brasileiro de Pomerode. Em vista das transformações do processo histórico que envolve os membros da comunidade étnica deste trabalho, provavelmente, há elementos culturais e sociais que mudaram e outros que continuam dando unidade ao grupo étnico. Nesse sentido, podemos dizer ainda que, embora o conteúdo de uma história de vida possa ser multifacetado, é o discurso da população teuto-brasileira que avalia o posicionamento do seu próprio grupo étnico, isto é, as histórias de vida dos teuto-brasileiros entrevistados expressando uma forma de representação da história de todo um grupo étnico.

De acordo com José Carlos Sebe Bom Meihy (2002), na História Oral a entrevista pressupõe um projeto de pesquisa bem elaborado, “[...] que reconheça sua intenção, determine os procedimentos e a devolução pública dos resultados.” (Meihy, 2002: 89). Ainda conforme Meihy (2002), para que a História Oral possa ser um meio para a produção de conhecimento, isto é, propiciar o alcance dos objetivos de uma pesquisa, assim como um comprometimento com uma sociedade, é necessário seguir certas regras que lhe são próprias.3

Além disso, é importante que o pesquisador tenha claro os seus compromissos. Com respeito a isso, Alessandro Portelli (1997) salienta que os historiadores orais, além de preservarem os princípios de cidadania e acadêmicos, devem ter a responsabilidade de seguir as normas e procedimentos na preparação das entrevistas, respeitando as informações delas provenientes quando as analisa e interpreta. Isso faz com que o autor desenvolva o que chama de ética do trabalho (comportamento do pesquisador), de ética da interpretação (conceito de verdade, relações entre subjetividade/objetividade no processo de transcrição, análise e interpretação das entrevistas) e de ética da restituição (o compartilhar dos resultados do pesquisador com o entrevistado). No que diz respeito à ética da interpretação, o pesquisador a preserva à medida que reconhece o pluralismo e as múltiplas abordagens à verdade. Na prática, isso se realiza quando na(o) entrevista/texto coexistem a interpretação do pesquisador, do entrevistado e as interpretações que os leitores fazem.

As entrevistas de História Oral (histórias de vida) tratadas no nosso trabalho foram realizadas em língua portuguesa entre maio e outubro de 2008.4 Os entrevistados, homens e mulheres (13 informantes), entre 18 e 45 anos, descendentes de alemães, são habitantes da zona urbana do município de Pomerode (SC). Para a seleção dos entrevistados foram estabelecidos três critérios: o primeiro é que o entrevistado fosse de descendência alemã paterna e materna; o segundo é que o entrevistado fosse de gerações mais jovens e o terceiro é que o entrevistado residisse na zona urbana. No que diz respeito ao segundo e ao terceiro critérios para a escolha dos entrevistados, acreditamos que teríamos um resultado previsível para pessoas de gerações mais velhas e para aquelas que residissem na zona rural, ou seja, presumimos que “eles” ainda “se sentiriam alemães” e que expressariam isso de maneira já abordada em estudos anteriores.5 Outrossim, gostaríamos de observar a narrativa das vivências de pessoas que nasceram após o fim da Era Vargas (1954), período político que remonta ao silenciamento efetivo do grupo étnico teuto-brasileiro. Nesse sentido, a língua alemã como marcador de identidade étnica, nesta pesquisa, está ligada ao recorte de etnia, gerações e espaços geográficos. Para a escolha da comunidade teuto-brasileira foi estabelecido um critério: que a comunidade teuto-brasileira fosse composta, na sua grande maioria, por descendentes de imigrantes alemães provenientes de uma mesma região da Alemanha, no caso, a Pomerânia. A análise da língua alemã como marcador de identidade étnica nesta pesquisa tem, além das histórias de vida, também outras entrevistas de História Oral (especialistas) que colaboraram como fontes. Nesse contexto, foram entrevistadas autoridades, pesquisadores e pessoas interessadas nos assuntos relacionados aos temas imigração para Pomerode, etnicidade e identidade (nove informantes). Essas entrevistas foram, na maioria das vezes, uma conversa discorrida sobre o tema. Em algumas entrevistas, porém, estabelecemos previamente alguns pontos pertinentes para o contexto desta pesquisa e que poderiam ser relevantes para a análise.

Para os propósitos deste trabalho os termos língua alemã e alemão não serão usados somente para referir-se à língua padrão, mas também ao que se concebe, numa visão geral do termo, como dialetal6 ou “língua não-padrão”. Segundo nossas percepções, a maioria dos descendentes de alemães, nos dias de hoje, fala o dialeto ou a “língua não-padrão”, embora compreendam a língua padrão coloquial. Percebemos ainda que há descendentes de alemães que definem, no entanto, a língua falada na família (“língua alemã não-padrão”) como Hochdeutsch (língua alemã padrão). Nomear e até mesmo qualificar, sem incorrer em preconceito linguístico, esse alemão falado na localidade não é tarefa simples. Trata-se, na realidade, de uma variedade (ou de variedades). Tal qual acontece no português falado no Brasil que, segundo Marcos Bagno (2001), também não é um bloco compacto, sólido e firme, mas sim um conjunto de “coisas” aparentadas entre si, mas com algumas diferenças, também no alemão falado na localidade podemos conjeturar que se trata de uma variedade.

