Editorial

  • Amaury José Rezende Universidade de São Paulo; Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
  • Maisa de Souza Ribeiro Universidade de São Paulo; Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto

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Publicado
2011-04-01
Como Citar
Rezende, A., & Ribeiro, M. (2011). Editorial . Revista De Contabilidade E Organizações, 5(11), 1-3. https://doi.org/10.11606/rco.v5i11.34782
Seção
Editorial

A RCO - Revista de Contabilidade e Organizações é elaborada e mantida pelo Departamento de Contabilidade da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - FEA-RP/USP. Tem por objetivo reunir os melhores trabalhos que contribuam para a Ciência Contábil, priorizando sempre a Contabilidade na moderna visão multidisciplinar e interdisciplinar. É um periódico diferenciado, ágil e está de acordo com os padrões de rigor e exigências da Ciência Contábil, além dos determinados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Capes. A principal preocupação da RCO é a de contribuir para a disseminação dos conhecimentos produzidos e servir como meio para reduzir o tempo entre a produção científica e a sua aplicação prática na sociedade. Este é um grande desafio , que se concretiza com a edição do volume 5, número 11 de 2011, oferecendo as seguintes contribuições científicas à comunidade.

A pesquisa sobre o “O MERCADO DE DEBÊNTURES E O FINANCIAMENTO PRODUTIVO NO BRASIL: UMA ANÁLISE DE CAUSALIDADE”, realizada pelos autores Renê Coppe Pimentel, Edna Ferreira Peres e Gerlando Augusto Sampaio Franco de Lima, analisou a evolução do mercado brasileiro de debêntures e seu papel no financiamento empresarial entre 1995 e 2009. Além da descrição do mercado de debêntures, o artigo estuda, por meio de análise de cointegração e causalidade, a relação temporal entre o mercado de debêntures e o crescimento econômico brasileiro. Os testes do estudo sugerem que existe cointegração significativa entre as variáveis em estudo e que, de maneira geral, o mercado de debêntures é causa-Granger do crescimento econômico, ou seja, existe evidência significativa de que o aumento no volume de debêntures impulsiona o crescimento econômico. Verificou-se também que o mercado de debêntures parece ser mais relevante do que o mercado de crédito bancário para influenciar o crescimento econômico.

O pesquisador Emanoel Marcos Lima analisou a “ASSOCIAÇÃO ENTRE ÍNDICES DE DISCLOSURE E CARACTERÍSTICAS CORPORATIVAS DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR FILANTRÓPICAS DO BRASIL - IESFB”, numa amostra de 146 entidades cadastradas no Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS. Foi desenvolvido um estudo descritivo e quantitativo, que teve como objetivo verificar se existe associação entre o índice de DISCLOSURE das Instituições de Ensino Superior Filantrópicas do Brasil - IESFB e algumas características corporativas. Os resultados dos testes demonstraram associação entre as características corporativas gratuidade e subvenção.

Os autores Daniel Benitti Lorenzett, Marivane Vestena Rossato e Leoni Pentiado Godoy apresentam um estudo intitulado “O RECONHECIMENTO CONTÁBIL DOS GASTOS ASSOCIADOS ÀS MEDIDAS DE GESTÃO AMBIENTAL NO SEGMENTO DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEIS”. Eles buscaram analisar o reconhecimento contábil desses gastos segundo as normas brasileiras de contabilidade e literatura específica. Para seu desenvolvimento foi realizada uma pesquisa de campo, através das técnicas de observação e entrevista estruturada. Os resultados revelaram que os gastos com gestão ambiental podem ser registrados como: despesas ambientais (as taxas e licenças ambientais, devendo ser reconhecidas pela utilização dos insumos no setor administrativo); como ativos ambientais (os reservatórios para captação da água da chuva, devendo ser reconhecidos no momento da sua aquisição); ou ainda, como custos ambientais (os valores gastos para manutenção das atividades de proteção e preservação ambiental, devendo ser reconhecidos no momento da sua utilização no processo produtivo).

