Cariocas da gema: representações de corpos masculinos e femininos na cultura fitness

Autores

  • Vanessa Silva Pontes Universidade Federal do Rio de Janeiro. Escola de Educação Física e Desportos, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
  • Alan Camargo Silva Universidade Federal do Rio de Janeiro. Escola de Educação Física e Desportos, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
  • Erik Giuseppe Barbosa Pereira Universidade Federal do Rio de Janeiro. Escola de Educação Física e Desportos, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1981-4690.2022e36207969

Palavras-chave:

Gênero, Classe social, Mídia, Indústria da beleza, Academias de ginástica, Análise de imagens

Resumo

Objetivamos comparar as representações de corpos masculinos e femininos nos sites das academias de ginástica da Zona Sul e Norte do município do Rio de Janeiro. O método é do tipo descritivo e de natureza qualitativa, utilizando como técnica a análise de imagens. O corpo masculino apresentou relativa distinção em suas formas de exposição. O apelo social e estético a este corpo se manifesta nas formas musculosa, forte e potente, geralmente durante a execução de exercícios com pesos elevados para membros superiores. Já o feminino, para além da sensualidade explícita em todas as imagens, apresenta diferentes formas corporais: na Zona Sul o corpo exibido é magro, longilíneo e definido, enquanto na Zona Norte aparece também uma mulher forte e musculosa. Concluímos que corpos femininos e masculinos são postos à mostra de formas distintas, reproduzindo estereótipos ainda mantenedores da dominação masculina.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Mauss M. Sociologie et Anthropologie. Paris: PUF; 1993.

Le Breton D. La sociologie du corps. Paris: PUF; 2016.

Boltanski L. Los usos sociales del cuerpo. Buenos Aires: Periferia; 1975.

Bourdieu P. La dominación masculina. Barcelona: Editorial Anagrama; 2000.

Bourdieu P. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero; 1983.

Goldenberg M, Ramos MS. O corpo carioca (des)coberto. In: Castilho K, Galvão, D, organizadores. A moda do corpo, o corpo da moda. São Paulo: Esfera; 2002.1:111-25.

Malysse S. Em busca dos (h)alteres-ego. In: Goldenberg M, organizador. Nu & Vestido: dez antropólogos revelam a cultura do corpo carioca. Rio de Janeiro: Record; 2007. 2:79-137.

Goldenberg M, Ramos MS. A civilização das formas: o corpo como valor. In: Goldenberg M, organizador. Nu & Vestido: dez antropólogos revelam a cultura do corpo carioca. Rio de Janeiro: Record; 2007. 2:19-40.

Santos SF, Salles AD. Antropologia de uma academia de musculação: um olhar sobre o corpo e um espaço de representação social. Rev Bras Educ Fís Esporte. 2009;23:87-102.

Silva AC. “Limites” corporais e risco à saúde na musculação: etnografia comparativa entre duas academias de ginástica cariocas [tese]. Rio de Janeiro (RJ): Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Estudos em Saúde Coletiva; 2014.

Demo P. Pesquisa e informação qualitativa: aportes metodológicos. Campinas: Papirus; 2012.

Goellner SV, Reppold Filho AR, Fraga AB et al. Pesquisa qualitativa na educação física brasileira: marco teórico e modos de usar. Rev Educ Fís UEM. 2010;21:381-410.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Microdados da amostra do Censo Demográfico. Rio de Janeiro, Tabela 1176, 2010. (Indicadores de renda: desigualdade por extratos da população).

Aumont J. A imagem. Campinas: Papirus; 1995.

Joly M. Introdução à análise da imagem. Campinas: Papirus; 1996.

Japiassú H, Marcondes D. Dicionário básico de Filosofia. Rio de janeiro: Jorge Zahar Editora; 2001.

Silverman D. Interpreting qualitative data: methods for analyzing, talk, text and interaction. London: Sage; 2006.

Vigarello G. História da beleza: o corpo e a arte de se embelezar, do renascimento aos dias de hoje. Rio de Janeiro: Ediouro; 2006.

Siqueira DCO, Faria AA. Corpo, saúde e beleza: representações sociais nas revistas femininas. Comun Mídia Consumo. 2007;4:171-88.

Albino BS, Vaz, AF. O corpo e as técnicas para o embelezamento feminino: esquemas da indústria cultural na Revista Boa Forma. Movimento. 2008;14:199-223.

Oliveira AP, Assis M, Lacerda Y. Culto ao corpo e exposição de produtos na mídia especializada em estética e saúde. Movimento. 2010;16:31-51.