As diferenças no alemão local podem ser de ordem fonética (motivadas talvez, pela segunda língua que afinal é o português); de ordem morfológica (trazendo características do alemão oral onde, por exemplo, as marcações morfológicas de caso -en, -em, -er, etc. tendem a ser sempre neutralizadas e com isso, talvez, realmente dar a impressão de que o paradigma formal de marcação de caso esteja sendo “violado”; de ordem sintática (onde a organização sentencial se pareça com a do português, substituindo, por exemplo, a ordem canônica objeto indireto + objeto direto do alemão padrão, por uma ordem objeto direto + objeto indireto, mas o objeto indireto sendo introduzido por preposição, tal qual acontece no português. As diferenças podem ser observadas ainda, e até primordialmente, no campo lexical, onde são observadas inúmeras incorporações do vocabulário do português, que, por sua vez, sofrem ajustes naturais às propriedades fonotáticas do alemão. Esse “alemão não-padrão” (adotando a proposta de Bagno (2001)) para fazer a mesma diferença para o português: (português não-padrão) x (português padrão), é, afinal, adquirido e transmitido naturalmente, ele parte de uma tradição oral e é falado por classes sociais “dominadas” e, portanto, marginal e estigmatizado. O “alemão não-padrão” é extremamente funcional e inovador pelo fato de autorizar a eliminação de regras desnecessárias e redundantes. Com a adoção dessa nomeação geral queremos eliminar nomeações preconceituosas como as que ouvimos de alguns depoentes, quando avaliam sua língua como “alemão incorreto” e outros termos extremamente pejorativos e sem qualquer fundamentação em termos teóricos, como, por exemplo, “alemão não-gramatical”. O “alemão não-padrão” é também uma língua organizada e coerente, passível de ser descrito por ter uma lógica interna perfeitamente demonstrável tal qual defendido para o português não-padrão por Bagno (2001) em sua obra A língua de Eulália: novela sociolinguística.

Neste trabalho, serão usados também os termos dialeto pomerano e pomerano com referência a uma variedade dialetal do Plattdeutsch (baixo-alemão). Tais nomeações foram observadas nas nossas entrevistas, no entanto, compreendemos língua alemã no sentido geral do termo, pois

a divisão língua/dialeto assim concebida como uma oposição entre uma língua verdadeira e alguma coisa como uma “sublíngua” é absurda. Ela resulta de uma confusão entre as diferentes acepções que se tem da palavra língua. Se for tomada em seu sentido mais geral de sistema de representação e de expressão vocal, todo ser humano exprime-se em uma língua. O dialeto possui um sistema de sons que, reunidos, formam palavras e essas palavras, unidas umas às outras segundo um sistema de regras, servem para formar frases. Trata-se das características essenciais que definem toda linguagem humana. O dialeto tem, portanto, as características exigidas para que se possa dizer que é uma língua no sentido geral do termo [...]. (Leray 2004: 120).

2 A língua alemã como marcador de identidade étnica teuto-brasileira em Pomerode (década de 1980 aos dias atuais)

A partir da aliança entre religião luterana e germanidade articulou-se outra importante marca de etnicidade, a língua alemã. Assim como no contexto alemão, também no teuto-brasileiro a língua alemã estava estreitamente vinculada a Martinho Lutero e à Reforma Religiosa, constituindo-se em um símbolo sagrado de identidade étnica, no qual veiculam a sabedoria e a visão de mundo do povo alemão. De acordo com Joana Bahia (2008: 23),

[...] o sentido de nacionalidade alemã é pensado a partir do uso da língua alemã pela religiosidade luterana. A Igreja Luterana é quem viabiliza melhor este sentimento de germanidade através do uso do alemão oficial.

Segundo Martin Norberto Dreher (1984: 20), os pastores provenientes da Alemanha já deram os primeiros sinais de relacionar germanidade e religiosidade em meados do século XIX, mas “[...] o fato, tido inicialmente como algo natural, de que protestantes de ascendência germânica fizessem uso da língua alemã em sua atividade eclesiástica”, foi tratado de forma expressiva e fundamentado teologicamente somente a partir da criação do Reino Alemão (1871). Nesse contexto, ainda de acordo com Dreher (1984: 20), “[...] se deveria levar ‘o Evangelho aos irmãos na fé e aos compatriotas em língua e índole alemães’ e preservar ‘com isso todo o rico tesouro da cultura germânica’.” Assim, a relação intrínseca entre germanidade, religião luterana e língua alemã caracterizou por muito tempo o contexto teuto-brasileiro em Santa Catarina, no qual o luteranismo e a língua alemã constituíram-se em marcadores poderosos da identidade étnica teuto-brasileira. Para reforçar o que foi exposto acima, ou seja, a ideia de que germanidade, religião luterana e língua alemã caminham juntas no contexto da imigração e colonização alemã em Santa Catarina, vejamos o que afirma um depoente: “quando os imigrantes aqui chegaram, a primeira preocupação era [...] uma escola, então construía-se a escola e na escola também ministrava-se cultos. E quando não tinha pastor, às vezes até o professor fazia [os cultos].” (A)7 Vejamos ainda os depoimentos a seguir:

[...] em toda região luterana havia o binômio igreja-escola, isso é tanto pomerano quanto alemão, isso é em todo lugar. [...] então o material de leitura que vinha para nossa casa quando eu era criança, a maior parte era da Igreja, nós somos luteranos, então o pastor era alemão, ainda hoje, nós temos em Pomerode culto em alemão [...]. (B)

[...] não sei como os pastores, hoje, procedem com os jovens, mas [...] para manter a cultura alemã [...] eles contribuíram bastante, nós ainda temos os cultos [em língua alemã] eu sei que na época ele [o pastor] ainda ensinava o Pai Nosso, a gente aprendia algumas coisas em alemão [...]. (C)

[...] eu não me sinto constrangida quando me corrigem, [...] eu estou aprendendo com as pessoas e digo para elas, eu só sei falar, eu ainda não sei escrever. Aí elas dizem para mim: “eu vou à igreja, ao culto em alemão, eu leio o hinário, eu leio a bíblia em alemão.” (D)

Os estudos de Dagmar Meyer (1999) e Irmgard Grützmann (1999) apontam para a posição central da língua alemã acionada pelos ideólogos do germanismo no processo de construção identitária dos imigrantes alemães e de seus descendentes. O conhecimento perfeito da língua alemã (Hochdeutsch) foi considerado então um dever para o descendente de alemão, que devia ser preservado e transmitido de geração para geração. Conservar a língua alemã no Brasil, portanto, era manter o vínculo com a cultura alemã. Conforme Meyer (1999: 88), a língua alemã “era a ‘língua da mãe’, que transmitia/construía os valores culturais e a crença religiosa, modulava os sentimentos mais íntimos e os afetos familiares.” Etienne Balibar (1995) e Bahia (2001) chamam a atenção para a centralidade da língua no processo de construção de identidade cultural (étnica), salientando que “a defesa de uma cultura cuja identidade, integridade ou criatividade está ameaçada, se dá, sobretudo através da defesa da língua.” (Balibar 1995: 185). Segundo Ingrid Margareta Tornquist (1997), a língua é, sem dúvida, um importante marcador de pertença e identidade étnica. Essa autora vê uma relação de dependência recíproca entre a língua e o grupo, pois conforme Nils Hasselmo (1974 apud Tornquist 1997), é necessário que haja de um lado o grupo para que a língua se conserve e de outro a língua possui uma importância decisiva para a sobrevivência do grupo, e não só como veículo de comunicação, mas também como meio de transmissão de valores do grupo e entre o grupo étnico. De acordo com Walter Koch (2003: 198):

