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Por uma política de valorização das revistas acadêmicas na área de história

2022-03-17

Editorial coletivo idealizado, discutido e redigido no âmbito do Fórum de Editores da Anpuh-Brasil

A ideia deste editorial coletivo surgiu, foi discutida e elaborada no Fórum de Editores de periódicos da ANPUH-Brasil, entre os meses de setembro e novembro de 2021. Buscou-se na iniciativa elementos consensuais no campo da História, aqui representado pelos editores de vários dos periódicos da área, em defesa dos artigos publicados, dos trabalhos realizados pelas revistas e por suas equipes editoriais. Destacar o valor dos nossos periódicos e artigos não é menosprezar ou reduzir o papel do livro autoral junto à área, mas é reconhecer que a manutenção e existência dos periódicos, enquanto trabalho de médio e longo prazo, requerem atenção e trabalhos específicos, nem sempre reconhecidos pelas instâncias e instituições que os abrigam. De tal modo, esta iniciativa visa lançar luz e fomentar o debate sobre o papel dos periódicos e seu lugar na circulação de conhecimento, o papel das equipes editoriais (editores, pareceristas, entre outros), necessidade de financiamento público (na garantia do acesso aberto diamante) e importância dos apoios institucionais.

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Edição Atual

n. 18 (2022): Revista Angelus Novus (publicação contínua)
Publicado: 2022-02-15
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Há um quadro de Klee intitulado Angelus Novus. Representa um anjo que parece preparar-se para se afastar de qualquer coisa que olha fixamente. Tem os olhos esbugalhados, a boca escancarada e as asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Voltou o rosto para o passado. A cadeia de fatos que aparece diante dos nossos olhos é para ele uma catástrofe sem fim, que incessantemente acumula ruínas sobre ruínas e lhas lança aos pés. Ele gostaria de parar para acordar os mortos e reconstituir, a partir dos seus fragmentos, aquilo que foi destruído. Mas do paraíso sopra um vendaval que se enrodilha nas suas asas, e que é tão forte que o anjo já não as consegue fechar. Esse vendaval arrasta-o imparavelmente para o futuro, a que ele volta as costas, enquanto o monte de ruínas à sua frente cresce até o céu. Aquilo a que chamamos o progresso é este vendaval.


Walter Benjamin (1892-1940). Sobre o conceito da história: tese IX (1940).
O anjo da história. Trad.: João Barrento. Belo Horizonte: Autêntica, 2012. (Filô/Benjamin)