Figura e fundo no pensamento cigano contra o Estado

Autores

  • Florencia Ferrari Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2011.39644

Palavras-chave:

Ciganos, Brasil, etnografia, Pierre Clastres, Estado.

Resumo

O artigo busca refletir sobre a atualidade e os sentidos da formulação da “sociedade contra o Estado”, de Pierre Clastres, no seio da etnografia que realizei com uma rede de parentes de ciganos Calon no estado de São Paulo. Para além das analogias mais evidentes entre o chefe calon e o líder indígena, e do imaginário de senso comum de uma vida nômade, “fora da lei”, livre das amarras da sociedade, é possível falar, com motivação etnográfica, de uma “socialidade contra o Estado” no contexto calon. Para tanto, é preciso adentrar a etnografia e conhecer categorias fundamentais do pensamento calon, especialmente aquelas que dizem respeito às suas relações com os brasileiros, ou gadje [não ciganos]. Os Calon se pensam imersos no mundo dos brasileiros, a partir do qual se fazem calon. Noções como a de vergonha, ligada ao corpo feminino, e de sozinho, em contraste com a vida entre parentes, aliadas à onomástica e a concepções de tempo-espaço permitem ter acesso ao modo pelo qual os Calon se concebem como pessoas e como socialidade, contra um gadje-Estado.

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Biografia do Autor

Florencia Ferrari, Universidade de São Paulo

Graduada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1997), defendeu o mestrado em Antropologia Social com a dissertação Um olhar oblíquo contribuições sobre o imaginário ocidental sobre o cigano (USP, 2002) e o doutorado em junho de 2010 com a tese O mundo passa uma etnografia dos ciganos Calon e suas relações com os brasileiros , no mesmo departamento com bolsa da Fapesp e bolsa sanduíche no Department of Anthropology do University College of London, na posição de Honorary Research Assistant de março de 2008 a agosto de 2009, coberto pela Bolsa Alban e pela Fapesp. É membro do corpo editorial da Revista Sexta Feira - antropologia artes e humanidades e coordenadora editorial de antropologia na Cosac Naify, onde editou autores clássicos como Marcel Mauss, Pierre Clastres e Lévi-Strauss, e contemporâneos como Eduardo Viveiros de Castro, Manuela Carneiro da Cunha e Roy Wagner. Publicou o livro Palavra cigana - seis contos nômades (Cosac Naify, 2005), com o qual recebeu o prêmio Figueiredo Pimentel de Melhor livro reconto de 2005, da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil.

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Publicado

2012-08-24

Como Citar

Ferrari, F. (2012). Figura e fundo no pensamento cigano contra o Estado. Revista De Antropologia, 54(2). https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2011.39644

Edição

Seção

Dossiê

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