A língua alemã, na qual se encontra cristalizada a experiência de gerações, com seus modelos de conhecimento e critérios de julgamento, representa o resultado da história cultural, social e política da respectiva comunidade lingüística; também serve de instrumento de transmissão desta mesma cultura e ordem social.

Segundo Giralda Seyferth (1994; 1996), devemos enfatizar a língua alemã como um dos elementos mais destacados da diferenciação étnica, isto é, como uma forma importante de expressar um modo de vida “alemão”, pois o seu uso cotidiano foi e ainda é para muitos descendentes de alemães uma eficiente marca de identificação étnica. Seyferth (1994; 1996) considera a língua falada pelos descendentes de alemães gramaticalmente incorreta e deturpada por palavras e expressões da língua portuguesa, mesmo assim a autora diz que o alemão não perdeu seu sentido étnico para aqueles que o utilizam no cotidiano, principalmente no círculo familiar e de amizade. Ainda de acordo com Seyferth (1994, 1996), a língua alemã, no entanto, não é mais um identificador incondicional de etnicidade, já que hoje nem todos os descendentes de alemães falam ou entendem o alemão. Nesse caso, a língua alemã como marcador de identidade étnica constitui-se em um traço simbólico.

No que diz respeito à língua alemã, devemos sublinhar aqui a importância dos dialetos alemães. Além das variedades dialetais minoritárias das várias outras regiões da Alemanha em maior ou em menor número, o(s) dialetos(s) da região do Hunsrück (do atual estado alemão Renânia Palatinado) e da Província Pomerana da Prússia (da “Pomerânia Oriental” atualmente noroeste da Polônia e da “Pomerânia Ocidental” atualmente nordeste da Alemanha) e suas variações dialetais são os mais falados na região de colonização alemã no sul do Brasil. Além disso, o contato com a língua portuguesa fez com que a língua alemã falada pelos imigrantes e seus descendentes no sul do Brasil não fosse uma língua homogênea. Essa língua é, portanto, “de uma forma ou de outra formada por diversos dialetos e misturada com o português” (Vilela 2004). Na mistura do alemão com o português temos “[...] a tendência de empregar substantivos em português no meio de frases em alemão, ou a de germanizar verbos da língua portuguesa através do acréscimo da terminação -ieren no radical latino” (Prade 2003: 86). A Campanha da Nacionalização8 provocou um silenciamento da etnicidade teuto-brasileira. O uso da língua alemã, tanto falada quanto escrita, foi proibido no ambiente formal da comunidade teuto-brasileira e em locais públicos, o que certamente criou um conflito na sua população, que foi obrigada a usar a língua portuguesa. Muitos tiveram que aprendê-la de uma hora para a outra, como vemos nos relatos a seguir:

[…] os meus irmãos mais velhos não aprenderam português. Como também meus pais nunca aprenderam a falar português. Porque lecionava-se alemão. Mas de repente foi “cortado” radicalmente [...]. Eu sei como foi difícil, o que eu sofri, como eu tinha medo, a língua alemã era proibida, era crime falar alemão e eu não sabia falar outra língua. Só que aprendi bem ligeiro [português] porque era necessidade. [...] em casa continuava-se a falar o alemão [...]. Por isso tem muita gente em Pomerode que sabe falar [...]. (A)

O meu irmão é três anos mais velho que eu. Ele aprendeu a falar português na escola. Na época quando ele foi pra a escola em 1967 já havia toda aquela questão da ditadura e as professoras não sabiam falar alemão, [...] havia esse choque de línguas, os alunos não sabiam falar português e as professoras não sabiam falar alemão, então houve um aprendizado meio que na “marra”. [...] alguma coisa eu já sabia quando eu fui para a escola. (B)

De acordo com os depoimentos citados podemos observar que para alguns descendentes de alemães a língua alemã foi preservada oralmente no seio da família. Devemos salientar no entanto que, segundo notamos, para outros descendentes de alemães o alemão não foi mais empregado no convívio familiar, se perdendo dessa forma o vínculo com a língua materna.

A língua alemã que até a Campanha de Nacionalização era considerada “língua de prestígio” pela função que desempenhava na escola, na igreja, na imprensa e em associações passa a ser alvo de sentimentos e valores ambivalentes, por um lado, positivos, pois muitos descendentes de alemães continuaram/continuam falando o alemão na família e entre amigos, principalmente na zona rural; por outro lado, negativos, os mais jovens, sobretudo na zona urbana, deixaram de falar o alemão. A língua portuguesa tende a se difundir aí cada vez mais e passa a ter um papel importante para os descendentes de alemães vinculado à ascensão social e econômica e à diferenciação entre os urbanos e os rurais. O português é então prestigiado e considerado “língua de status” e língua da cidade. Nesse caso, a língua alemã passou a ser discriminada e foi estigmatizada como “língua de colono” em uma referência ao camponês.9 Para comprovar essa ideia, vejamos o que afirmam três depoentes:

Usar o alemão na escola não era muito bem visto [...]. Eu me lembro de dois irmãos que estavam comigo na primeira série. Eles, no primeiro mês de aula, choravam com frequência porque não conseguiam entender nada. [...] a professora era também bastante severa e sabe como são crianças, ao invés de ajudar naquele momento, ficavam ainda, como se diz hoje em dia, “zoando” da situação. (B)

