Sem memória, sem democracia: perspectivas sobre a ascensão fascista no Brasil neoliberal

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2179-5487.v13i18p188820

Palavras-chave:

Fascismo, Neoliberalismo , Memória, Novas

Resumo

O presente artigo tem como escopo problematizar a ausência de memória social do passado autoritário e sua relação com o avanço do fascismo na sociedade brasileira no contexto contemporâneo. Tal esforço, consistente em um ensaio de caráter teórico e historiográfico, foi procedido mediante revisão de bibliografia sobre os temas pertinentes e os resultados da investigação estão estruturados em três tópicos, nos quais são analisados, respectivamente, o fascismo além de seu formato histórico, sua compatibilidade com neoliberalismo e o papel desempenhado pela ausência de memória do passado ditatorial no processo de intensificação das pulsões antidemocráticas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Felipe Lazzari da Silveira, Universidade Católica de Pelotas (UCPel)

Pós-doutorando em Filosofia Política pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS); doutor em Ciências Criminais pela PUC-RS (Bolsista Capes); mestre em Ciências Criminais pela PUC-RS; pós-graduado em Derechos Fundamentales y Garantías Constitucionales en el Derecho Penal y Procesal Penal pela Universidad de Castilla-La Mancha (UCLM); especializado em Direito Penal e Direito Processual Penal pelo Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter, Laureate International Universities); graduado em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos); professor de Direito Processual Penal do Curso de Direito da Universidade Católica de Pelotas (UCPel); professor do Curso de Pós-Graduação em Direito Penal e Direito Processual Penal do UniRitter; professor do Curso de Pós-Graduação em Direito Penal e Direito Processual Penal da Universidade Feevale (Feevale); professor do Curso de Especialização em Direito Processual Penal Contemporâneo Aplicado da Universidade de Caxias do Sul (UCS); membro da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Rio Grande do Sul (OAB-RS); Sobral Pinto; Advogado 

Referências

ALANDETE, D. Fake news: la nueva arma de destrucción masiva: cómo se utilizan las noticias falsas y los hechos alternativos para desestabilizar la democracia. Barcelona: Deusto, 2019.

BARBOSA, M. Pós-verdade e fake news: reflexões sobre a guerra de narrativas. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

BROWN, W. Nas ruínas do neoliberalismo: a ascensão política antidemocrática no Ocidente. São Paulo: Politeia, 2019.

BRUM, E. Brasil: construtor de ruínas: um olhar sobre o país, de Lula a Bolsonaro. Porto Alegre: Arquipélago, 2019.

CAMPOS, F. O Estado nacional: sua estrutura, seu conteúdo ideológico. Brasília, DF: Senado Federal, Conselho Editorial, 2001.

CASARA, R. Contra a miséria neoliberal. São Paulo: Autonomia Literária, 2021.

CASIMIRO, F. H. C. A nova direita: aparelhos de ação política e ideológica no Brasil contemporâneo. São Paulo: Expressão Popular, 2018.

CHAMAYOU, G. A sociedade ingovernável: uma genealogia do liberalismo autoritário. São Paulo: Ubu, 2020.

DARDOT, P.; LAVAL, C. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2016.

DE FELICE, R. Le interpretazioni del fascismo. 10. ed. Bari: Laterza, 2012.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil platôs : capitalismo e esquizofrenia 2. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2012. v. 3.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O anti-Édipo:capitalismo e esquizofrenia 1. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora 34, 2011.

ECO, U. Il fascismo eterno. Milano: La Nave di Teseo. 2017.

FERNANDES-GARCIA, A.; RODRIGUES-JIMÉNEZ, J. L. Fascismo, neofascismo y extrema derecha. Madrid: Arco, 2001.

FOUCAULT, M. “Introduction to the Nonfascist Life: Preface”. DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Anti-Oedipus: Capitalism and Schizophrenia. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1983. p. xi-xiv.

GALLO, C. A. “Considerações sobre políticas públicas e memória da repressão política no Brasil”. O Público e o Privado, v. 14, p. 195-210, 2016.

GALLO, C. A. “O direito à memória e à verdade no Brasil pós-ditadura civil-militar”. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais, v. 2, p. 134-145, 2010.

HARVEY, D. Neoliberalismo: história e implicações. São Paulo: Loyola, 2014.

HINKELAMMERT, F. Totalitarismo del mercado: el mercado capitalista como ser supremo. Ciudad de México: Akal, 2018.

HUR, D. U. Psicologia: política e esquizoanálise. 2. ed. Campinas: Alínea, 2019.

KEHL, M. R. “Tortura e sintoma social”. TELLES, E.; SAFATLE, V. (Org.). O que restou da ditadura: a exceção brasileira. São Paulo: Boitempo, 2010.

LAZZARATO, M. Fascismo ou revolução? o neoliberalismo em chave estratégica. São Paulo: N-1, 2019.

LAZZARATO, M. O governo das desigualdades: crítica das insegurança neoliberal. São Carlos, SP: EdUFSCar, 2011.

