Editorial

  • Amaury José Rezende Universidade de São Paulo; Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto; Departamento de Contabilidade
  • Maisa de Souza Ribeiro Universidade de São Paulo; Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto; Departamento de Contabilidade

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Publicado
2010-08-01
Como Citar
Rezende, A., & Ribeiro, M. (2010). Editorial . Revista De Contabilidade E Organizações, 4(9), 1-2. https://doi.org/10.11606/rco.v4i9.34764
Seção
Editorial

A RCO - Revista de Contabilidade e Organizações é elaborada e mantida pelo Departamento de Contabilidade da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - FEA-RP/USP. Tem por objetivo reunir os melhores trabalhos que contribuam para a Ciência Contábil, priorizando sempre a Contabilidade, na moderna visão multidisciplinar e interdisciplinar. É um periódico diferenciado, ágil e está de acordo com os padrões de rigor e exigências da Ciência Contábil, além dos determinados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Capes. A principal preocupação da RCO é a de contribuir para a disseminação dos conhecimentos produzidos e servir como meio para reduzir o tempo entre a produção científica e a sua aplicação prática na sociedade. Este é um grande desafio, que se concretiza com a edição do volume 4, número 9 de 2010, oferecendo as seguintes contribuições científicas à comunidade.

Os autores José Alves Dantas, Fernanda Fernandes Rodriguesa, Jorge Katsumi Niyama e Paulo Cesar de Melo Mendes apresentam um estudo intitulado “NORMATIZAÇÃO CONTÁBIL BASEADA EM PRINCÍPIOS OU EM REGRAS? BENEFÍCIOS, CUSTOS, OPORTUNIDADES E RISCOS”. Eles promovem uma revisão a respeito dos benefícios, custos, oportunidades e riscos decorrentes da adoção de sistemas contábeis cujas normas sejam baseadas em princípios ou em regras. Os resultados encontrados no estudo demonstram que cada modelo possui pontos positivos e negativos, que devem ser adequadamente avaliados antes de uma decisão por parte dos órgãos reguladores, dos profissionais e dos usuários. É constatado, também, que o modelo baseado em princípios tem prevalecido nessas discussões, embora alguns estudos cheguem a apontar a necessidade de uma referência intermediária, definida como “baseada em objetivos”.

No estudo apresentado por Orleans Silva Martins e Edilson Paulo intitulado como “REFLEXO DA ADOÇÃO DAS IFRS NA ANÁLISE DE DESEMPENHO DAS COMPANHIAS DE CAPITAL ABERTO NO BRASIL”, é investigado o reflexo da adoção das IFRS sobre os indicadores de desempenho das companhias abertas brasileiras, buscando identificar se durante o período investigado houve redução das divergências existentes entre os indicadores calculados a partir do padrão contábil nacional e do padrão internacional. Para isso, foi realizado um estudo exploratório-descritivo apoiado no método indutivo, utilizando-se as técnicas de coleta de material da revisão bibliográfica e da pesquisa documental. Os autores destacam que a adoção das IFRS tem sido refletida na análise de desempenho das companhias por meio de variações positivas nos indicadores de dependência financeira, de endividamento, de retorno sobre o ativo e de retorno sobre o patrimônio líquido, e de variações negativas sobre os indicadores de imobilização dos recursos permanentes, de liquidez geral e de liquidez corrente. Entretanto, as divergências entre os indicadores calculados a partir dos dois conjuntos de normas têm diminuído devido, principalmente, ao crescente processo de convergência do padrão contábil brasileiro ao padrão contábil internacional.

A pesquisa intitulada “EVIDENCIAÇÃO AMBIENTAL: UMA COMPARAÇÃO DO NÍVEL DE EVIDENCIAÇÃO ENTRE OS RELATÓRIOS DE EMPRESAS BRASILEIRAS”, elaborada por Alex Mussoi e Hans Michael Van Bellen identifica em três tipos diferentes de relatórios empresariais, o relatório anual (RA), o formulário 20F (20F) e o relatório sócio-ambiental (RSA), quais os tipos de informações ambientais apresentam maior evidenciação, em que nível cada relatório as divulga e qual é o relatório preferido de cada empresa para mostrar suas informações ambientais. Para isso, o método utilizado foi predominantemente, quantitativo de cunho descritivo. Os resultados encontrados comprovam que existem diferenças significativas na quantidade e na qualidade das informações ambientais evidenciadas em cada tipo de relatório. O relatório mais completo e com informações mais relevantes é o relatório sócio-ambiental, entretanto, em termos absolutos, o relatório anual é o canal mais utilizado pelas empresas da amostra para divulgar suas informações ambientais e os formulários 20F se destacam na divulgação de informações sobre riscos e litígios ambientais.

