Parentesco espiritual e afinidade potencial na América do Sul

Autores

  • Helena Moreira Schiel Universidade Federal do Oeste do Pará

DOI:

https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2018.148952

Palavras-chave:

Parentesco, afinidade potencial, compadrio, política

Resumo

No encontro colonial, duas formas de relação institucionalizada, as relações de compadrio cristão e as de afinidade potencial ameríndia, encontraram uma tal semelhança que puderam traduzir-se uma na outra. Partindo de uma leitura da sugestão de Salvatore D’Onofrio de um “átomo de parentesco espiritual” para explicar o compadrio, pretendo sugerir que as duas instituições evocam o mesmo tipo de armadura sociológica. Antes que a substituição do parentesco tradicional, acredito que o parentesco espiritual tenha uma relação de sobreposição e superação dos laços familiares. Avanço a hipótese de que esse tipo de relação institucionalizada estaria na base de toda relação política.

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Biografia do Autor

Helena Moreira Schiel, Universidade Federal do Oeste do Pará

Helena Moreira Schiel é professora assistente na UFOPA (Universidade Federal do Oeste do Pará), doutoranda em Antropologia Social na EHESS (Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, França). Realiza pesquisas junto aos Karajá desde 1999. Atualmente tem se interessado por relações de parentesco, guerra, cultura material e etnomusicologia.

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Publicado

2018-08-13

Como Citar

Schiel, H. M. (2018). Parentesco espiritual e afinidade potencial na América do Sul. Revista De Antropologia, 61(2), 187-207. https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2018.148952

Edição

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Artigos