[...] na nossa época de escola, eu ainda lembro disso muito bem, hoje em dia, eu acho que ninguém faz mais isso, nós éramos ainda proibidos pelos professores, eles não gostavam que nós usávamos o alemão, mas no pátio nós falávamos alemão porque era uma coisa automática [...]. Muitas vezes existiam conflitos entre nós, os nativos, no caso, com os imigrantes, isso com certeza existia no nosso tempo de escola, principalmente quando íamos ao centro. [...] a gente era ofendido, chamavam-nos de colono. Eu acho que esse preconceito [...] na nossa época era muito forte, muito mais que hoje. (C)

Eu vejo aqui, que eles [os descendentes de alemães] têm uma certa vergonha, [...] muitas vezes o deboche pelo modo de falar, porque o alemão fala com um “r” [fraco] de “cachoro”. Muitas vezes, eu sei que na faculdade [falavam]: “ah esse ali é alemão”. Então é pelo dialeto que a gente tem. E isso na verdade, não sei se devido ao deboche, a sátira que os [outros] fazem, eles acabam ficando receosos, na “deles”. (E)

Nos depoimentos acima, podemos verificar claramente sentimentos negativos em relação ao uso da língua alemã assim como à ascendência étnica quando os descendentes de alemães são confrontados com o “outro”. A alteridade é marcada aqui principalmente pela pronúncia característica do falante de língua alemã, o sotaque. Os descendentes de alemães foram discriminados e estigmatizados pelo “outro” e motivo de chacota por causa do sotaque, o que provocou neles sentimentos negativos. Na coletânea “Memória e (Res)sentimentos: Indagações sobre uma questão sensível”, Stella Bresciani e Márcia Naxara (2001) informam-nos sobre a temática do ressentimento como componente importante na história de vida dos homens, particularmente na construção de suas identidades. O significado de ressentimento apresentado nessa obra tem uma conotação negativa, isto é, são sentimentos negativos e mal resolvidos como mágoa, dor, pesar e ódio.

Para Pierre Ansart (2001: 15), a pesquisa sobre o papel do ressentimento nos fatos históricos encontra muitas dificuldades, pois evoca “[...] a parte sombria, inquietante e frequentemente terrificante da história.” Ainda segundo esse autor, os sentimentos que melhor definem a palavra ressentimento são “[...] os rancores, as invejas, os desejos de vingança e os fantasmas da morte”, que podem se manifestar em diferentes formas e intensidades. Atitudes humanas como o preconceito entre dois grupos étnicos podem levar à frustração que, por sua vez, pode gerar o ressentimento, que pode ser ou não exteriorizado ou expresso de forma violenta. No caso acima, o fato (a chacota sobre o sotaque alemão) do qual os descendentes de alemães foram vítimas e sofreram violência psicológica (mágoa, dor, vergonha, humilhação, inferioridade, sofrimento) provocou ressentimento. Porém, conforme nossas percepções, o fato de que os descendentes de alemães tenham aperfeiçoado o português e, provavelmente, perdido ou pelo menos amenizado o sotaque alemão, pode tê-los prendido menos às lembranças traumáticas do ressentimento. Nesse sentido, recorro à explicação de Ansart (2001: 31) sobre “a tentação do esquecimento”:

[...] pode-se afirmar que o indivíduo não esquece os fatos dos quais foi ator ou vítima, mas esquece-se ou, ao menos, aferra-se bem menos às lembranças dos ressentimentos. Os fatos organizados em uma cronologia têm a simplicidade do inelutável, pois já passaram, enquanto os ressentimentos são extremamente mais incertos, quando não mais vividos e sentidos. Frequentemente, o indivíduo tem a tendência a evitar seus próprios ódios quando a história os tornou caducos. E, mesmo em se tratando de ódios dos quais foi vítima, o indivíduo experimenta repugnância em conhecer e explorar o ressentimento daqueles de quem foi objeto, a compreender o que é, para ele, irracional. Quando estamos nessa situação, contentamo-nos com alguns julgamentos simples que nos permitem não entrar na lógica afetiva de nossos antigos adversários e que nos bastam para condená-los.

No caso acima, não podemos afirmar com que intensidade os descendentes de alemães se apropriaram do ressentimento ou se ainda se apropriam dele atualmente. As evidências, no entanto, indicam que possam ter superado totalmente seu trauma quando dizem que, nos dias de hoje, se orgulham de sua origem étnica, no caso da língua alemã. Um exemplo de apropriação do ressentimento, consequentemente da “tentação do esquecimento” e, provavelmente, superação do trauma, podemos observar nos seguintes relatos: “Eu tenho sotaque. [...] Eu tinha um pouco de vergonha, talvez não vergonha, mas sim receio de falar o alemão. Mas hoje eu tenho um grande orgulho [...]” (F) e “[...] eu acredito que um tempo atrás era uma questão de vergonha para muitas pessoas, hoje em dia [...] mais uma questão de orgulho [...].” (G)

Vejamos a seguir mais um exemplo sobre essa situação:

[...] hoje tem-se orgulho da segunda língua. Porque nós vimos, por exemplo, nos nossos jovens alguns anos atrás, quando eles terminavam o ensino fundamental, alguns iam fazer o ensino médio em Blumenau e tinham vergonha de chegar lá e dizer que falavam alemão porque daí eles eram discriminados como os colonos de Pomerode [...]. [E hoje] a gente vê que não existe mais essa vergonha por parte do adolescente, do jovem de falar alemão. Tanto que muitas vezes a gente encontra grupos de jovens falando alemão no baile, por exemplo [...]. A gente vê que hoje então já existe esse orgulho [...] de valorizar o dominio da segunda língua. (H)

Nesse contexto, podemos observar que o sotaque alemão é, ainda nos dias de hoje, um elemento que caracteriza a identidade étnica do teuto-brasileiro. No entanto, conforme percebemos, hoje, a língua e o sotaque alemães estão menos associados a sentimentos e valores negativos como no passado, mas permanecem sendo uma marca de diferenciação entre a população rural e urbana, ou seja, é antes mais um atributo ao descendente de alemães da zona rural, como podemos verificar nos exemplos a seguir: “[...] existem as brincadeiras quanto ao sotaque, o pessoal do centro faz brincadeiras com o sotaque do pessoal do interior [...] o “r” [...] eu nem sei falar direito, mas não tenho vergonha disso [...].” (B) e

