A quem pertence o termo “católicas”? Direito e mídia como arenas e estratégias do neoconservadorismo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2021.185324

Palavras-chave:

Neoconservadorismo, Juridificação reativa, Performance midiática, Catolicismos, Direitos sexuais e reprodutivos

Resumo

O artigo analisa formas de atuação do neoconservadorismo brasileiro por meio de estudo de caso: a ação judicial movida pela associação de leigos católicos Centro Dom Bosco de Fé e Cultura (CDB) contra Católicas pelo Direito de Decidir (CDD). O objeto da ação é a retirada do termo “católicas” da razão social da CDD com o argumento de que sua defesa dos direitos sexuais e reprodutivos estaria em desacordo com os fundamentos do catolicismo. Discute-se, a partir da ação, duas dimensões do neoconservadorismo: a juridificação reativa e sua disseminação pelas mídias e redes sociais (economia da performance). Os dados utilizados são documentos do processo judicial, iniciado em 2018, e a repercussão da sentença judicial que deu ganho de causa ao CDB publicada nas redes sociais das entidades e na mídia, entre outubro e novembro de 2020. O artigo conclui que a ação se insere num contexto mais amplo de ataques aos direitos humanos e à própria democracia e revela disputas no interior do catolicismo. Também conclui que, embora a atuação histórica do catolicismo tenha contribuído para a manutenção das estruturas conservadoras na sociedade brasileira, há elementos que diferenciam a atuação político-religiosa contemporânea no campo do catolicismo.

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Biografia do Autor

Maria José Rosado Nunes, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC

Doutora em Ciências Sociais pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHSS) de Paris, França, professora na PUC São Paulo, pesquisadora CNPQ e coordenadora do grupo de pesquisa Gênero, Religião e Política (GREPO), fundadora e integrante do Conselho Institucional de Católicas pelo Direito de Decidir/ Brasil. E-mail: mjrosado@uol.com.br.

Olívia Bandeira, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC

Doutora em Antropologia Cultural (PPGSA-UFRJ), coordenadora de formação, pesquisa e articulação internacional do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social, integrante do GREPO - Grupo de pesquisa em Gênero, Religião e Política (PUC-SP) e do LAR - Laboratório de Antropologia da Religião (Unicamp). E-mail: oliviabandeira@gmail.com.

Gisele Cristina Pereira, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC

Formada em História (UNESP), com especialização em Ciência da Religião (PUC-SP), mestranda em Ciência da Religião (PUC-SP), integrante do GREPO - Grupo de pesquisa em Gênero, Religião e Política (PUC-SP). Coordenadora de Católicas pelo Direito de Decidir/ Brasil. E-mail: gisele.crispe@gmail.com

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Publicado

2021-07-19

Como Citar

Rosado Nunes, M. J., Bandeira, O. ., & Pereira, G. C. . (2021). A quem pertence o termo “católicas”? Direito e mídia como arenas e estratégias do neoconservadorismo. Plural, 28(1), 17-49. https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2021.185324

Edição

Seção

Dossiê: "Religião, cultura e política entre o progressismo e o conservadorismo"