Os pesquisadores Flaviano Costa, Márcia Maria dos Santos Bortolocci Espejo, Flavia Pozzera Gassner e Vicente Pacheco apresentam um estudo intitulado “A COMPREENSÃO DAS PRÁTICAS DE CONTABILIDADE GERENCIAL À LUZ DO PARADIGMA ESPIRITUAL: UMA LENTE ALTERNATIVA AO PENSAMENTO ECONÔMICO-RACIONALISTA”. Eles discutem os pilares fundamentais da espiritualidade no ambiente da contabilidade gerencial, mediante a análise de alguns valores espirituais que podem auxiliar na criação de um ambiente de trabalho mais propício para que o profissional em contabilidade gerencial possa executar suas funções de forma a ampliar o número de variáveis intervenientes no processo de tomada de decisão empresarial, assistindo assim o gestor com informações úteis. O objetivo é fornecer elementos que contribuam para a compreensão das práticas contábeis gerenciais por meio dos conceitos preconizados pelo paradigma espiritual, buscando compartilhar lentes alternativas que possam propiciar visões diferenciadas da contabilidade gerencial que sejam mais contributivas à gestão empresarial.

A pesquisa intitulada como “ANÁLISE DE GRUPOS ESTRATÉGICOS E DESEMPENHO NA INDÚSTRIA DE BANCOS COMERCIAIS NO BRASIL”, conduzida pelos autores Tomas Sparano Martins, June Alisson Westarb Cruz, Eduardo Damião da Silva, Heitor Takashi Kato e Wesley Vieira da Silva, teve como objetivo identificar a relação entre grupos estratégicos e desempenho na indústria de bancos comerciais no Brasil. Para cumprir esse propósito, foi realizado um estudo no setor, de janeiro a dezembro de 2007, com uma amostra não probabilística de 28 bancos, por meio da análise fatorial, da análise de cluster e da comparação descritiva de médias.

O estudo sobre as “ANÁLISES MULTIDIMENSIONAIS E O CONCEITO DO CUSTO PARA SERVIR EM EMPRESAS DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS: UMA PESQUISA-AÇÃO”, realizada pelos autores Ana Cristina de Faria, Márcio Luiz Borinelli e Norival Mantovani, teve como objetivo verificar, por meio de uma pesquisa-ação, as análises em nível multidimensional que podem ser desenvolvidas em uma empresa de serviços logísticos, visando a otimizar a tomada de decisões dos gestores, no que diz respeito aos objetos de análise filial, ponto de distribuição, rota e cliente. Para desenvolver a pesquisa-ação, buscou-se uma empresa prestadora de serviços logísticos com problemas de controle por falta de foco na gestão de custos; em que os sócios se envolvessem ativamente na pesquisa, de modo cooperativo e participativo. A principal contribuição desta pesquisa está em servir de subsídio a outras organizações que necessitem analisar custos e resultados em uma perspectiva multidimensional.

Os autores Marcos Antonio Souza, Élio Justo Silva e Nestor Pilz trazem um estudo intitulado “PRÁTICAS DE GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS: UM ESTUDO EM UMA EMPRESA MULTINACIONAL BRASILEIRA”. Eles realizaram uma pesquisa exploratória, de características qualitativas e descritivas, cuja coleta de dados deu-se por entrevista em profundidade realizada com o controller de uma indústria química brasileira sediada no Vale do Rio dos Sinos - RS, e com expressiva presença internacional. Os principais achados da pesquisa, realizada no terceiro trimestre de 2009, indicam, contrariamente ao que preceitua a literatura, pois há uma acentuada preferência pelo uso de tradicionais práticas de gestão de custos, apesar de a empresa pesquisada atuar com liderança, em mercados competitivos.

A pesquisa, intitulada “MELHORIAS NA DISCIPLINA DE CUSTOS IDENTIFICADAS POR MEIO DA UTILIZAÇÃO CONJUNTA DO MODELO KANO DE QUALIDADE E DA MATRIZ DE IMPORTÂNCIA E DESEMPENHO” e elaborada pelos autores Paulo Roberto da Cunha, oberto Carlos Klann, Júlio Orestes da Silva e Jorge Eduardo Scarpin, aplicou o modelo Kano de Qualidade Atrativa e Obrigatória em conjunto com a Matriz de Importância e Desempenho para identificar oportunidades de melhorias na disciplina de custos de diferentes cursos de graduação. O delineamento metodológico caracteriza-se por um estudo descritivo, por um levantamento com uma abordagem quantitativa e por uma etapa prévia qualitativa. Os resultados evidenciaram que os atributos prioritários para melhoria na disciplina de custos nos diferentes cursos analisados são a modernidade dos laboratórios de informática e a infraestrutura da sala de aula.

Os editores da RCO e todos que participaram direta e indiretamente da construção desta edição, em particular, os pesquisadores da área de contabilidade e gestão das organizações, desejam uma boa leitura!

Amaury José Rezende
- Professor Doutor do RCC/FEA-RP/USP
Maisa de Souza Ribeiro
- Professora Associada do RCC/FEA-RP/USP