Contágio, doença e evitação em uma associação de ex-bebedores: o caso dos Alcoólicos Anônimos

Autores

  • Edemilson Antunes de Campos UFSCar

DOI:

https://doi.org/10.1590/S0034-77012005000100008

Palavras-chave:

Alcoólicos Anônimos, alcoolismo, doença, sistema de evitações, teoria cultural do contágio

Resumo

O objetivo deste artigo é analisar a construção da noção de doença alcoólica em uma associação de ex-bebedores: os Alcoólicos Anônimos (A.A.). A partir de pesquisa etnográfica realizada com familiares e membros do grupo Sapopemba de A.A., localizado em bairro da periferia da cidade de São Paulo, no Brasil, enfatiza-se o papel dessa entidade como um espaço privilegiado para o estudo antropológico da experiência do alcoolismo, a partir de uma perspectiva êmica, isto é, tal como ela é vivenciada e gerida por aqueles que se reconhecem como "doentes alcoólicos em recuperação", ao mesmo tempo em que se destaca a possibilidade de "contágio" da doença alcoólica, ligada às representações construídas sobre o álcool e o alcoolismo. Com efeito, o alcoolismo é entendido como uma doença física e moral que, além de atingir o indivíduo considerado doente, também afeta o conjunto das relações sociais - familiares e profissionais - , nas quais ele está envolvido. Como conseqüência, analisa-se o modelo terapêutico de A.A. como um "sistema de evitações", que permite ao doente alcoólico construir uma ordem de sentido, no interior da qual se opera a construção simbólica da experiência da doença, cujo objetivo é possibilitar o controle da doença alcoólica e o resgate dos laços sociais na família e no trabalho - , perdidos no tempo do alcoolismo ativo.

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Publicado

2005-01-01

Como Citar

Campos, E. A. de. (2005). Contágio, doença e evitação em uma associação de ex-bebedores: o caso dos Alcoólicos Anônimos . Revista De Antropologia, 48(1), 315-361. https://doi.org/10.1590/S0034-77012005000100008

Edição

Seção

Artigos