Editorial

  • Marcelo Sanches Pagliarussi Universidade de São Paulo - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto

Resumo

Editorial v27 n10 MSP

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Publicado
2016-08-29
Como Citar
Pagliarussi, M. (2016). Editorial. Revista De Contabilidade E Organizações, 10(27), 1 -2. https://doi.org/10.11606/rco.v10i27.119900
Seção
Editorial

Prezados leitores da Revista de Contabilidade e Organizações,

Estamos publicando o volume 10, número 27 da RCO, que é o resultado de esforços significativos empreendidos por autores, avaliadores e pela equipe editorial da RCO. Temos muito a agradecer a autores e revisões pelo empenho em realizar as tarefas que lhes são solicitadas, de modo que acreditamos ter em mãos um conjunto de artigos que efetivamente contribuem para o conhecimento relativo a fenômenos da área de Contabilidade e Organizações. Por meio dos esforços de todos, temos conseguido também reduzir significativamente o tempo de revisão e de publicação dos artigos que são aprovados, o que tem sido um dos nossos objetivos.

Os artigos que compõem este número se iniciam pelo estudo de Franciele Wrubel, Vania Regina Morás, Josiane Brighenti, Maurício Leite e Roberto Carlos Klann, intitulado “IMPACTOS DE OUTROS RESULTADOS ABRANGENTES SOBRE O GERENCIAMENTO DE RESULTADOS”. Os autores verificaram o impacto de outros resultados abrangentes na prática de gerenciamento de resultados nas companhias abertas brasileiras. Utilizando uma amostra de empresas relativas ao período entre 2010 e 2013 os autores observaram uma correlação significativa e positiva de outros resultados abrangentes com o tamanho das empresas em 2010. Já em 2012, essa variável apresentou correlação significativa negativa com o fluxo de caixa operacional e com o endividamento. Concluiu-se que não foi possível confirmar que a intensidade de outros resultados abrangentes diminui os níveis de gerenciamento de resultados e nem que sua divulgação aumenta a transparência das informações contábeis para a redução da assimetria informacional.

O trabalho “FATORES DETERMINANTES DA QUALIDADE DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL EM EMPRESAS BRASILEIRAS LISTADAS NA BM&FBOVESPA” de Geovanne Dias de Moura, Karina Ziliotto e Sady Mazzioni, analisou os fatores determinantes da qualidade da informação contábil em companhias abertas listadas na BM&FBovespa. A qualidade da informação foi analisada por meio do gerenciamento de resultados e os fatores determinantes observados foram a concentração acionária, governança corporativa, nível de competição do mercado e proporção de ativos intangíveis. Os autores realizaram uma pesquisa descritiva, conduzida por meio de abordagem quantitativa em uma amostra de companhias abertas listadas na BM&FBovespa, com dados disponíveis no período de 2008 a 2014. Os resultados demostraram que, entre os fatores investigados no período, somente dois se confirmaram. Um deles foi o fator competitividade, cujo coeficiente positivo e significativo indicou que menor competitividade estava relacionada com maior gerenciamento de resultados. O outro fator foi intangibilidade, que apresentou coeficiente negativo e significativo, sinalizando que as empresas que possuíam maiores proporções de ativos intangíveis nos seus ativos totais apresentavam menores índices de gerenciamento.

O artigo “PERCEPÇÃO DE JUSTIÇA ORGANIZACIONAL DOS GESTORES NO USO DO BALANCED SCORECARD PARA A MENSURAÇÃO DO DESEMPENHO ESTRATÉGICO” dos autores Ilse Maria Beuren, Cláudio Marcelo Edwards Barros e Delci Grapégia Dal Vesco, examinou a percepção de Justiça Organizacional dos gestores no uso do Balanced Scorecard para a mensuração do desempenho estratégico de uma empresa industrial. A partir de 47 respostas obtidas, a pesquisa evidenciou um fragmento da vivência da corporação na utilização do Balanced Scorecard como sistema de mensuração de desempenho estratégico. Os resultados da pesquisa indicam que à medida que o modelo estratégico causal se expande em sua capacidade de influenciar desempenhos individuais, mais intensa tende a ser a influência sobre a percepção de justiça distributiva. Em relação a percepção de justiça processual e cidadania organizacional, o estudo apresentou indícios de que os respondentes conhecem o modo pelo qual as regras são estabelecidas. Condizente com estudos prévios, a pesquisa sugere que a cidadania organizacional pode ter impacto sobre o modo como as atividades são coordenadas, influenciando assim o uso do Balanced Scorecard para a mensuração do desempenho estratégico.

O estudo desenvolvido por Rogério Dias Correia e Fábio Moraes da Costa, “A SISTEMATIZAÇÃO DAS NORMAS CONTÁBEIS NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO” discutiu a normatização contábil no ordenamento jurídico brasileiro. Buscou-se apresentar as espécies normativas contábeis, os critérios de solução de conflitos e, principalmente, delinear os contornos do exercício do poder normativo pelos órgãos e entidades pertencentes à administração pública em matéria contábil. Por meio da análise do arcabouço normativo, concluiu-se pela necessidade de uma releitura do princípio da legalidade, sob o enfoque do princípio da eficiência, para reconhecer um amplo campo de poder normativo aos órgãos e entidades pertencentes à administração pública, para estabelecer normas que tenham como objeto a evidenciação, mensuração e registro das operações, eventos e fatos econômicos.

A pesquisa nomeada “ESTRUTURA DE FINANCIAMENTO DAS FIRMAS DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL: UMA ABORDAGEM À PECKING ORDER THEORY (POT)” de José Antonio de França, Sandra Isaelle Figueiredo dos Santos, Wilfredo Sosa Sandoval e Átila Pires dos Santos analisou formas de financiamento do negócio de energia elétrica no Brasil, a partir de uma amostra de 31 firmas, de 1997 a 2013. A pesquisa investigou como essas firmas são preponderantemente financiadas, por capital próprio (CP) seguindo a Pecking Order Theory (POT) ou capital de terceiros (CT), e ainda como o financiamento e taxa de retorno se relacionam. A metodologia utilizou modelos analíticos e regressão linear multivariada para obtenção dos resultados, os quais sugerem que as firmas têm financiamento compatível com a POT. Além disso, a relação entre CP e CT é menor nas firmas com controle privado, o retorno das firmas com controle privado é superior ao das firmas com controle governamental, o UPC com deslocamento dinâmico, é inverso ao RPC.

Os autores Ricardo Goulart Serra, André Taue Saito e Luiz Paulo Lopes Fávero, da pesquisa “NOVA METODOLOGIA DO IBOVESPA, BETAS E PODER EXPLICATIVO DOS RETORNOS DAS AÇÕES” analisaram, sob um contexto de mudança na metodologia do Ibovespa, se o beta calculado regredindo o retorno das ações contra o Ibovespa Novo (BetaNovo) teria sido capaz de explicar melhor do que o beta calculado regredindo o retorno das ações contra o Ibovespa Antigo (BetaAntigo). O modelo em painel com efeitos fixos foi, de acordo com testes apropriados, preferível ao modelo POLS e ao de efeitos aleatórios, o que indica que o BetaAntigo teria sido capaz de explicar o retorno melhor do que o BetaNovo. O modelo explica melhor a variação entre observações e explica pouco a variação de uma mesma ação ao longo do tempo. No entanto, o fato de, no período analisado, ter existido apenas o Ibovespa Antigo pode ter influenciado os resultados.

Boa leitura a todos,

Marcelo S. Pagliarussi
Editor-Chefe da Revista de Contabilidade e Organizações