Vieira CAL, Bosi MLM. Corpos em confecção: considerações sobre os dispositivos científico e midiático em revistas de beleza feminina. Physis. 2013;23:843-61.

Caudwell J, editor. Sport, sexualities and queer/theory. London: Routledge; 2006.

Scott J. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educ Real. 1995;20:71-99.

Oliveira PP. Discursos sobre a Masculinidade. Rev Estud Fem. 1998;6:91.

Collins LH. Working out the contradictions: feminism and aerobics. J Sport Social. 2002;26:85-109.

Markula P. “Tuning into one’s self”: Foucault’s technologies of the self and mindful fitness. Sociol Sport J. 2004;21:302-21.

Connell R. Políticas da masculinidade. Educ Real. 1995;20:184-206.

Sabino C. Anabolizantes: drogas de Apolo. In: Goldenberg M, organizador. Nu & Vestido: dez antropólogos revelam a cultura do corpo carioca. Rio de Janeiro: Record; 2007. 2:139-88.

Hansen R, Vaz AF. “Sarados” e “gostosas” entre alguns outros: aspectos da educação dos corpos masculinos e femininos em academias de ginástica e musculação. Movimento. 2006;12: 133-52.

Lessa P, Furlan CC, Capelari JB. Pedagogias do corpo e construção do gênero na prática de musculação em academias. Motrivivência. 2011;23:41-50.

Fontoura WM, Lopes CP. Relação entre trabalho de membros superiores e inferiores em homens praticantes de musculação. Cinergis. 2012;13:41-46.

Bridges TS. Gender capital and male bodybuilders. Body Soc. 2009;15:83-107.

Silva MM, Fontoura MP. Educação do corpo feminino: um estudo na Revista Brasileira de Educação Física (1944-1950). Rev Bras Educ Fís Esporte. 2011;25:263-75.

Silva PNG, Gomes ESL. O erótico no imaginário brasileiro: as palavras e a corporeidade. Religare. 2010;7:164-71.

Goellner SV. Entre o sexo, a beleza e a saúde: o esporte e a cultura fitness. Labrys. Estudos Feministas. 2006;10:12.

Goetz ER, Camargo BV, Bertoldo RB et al. Representação social do corpo na mídia impressa. Psicol Soc. 2008;10:226-36.

Silva ALS. Imperativos da beleza: corpo feminino, cultura fitness e nova eugenia. Cad CEDES. 2012;32:211-22.

Jaeger, AA, Goellner SV. O músculo estraga a mulher?: a produção de feminilidades no fisiculturismo. Rev Estud Fem. 2011;19:955-75.

Sabo D. O estudo crítico das masculinidades. In: Adelman M, Silvestrin CB, organizadores. Coletânea Gênero Plural. Curitiba: Ed. UFPR; 2002:33-46

Paulson S. Sexo e gênero através das culturas. In: Adelman M, Silvestrin CB, organizadores. Coletânea Gênero Plural. Curitiba: Ed. UFPR; 2002:23-32.

Gontijo F. Carioquice ou carioquidade?: ensaio etnográfico das imagens identitárias cariocas. In: Goldenberg M, organizador. Nu & Vestido: dez antropólogos revelam a cultura do corpo carioca. Rio de Janeiro: Record; 2007. 2:41-77.

Giffin K. A inserção dos homens nos estudos de gênero: contribuições de um sujeito histórico. Ciênc Saúde Colet. 2005;10:47-57.

Santos WO, Silva PVB. Racismo discursivo na mídia da saúde: análise a partir dos personagens presentes nos cadernos de saúde de jornais. Comun Mídia Consumo. 2011;8:181-200.

Freyre G. Casa Grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. São Paulo: Global; 2006.

Fernandes F. O negro no mundo dos brancos. São Paulo: Global; 2007.

Moutinho L. Diferenças e desigualdades negociadas: raça, sexualidade e gênero em produções acadêmicas recentes. Cad Pagu. 2014;42:201-48.

Sant’anna DB. História da beleza no Brasil. São Paulo: Contexto; 2014.

Downloads

Publicado

2022-12-31

Como Citar

Pontes, V. S., Silva, A. C., & Pereira, E. G. B. (2022). Cariocas da gema: representações de corpos masculinos e femininos na cultura fitness. Revista Brasileira De Educação Física E Esporte, 36, e36207969. https://doi.org/10.11606/issn.1981-4690.2022e36207969

Edição

Seção

Artigos