Tem gente ali que é mais do interior e fala, por exemplo, com um “r” só, falam de um jeito diferente, peculiar. Esses falam alemão com os seus em casa, bastante gente no interior. Mas lá no colégio de onde eu vim [...] o título de chamar um ou outro de alemão, era uma brincadeira que as crianças não gostavam [...]. (F)

O quadro do pós-guerra refletiu por muito tempo sobre a vida dos descendentes de alemães. Nessa época, silenciou-se aspectos da cultura alemã, mais precisamente a língua alemã. No que diz respeito ao uso do alemão, verificamos que muitos pais não mais o transmitiram a seus filhos, isto é, muitos descendentes de alemães das gerações da época pós-guerra, particularmente os que nasceram e moram na zona urbana, não falam mais o alemão, embora alguns o entendam. De acordo com uma depoente:

[...] A repressão foi muito grave, de repente não se consegue colocar a pessoa na cadeia, mas aí a envergonha tanto para que ela ache vergonhoso falar alemão, ser alemão. Muito desse “ranço” [permaneceu então durante] as décadas de cinquenta, sessenta e setenta. (D)

O fato de que a geração pós-guerra da zona urbana não fale mais o alemão pode estar associado também, de acordo com nossas percepções, ao casamento interétnico, que já é cada vez mais frequente, mais particularmente na zona urbana, mas também na zona rural. Ainda que as gerações mais velhas resistam em aceitar essa relação, elas dificilmente podem controlar as gerações mais jovens a se casarem com pessoas de outros grupos étnicos, pois, atualmente, todos compartilham os mesmos espaços como, por exemplo, igreja, escola, festas, bailes e casa de amigos.

O caso de muitos descendentes de alemães das gerações da época pós-guerra na zona urbana não falarem mais a língua alemã, porém, não comprovamos nesta pesquisa. Conforme um entrevistado, em Pomerode: “Ainda têm muitos que falam a língua [...]” (A). Todos os entrevistados falam o alemão, ainda que alguns não o escrevam, como podemos observar nos relatos a seguir: “[...] em casa continuava-se a falar o alemão [...]. Mas não se escrevia e nem se lia mais em alemão. Por isso tem muita gente em Pomerode que sabe falar, mas não sabe ler e nem escrever em alemão” (A) e

[...] quando eu chego em uma residência e vou conversar [...], eu não me sinto constrangida quando me corrigem, eu acho até bonito, porque eu estou aprendendo com as pessoas e digo para elas, eu só sei falar, eu ainda não sei escrever. (D)

Esse caso deve ser, portanto, aqui relativizado, pois ainda que todos os depoentes saibam falar o alemão, há alguns que têm o hábito de falar a língua alemã somente com as gerações mais velhas, os avós, mas não, por exemplo, com os pais, irmãos, filhos ou amigos, como podemos observar no seguinte excerto:

Quem mora com os avós, quem tem contato com os avós falam sim o alemão ainda, mas com os pais, não lembro de nenhum amigo meu que seja de Pomerode e fale com os pais regularmente. [...] No dia a dia os diálogos com meus amigos são todos em português [...]. (I)

A situação acima é corroborada pela afirmação de outro depoente quando diz que os jovens da zona urbana “não falam mais tanto [em casa]. A gente percebe que [no interior] ainda não se perdeu isso.” (J)

Nos dias de hoje, podemos observar, portanto, uma revalorização da língua alemã, uma vez que o seu aprendizado formal está sendo retomado aos poucos nas escolas, tanto da zona urbana quanto da rural, nas universidades e em cursos de língua estrangeira. No que diz respeito ao ensino formal da língua alemã, ou seja, ao ensino nas escolas de Pomerode, uma entrevistada ressalta a sua importância para a comunidade de descendentes de alemães nos dias de hoje. Para ela a preservação da língua alemã é fundamental para a preservação da própria cultura e nos relata que desde 1982, [atendendo ao pedido da comunidade escolar e empresarial], as escolas municipais têm o alemão como língua estrangeira no seu currículo para alunos da sétima e oitava série. Alguns anos mais tarde o ensino do alemão foi ampliado para alunos da quinta à oitava série e a partir do ano de 2004 as escolas municipais oferecem na sua grade curricular a língua alemã para todo o Ensino Fundamental, com a carga horária de uma hora semanal do primeiro ao quinto ano e de duas horas semanais do sexto ao nono ano. A entrevistada nos conta ainda que grande parte dos pais e avós trabalham fora nos dias de hoje e as crianças já vêm com alguns meses de idade para os centros de Educação Infantil e não aprendem mais o alemão em casa. Em virtude disso, entre os anos de 2005 e 2008, fomentou-se uma discussão na Educação Infantil paralela ao ensino formal de alemão que foi chamada de “Letramento em Alemão”, isto é, os professores que falassem alemão conversariam em alemão com as crianças. Assim, as crianças atendidas nos Centros de Educação Infantil, com a faixa etária de 0 a 5 anos, seriam familiarizadas com a língua alemã através da fala, ou seja, o alemão seria utilizado em situações reais do cotidiano.

Ainda segundo a depoente citada, a partir de 2007 começou-se a discutir a língua alemã como uma segunda língua materna e no início de 2008 o Conselho Municipal de Educação de Pomerode aprovou o projeto-piloto do ensino bilíngue para uma turma em uma escola municipal (Olavo Bilac) na localidade de Testo Central para crianças do primeiro ano do Ensino Fundamental. (H). E no ano de 2009 o ensino bilíngue é estendido para outra turma em uma escola municipal (Dr. Amadeu da Luz) na localidade de Testo Alto também para crianças do primeiro ano do Ensino Fundamental, ampliando assim a oferta do ensino bilíngue em escolas municipais. O projeto “Implantação da sala bilíngue - língua portuguesa/língua alemã no ensino Fundamental”, implementado em 2008/2009 em duas escolas da rede de ensino do município de Pomerode, visa a pluralidade linguística do mesmo. De acordo com o documento de implementação, o projeto tem como objetivo geral “implantar uma sala de aula bilíngue oferecendo aos alunos da Rede Municipal a possibilidade de se alfabetizarem na língua portuguesa e na língua alemã, tornando-se usuários proficientes das mesmas”, e como orientações metodológicas: “na sala bilíngue os conteúdos/disciplinas serão trabalhados em duas línguas, portanto os alunos não terão somente aulas de Alemão e de Português, mas sim aulas em Alemão e em Português.” (Pomerode 2007-2008: 3). O ensino bilíngue continuou a ser oferecido nos anos seguintes em ambas as escolas públicas do município, isto é, teve sua implantação progressiva a partir do primeiro ano ao longo do Ensino Fundamental. Devemos salientar aqui que os pais precisam optar pelo ensino bilíngue no momento da matrícula de seus filhos.