LENCI, M. A destra, oltre la destra: la cultura política del neofascismo italiano (1945-1995). Pisa: Pisa University Press, 2012.

MANN, M. Fascistas. Rio de Janeiro: Record, 2008.

MARCUSE, Herbert. “Algumas implicações sociais da tecnologia moderna”. Tecnologia, guerra e fascismo. São Paulo: Editora Unesp, 1999.

MARCUSE, H. “Estado e indivíduo sob o nacional socialismo”. Tecnologia, guerra e fascismo. São Paulo: Editora Unesp, 1999.

MARIÁTEGUI, J. C. As origens do fascismo. São Paulo: Alameda, 2010.

MELLO, P. C. A máquina do ódio: notas de uma repórter sobre fake news e violência digital. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

MEZAROBBA, G. Um acerto de contas com o futuro: a anistia e suas consequências: um estudo do caso brasileiro. São Paulo: FAPESP, 2006.

MILZA, P.; BERSTEIN, S. Storia del fascismo: da Piazza San Sepolcro a Piazzale Loreto. 2. ed. Milano: BUR, 2009.

MOUNK, Y. O povo contra a democracia: por que nossa liberdade corre perigo e como salvá-la. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

PAXTON, R. O. A anatomia do fascismo. São Paulo: Paz e Terra, 2007.

PEREIRA, A. W. Ditadura e repressão: o autoritarismo e o estado de direito no Brasil, no Chile e na Argentina. São Paulo: Paz e Terra, 2010.

PINHEIRO-MACHADO, R.; FREIXO, A. de (Org.). Brasil em transe: bolsonarismo, nova direita e desdemocratização. Rio de Janeiro: Oficina Raquel, 2019.

REICH, W. Psicologia de massa do fascismo. Porto: Escorpião, 1974.

RICOUER, P. A crítica e a convicção. Lisboa: Edições 70, 2009.

RODEGHERO, C. S. “A Anistia de 1979 e seus significados, ontem e hoje”. REIS, D. A.; RIDENTI, M.; MOTTA, R. P. S. (Org.). A ditadura que mudou o Brasil: 50 anos do Golpe de 1964. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.

ROSA, P. de Ornelas. Fascismo tropical: uma cibercartografia das novíssimas direitas brasileiras. Vitória: Milfontes, 2020.

RUIZ, C. M. M. B. “(In)justiça, violência e memória: o que se oculta pelo esquecimento tornará a repetir-se pela impunidade”. SILVA FILHO, J. C. M. da; ABRÃO, P.; TORELLY, M. D. (Org.). Justiça de transição nas Américas: olhares interdisciplinares, fundamentos e padrões de efetivação. Belo Horizonte: Forum, 2013.

SAAD FILHO, A.; MORAIS, L. Brasil: Neoliberalismo versus democracia. São Paulo: Boitempo, 2018.

SANGLARD, F. N.; NEVES, T. C. da C. “Memória, esquecimento e a (res)significação da ditadura pela CNV e pela imprensa”. Estudos em Jornalismo e Mídia, v. 14, n. 1, 2017.

SAUVÊTRE, P. et al. A escolha da guerra civil: uma outra análise do neoliberalismo. São Paulo: Elefante, 2021.

SILVA FILHO, J. C. M. da. “Dever de memória e a construção da história viva: a atuação da Comissão de Anistia do Brasil na concretização do direito à memória e à verdade”. PADRÓS, E. S. et al. (Org.). A ditadura de segurança nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985): história e memória. Porto Alegre: Corag, 2009. v. 4.

SILVA FILHO, J. C. M. da. “Memória e reconciliação nacional: o impasse da anistia na inacabada transição democrática brasileira”. PAYNE, L.; ABRÃO, P.; TORELLY, M. (Org.). A Anistia na era da responsabilização: o Brasil em perspectiva internacional e comparada. Brasília, DF: Ministério da Justiça, 2011.

SOUZA, J. A elite do atraso: da escravidão à lava jato. São Paulo: Leya, 2017.

TARQUINI, A. Storia della cultura fascista. 2. ed. Bologna: Mulino, 2016.

TORRES, A. A organização nacional: primeira parte: a Constituição. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1914.

TORRES, A. O problema nacional brasileiro: introdução a um programa de organização nacional. 4. ed. São Paulo: Nacional, 1982.

URBÁN-CRESPO, M. El viejo fascismo y la nueva derecha radical. Barcelona: Sylone 4 Iberia, 2015.

VERCELLI, C. Neofascismi. Torino: Capricorno, 2018.

VIANNA, O. Instituições políticas brasileiras: segundo volume: metodologia do direito público: os problemas brasileiros da ciência política. Rio de Janeiro: José Olympio, 1949.

Downloads

Publicado

2022-03-16

Como Citar

Silveira, F. L. da. (2022). Sem memória, sem democracia: perspectivas sobre a ascensão fascista no Brasil neoliberal: . Revista Angelus Novus, 13(18), 188820. https://doi.org/10.11606/issn.2179-5487.v13i18p188820