No que diz respeito ainda ao ensino formal de língua alemã em Pomerode, precisamos destacar a escola particular Colégio Sinodal Doutor Blumenau,10 que oferece atualmente na sua grade curricular o alemão desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Na Educação Infantil (3 a 5 anos) é oferecida 1 hora-aula semanal de alemão e as crianças aprendem a língua a partir de atividades lúdicas. No Ensino Fundamental do primeiro ao quinto ano os alunos têm 2 horas-aula semanais enquanto que do sexto ao nono ano 3 horas-aula semanais. Já no Ensino Médio são oferecidas 2 horas-aula semanais de língua alemã (optativa). Além disso, o colégio oferece cursos que preparam os alunos para a obtenção de certificados de proficiência em língua alemã.11 Nesse contexto, o Colégio Sinodal Doutor Blumenau oferece à comunidade de Pomerode a possibilidade de participar de bolsas de estudo e de cursar uma universidade na Alemanha, assim como de obter um emprego diferenciado no mercado de trabalho.

O aprendizado formal, assim como o uso da língua alemã, hoje, pode estar tanto associado à recuperação de aspectos da história e à preservação de traços da cultura alemã quanto pode ser um meio para se alcançar sucesso profissional. Vejamos alguns exemplos dessa situação:

Desde criança é sempre a língua alemã, a gente começou a aprender o português na escola. Tanto é que o meu filho de quatro anos também está aprendendo a falar o alemão em casa [...] para um dia poder exercer um cargo melhor em fábricas, indústrias [...] mas também culturais para não perder o nosso passado. (L)

[...] a gente quando se reune, principalmente na empresa, ou quando a gente vai ao [centro] fazer compras, eu sempre gosto de falar, se eu sei que a pessoa fala ou domina o alemão, eu particularmente tento usar a minha língua materna. Isso pra mim é uma questão de honra e eu gosto de falar alemão. E quando a gente está reunido com amigos ou quando eu escrevo para os meus amigos, as correspondências são sempre em língua alemã. [...] se você não vivencia o idioma [...] se você não tiver o interesse de preservar, trabalhar essa questão, o resto é só um “adorno”, não leva muita coisa. (C)

Eu estudei [alemão] até o terceiro ano do Ensino Médio [...] e em casa eu comecei a falar um pouquinho mais de alemão com a minha mãe, com os meus avós, minha família praticamente toda fala o alemão. [...] Eu acho que principalmente por causa da minha origem [...]. Mas também tenho bastante interesse pelo país [Alemanha], estive lá na metade do ano passado [...] e me encantei com o lugar. O curso que estou estudando agora, Engenharia Mecânica, as origens [desse curso] são todas vinculadas à Alemanha, todos os grandes escritores da área [desse curso] são alemães, a maioria dos livros não são traduzidos, nem para o português e nem para o inglês. Na minha área é bem interessante [...]. (F)

As declarações acima mostram que o alemão é ainda falado pelos depoentes desse grupo na família, no grupo de amigos, na escola, no trabalho e em locais públicos. Mas com referência ao ambiente da família e ao da escola e do trabalho, por exemplo, podemos verificar que a língua alemã tanto caracteriza uma marca de identidade étnica quanto cumpre uma função instrumental. Para reforçar essa ideia, apresentamos mais dois exemplos dessa situação:

Nós não queremos preservar nossa cultura só como algo que é ensaiado para apresentar quando tem algum evento. Além da gente estar garantindo essas vivências da cultura alemã, a gente está também abrindo portas para esses nossos alunos. Para eles terem um emprego melhor e mais oportunidades profissionais na vida. (H)

Pra mim pessoalmente, no meu trabalho foi muito importante, pude aprender muita coisa porque sabia falar alemão. Eu consegui acesso às pessoas que tinham mais informações do que outros [...]. Então o alemão está sendo bem difundido pela própria prefeitura, está sendo ensinado nas escolas [...] então o pessoal começou a despertar para a importância do alemão. [...] uma das maneiras de entusiasmar o pessoal a manter o alemão é convencendo-os de que vivem numa região alemã, onde tem empresas alemãs, você tem a Bosch, a Netzsch [...], onde o alemão é importante, então isso acaba sendo um estímulo para as pessoas, quem quiser trabalhar nessas empresas vai ter que saber falar o alemão. [...] eu creio que o [jovem] não iria, simplesmente por uma questão cultural, querer aprender o alemão. (M)

Ainda que o aprendizado e o uso da língua alemã na zona urbana seja uma exigência do mercado local e cumpra, provavelmente, mais uma função instrumental, não podemos desconsiderar que esse fato possa ter fomentado a recuperação e a preservação de aspectos da história e da cultura alemã entre os descendentes de alemães ou contribuído para que eles tenham perdido a vergonha de falar o alemão novamente em locais públicos. De acordo com uma entrevistada, “a língua está ficando cada vez mais forte.” (N)

No que diz respeito ao dialeto pomerano, um depoente nos conta que ele é falado por poucas pessoas: “meu avô fala, minha mãe fala um pouco, mas o jovem não fala mais. O pomerano praticamente morreu na geração de meus pais” (I). Enquanto que outro sujeito nos relata que ainda encontramos pessoas que falam o pomerano, que ele “foi se perdendo ao longo dos anos, mas a língua ainda não está morta. [...] Eu tenho um grande orgulho de entender o Plattdeutsch que me foi ensinado pela minha avó paterna [...]” (F). Segundo um entrevistado, o pomerano é falado portanto mais no interior do município, principalmente nas localidades de Testo Alto e Testo Alto Fundos, onde encontramos muitas famílias que ainda o falam. (C). O pomerano, como podemos observar, portanto, ainda é falado em Pomerode, mas preponderantemente por pessoas de gerações mais velhas, como nos conta o depoente a seguir:

Ainda existe o Plattdeutsch mais no interior [...] lá ainda até crianças falam Plattdeutsch, mas é raro. Mas os de mais idade, os de cinquenta anos, têm que ainda falam essa língua. Eu até fico admirado quando às vezes eu encontro isso, gente na cidade falando. Eu até fico alegre de ouvir isso. Estão falando Plattdeutsch então eu me junto ao círculo e falo com eles. Eu sei falar perfeitamente Plattdeutsch, não como Hochdeutsch, mas não tem problema nenhum. Eu fico feliz quando vejo alguem falar essa língua. [...] eu às vezes quando venho aos bancos, lá tem gente que fala alemão. No comércio tem gente que fala alemão, então em geral eu pergunto, falas alemão: “sim” e o Plattdeutsch: “eu entendo um pouco, mas não falo”, essa é sempre a resposta que eles dão. Os jovens não falam mais o Plattdeutsch [...] (A).

Segundo uma depoente o processo de construção da língua alemã estabelece-se em Pomerode em torno de 1880, ou seja, já no início da colonização, e o dialeto pomerano fica restrito primordialmente ao círculo familiar e de amizade12 (D). Devemos ressaltar aqui que o pomerano era discriminado e estigmatizado como “língua inferior”, ou seja, “incorreta” e “impura” pelos próprios “alemães”, portanto, por membros de dentro do próprio grupo étnico. Isso pode ter levado o descendente de alemães a preferir o alemão em detrimento do pomerano. Esse sentimento negativo em relação ao pomerano pode ser comprovado no relato de um entrevistado:

[...] foi o seguinte, minha mãe falava [...], “isso vocês não vão falar, porque isso não é língua, isso é uma coisa só entre nós. Vocês vão falar o alemão de Igreja que o pastor fala em cultos. Vocês não vão usar o Plattdeutsch, porque isso é uma língua de ‘bandido’, de ‘mendigo’”, ela dizia qualquer coisa assim. [...] os pais dela certamente já tinham incutido isso nela. Ela sempre dizia que isso não é língua escrita. “então vocês vão aprender e escrever o alemão.” (O)

Com referência à preservação de aspectos da cultura alemã através da língua alemã, mais precisamente do dialeto pomerano, dois depoentes nos relatam o seguinte:

Nós temos através do Instituto Goethe, o concurso de leitura de textos em língua alemã e tem lá as categorias Hochdeutsch e Plattdeutsch e tem o grupo de teatro que faz esquetes em Plattdeutsch. (H)

[...] um jornalista fez um trabalho sobre a [colonização pomerana] em Pomerode [...]. Ele fez um DVD patrocinado por empresários [...] então ele fez entrevistas com pessoas mais velhas que falam pomerano, com crianças também, fez entrevista comigo, nós nos apresentamos também ao vivo tocando canções em pomerano [...] e um outro senhor de Blumenau fez uma exposição fotográfica da Pomerânia [...]. (B)

[...] é a importância que as pessoas dão para a preservação do Plattdeutsch. A gente verifica que as pessoas de idade que ainda falam o Plattdeutsch gostam muito de reviver o passado delas [...] e a gente percebe que as crianças que ficam com os avós acabam aprendendo esse dialeto. [...] Existe uma preocupação muito grande da Secretaria de Educação, da Secretaria de Turismo em encontrar mecanismos para que essa linguagem permaneça viva. [...] a gente está querendo manter vivo o Plattdeutsch. Nós em Pomerode não temos nada do Plattdeutsch registrado. [...] nessa questão a gente não consegiu ir muito longe, mas a gente respeita muito aquelas pessoas que conseguem falar Plattdeutsch. (D)

Para reforçar a ideia de que o dialeto pomerano também está sendo valorizado nos dias de hoje, um entrevistado nos conta que, quando era membro de uma fundação cultural, recebeu uma proposta para implantação do pomerano nas escolas, mas que não se concretizara, pois isso teria sido “muito difícil” (A). Vejamos mais dois depoimentos nesse contexto: “[...] a gente compôs em pomerano também e foi bastante aceito, a primeira composição em pomerano que a gente fez foi falar do dia a dia do nosso colono [...]” (B) e “agora recentemente com a Festa Pomerana, fazendo divulgação até mais da língua, do Plattdeutsch, até cultos, então o pessoal começou a descobrir mais a sua identidade [...].” (M)

O uso da língua alemã e do dialeto pomerano, nos dias de hoje, pode ser observado, além de no círculo familiar e de amizade, na escola, no local de trabalho, também em locais públicos. Devemos ressaltar aqui que a revalorização do alemão e do pomerano, precisamente o seu uso em locais públicos, conforme o que depreendemos dos depoimentos desta pesquisa, abrange mais a população rural de descendentes de alemães quando se encontram na cidade. As evidências, ainda que não imprimam certeza, indicam que o alemão e o pomerano particularmente são usados tanto na zona urbana quanto na rural, porém, são mais usados na área rural.

Ao perguntarmos aos entrevistados sobre a relação entre língua alemã e identidade étnica, dois sujeitos afirmam que o fato de eles falarem alemão os vincula ao grupo étnico teuto-brasileiro e marca certamente sua identidade étnica: “Com certeza eu considero a língua extremamente [importante]” (P) e “eu penso que a língua é fator determinante, mas está associada também com outros elementos” (H). Outro depoente, que além de falar o alemão também entende o pomerano, nos conta que esse fato o une ao grupo étnico teuto-brasileiro e marca fortemente sua identidade étnica: “[Com certeza] a língua que é falada, que se preserva.” (E). Ainda nesse contexto, duas outras entrevistadas nos relatam o seguinte: “É a língua. [...] O sotaque, o pessoal percebe que você é de Pomerode, que você é de cultura alemã, é bem claro [...].” (N), e

[...] hoje eu ainda falo o “r” errado, como a maioria daqui da nossa cidade. [...] Pessoas de fora não entendem, [...] porque é diferente, a gente não fala como os outros, o “r” normal. [...] quando a gente fala é estranho para eles, porque o nosso sotaque é bem alemão. (Q)

Nesse caso, as duas depoentes logo acima referem-se ao sotaque como se fosse a língua como um todo, isto é, parece que para elas falar a língua e ter o sotaque vem a ser a mesma coisa. Segundo nossas percepções, os descendentes de alemães que falam alemão conservam o sotaque característico de quem fala essa língua, portanto, podemos conjeturar que assim como a língua também o sotaque pode marcar a identidade étnica.

Ao discutirmos o papel da língua alemã como marcador de identidade étnica com os entrevistados, podemos verificar que para esse grupo a língua alemã tem um papel importante no processo de construção de identidade étnica, pelo menos para a maioria deles, pois alguns não se pronunciaram claramente a esse respeito.

3 Considerações finais

No presente trabalho, podemos observar que em Pomerode todos os depoentes falam a língua alemã e muito poucos, dentre o grupo entrevistado, falam ou somente entendem o dialeto pomerano. Devemos salientar aqui que os imigrantes alemães e os descendentes das primeiras gerações, ou seja, aqueles que foram escolarizados até a Campanha da Nacionalização, dominavam o Hochdeutsch (alemão padrão) se comparado com os das últimas gerações, pois até essa época era a língua empregada nas escolas e na igreja, como também no círculo familiar e de amizade. Após esse período, os “alemães” não tiveram mais escolarização em língua alemã e alguns foram perdendo o seu domínio, pois o alemão não era mais usado em instâncias formais, mas outros o conservaram, isto é, mantiveram e transmitiram o alemão oralmente de geração para geração até os dias de hoje em todas as outras situações sociais, particularmente na família e entre amigos. No que diz respeito à preservação da língua alemã, observamos que ela é falada hoje por uma maioria em Pomerode, pois, como já destacamos aqui, muitos dos descendentes de alemães do município de Pomerode que falavam alemão até a Campanha de Nacionalização continuaram falando até os dias de hoje no seio da família. A língua alemã, segundo pôde ser abstraído das entrevistas, volta atualmente no ensino formal e é afirmado tanto no privado como no público. Segundo um entrevistado, “A cidade, intitulada ‘a cidade mais alemã do Brasil’ tem que justamente preservar o idioma que deve ser falado nas casas no dia a dia.” (R).

De acordo com que mostramos nesta pesquisa, podemos afirmar que, ainda hoje, para a maioria dos depoentes, a língua alemã tem uma importância significativa sobre os descendentes de alemães em Pomerode no que diz respeito à manutenção de sua identidade étnica. Conforme um entrevistado afirmou, manter a língua alemã, ou seja, falar em alemão

[...] é uma questão de honra e eu gosto de falar alemão. [...] se meu avô ou meu bisavô, os meus antepassados falavam alemão, escreviam corretamente, eu fiz questão de aprender também, foi meu interesse. (C)

Segundo outra depoente, a língua é importante “[...] para não perder o nosso passado” (S). Para outro sujeito ainda a preservação da língua mantém sua identidade:

Eu falo alemão. [...] questões de língua, estudos da origem alemã, preservação desta cultura são coisas que eu não percebo tão forte nos outros [...]. E aqui [Pomerode] é embutido deste criança aquela cultura alemã [...]. (P)

As declarações acima mostram com evidência que os entrevistados consideram a língua alemã um elemento importante de etnicidade. Devemos salientar ainda que a língua alemã, como mostramos neste trabalho, cumpre, provavelmente também, uma função instrumental. No que diz respeito ao dialeto pomerano, precisamos ressaltar que ele não é um marcador incondicional da identidade étnica dos depoentes, pois a maioria deles não fala o pomerano. Nesse caso, o dialeto constitui-se em um traço simbólico de sua identidade étnica.

Enfim, podemos verificar nesta pesquisa que a situação linguística dos falantes de línguas de imigração se modifica durante a trajetória de vida. Esperamos que este trabalho possa contribuir para a discussão sobre língua e identidade étnica e colocar em evidência os falantes de línguas minoritárias e as relações sociais e culturais com a sua comunidade. Defendemos ainda políticas linguísticas que tenham como objetivo dar maior visibilidade às línguas de imigração, assim como sua preservação e valorização e, por outro lado, que rejeitem preconceitos linguísticos.

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Para mais informações sobre este assunto, ver Meihy (2002).
As entrevistas tratadas neste estudo foram realizadas em 2008, inicialmente previstas para o doutorado. Por sugestão do orientador, os dados coletados acabaram não sendo utilizados naquele momento e, portanto, estão sendo analisados agora.
Para mais informações sobre este assunto, ver Tornquist (1997), Seyferth (2000), Klug (2003) e Koch (2003).
Para os propósitos deste trabalho não discutiremos uma diferença qualitativa entre língua e dialeto. Seguimos a tradição da dialetologia linguística. Para uma discussão detalhada sobre o que engloba os conceitos língua x dialeto, ver Calvet (2002, 2007), Bagno (2002), Bortoni-Ricardo (2005), Altenhofen (2008) e Savedra (2009).
As identificações dos entrevistados são fictícias.
Para mais informações sobre a Campanha de Nacionalização, período compreendido entre os anos de 1937-1945, ver Seyferth (1994; 2000), Campos (1998) e Fáveri (2005).
Para mais informações sobre este assunto, ver Rost (2008) e Fritzen (2008).
Nesta pesquisa, não podemos verificar a partir de quando o Colégio Sinodal Doutor Blumenau, implantado em 1973, oferece a língua alemã em sua grade curricular.
Para mais informações sobre este assunto, ver www.colegiodoutor.com.br/.
Para os propósitos deste trabalho, não discutiremos as causas do uso do alemão em detrimento do pomerano pelos descendentes de alemães ao longo dos anos.