A pesquisa, intitulada “RESPONSABILIDADE SOCIAL E REPUTAÇÃO CORPORATIVA: UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE A PERCEPÇÃO DOS STAKEHOLDERS NUMA CONCESSIONÁRIA DE ENERGIA ELÉTRICA NORDESTINA” elaborada pelos autores João Marcelo Alves Macêdo, Josimar Farias Cordeiro, Luiz Arthur Cavalcanti Pereira, José Francisco Ribeiro Filho, Umbelina Cravo Lagioia Torres e Jorge Expedito de Gusmão Lopes, procurou evidenciar a reputação corporativa, a partir da identidade, da imagem associada e da imagem desejada da Celpe, concessionária de energia elétrica nordestina, quanto aos aspectos da responsabilidade social corporativa, através das percepções dos stakeholders inseridos no contexto dessa companhia. Participaram da pesquisa usuários dos serviços da companhia pesquisada, representando a imagem associada pela sociedade, e colaboradores da empresa. Os resultados demonstram que a sociedade tem pouco conhecimento das ações sociais da Celpe, enquanto vários dos seus colaboradores conhecem tais ações. Ficou evidenciado ainda que estas ações têm sua visibilidade reduzida quando a prestação de serviços é falha. Entretanto, quando relacionados os diversos aspectos da responsabilidade social com a reputação corporativa da organização, os resultados trazem indícios de uma associação entre essas variáveis, para os dois grupos de participantes.

Na pesquisa intitulada “INFORMAÇÕES CONTÁBEIS-GERENCIAIS UTILIZADAS POR COOPERATIVAS DA SERRA GAÚCHA E DA REGIÃO METROPOLITANA DE PORTO ALEGRE COMO APOIO AO CONTROLE ESTRATÉGICO”, elaborada por Araceli Borsoi Ferrari, Carlos Alberto Diehl e Marcos Antonio Souza, investiga-se o uso de informações contábeis-gerenciais para apoio ao controle estratégico em cooperativas. Para isso, foi conduzida uma revisão de literatura, seguida de uma pesquisa por meio de questionário estruturado com perguntas abertas e fechadas, dirigido às cooperativas da serra gaúcha e da região metropolitana de Porto Alegre. Constata-se, no artigo, que as cooperativas pesquisadas carecem de avanço na utilização das informações externas. As necessidades de informação dos gestores são questionadas diretamente a eles. Entre as maiores dificuldades encontradas para o fluxo de informação estão aquelas relacionadas à comunicação, à qualidade da informação e às pessoas.

O artigo “RISCO DE SOBREVIVÊNCIA DE MICRO E PEQUENAS EMPRESAS COMERCIAIS”, apresenta o estudo conduzido pelos autores Lucas Maia dos Santos, Gustavo Melo Silva e Jorge Alexandre Barbosa Neves, que investigou os fatores condicionantes do risco de sobrevivência das MPE comerciais da tecelagem tradicional de Resende Costa (MG). Os dados utilizados são referentes a uma pesquisa em 69 estabelecimentos comerciais, realizada no mês julho de 2009. Para operacionalizar o modelo de probabilidade, foi utilizada a regressão logística em que a variável dependente se constituiu a partir de variáveis que poderiam reproduzir a organização e estrutura do comércio. O modelo obtido, baseado nos estudos de SEBRAE (2007), Lussie (2006) e Ercolin (2007), foi significativo para todos os testes de significância, com um poder preditivo de 94,2%. As variáveis que representam a tendência de crescimento da comercialização, inovação dos produtos, tempo de atividade comercial, cursos e treinamentos definiram a função que possibilita a previsão de empreendimentos com maior probabilidade de sobrevivência no mercado. Dessa maneira, esse estudo mostrou uma contribuição aos estudos sobre mortalidade das micro e pequenas empresas, sugerindo-se ampliação geográfica da amostra e das variáveis abordadas.

Os autores Wendel Alex Castro Silva, Adriana Maria Rocha e Alfredo Alves Oliveira Melotrazem elaboraram um estudo intitulado “SISTEMA DE GERENCIAMENTO E CONTROLE INTERNO: UMA ANÁLISE DOS ESCRITÓRIOS DE CONTABILIDADE DE BELO HORIZONTE/MG E REGIÃO METROPOLITANA A PARTIR DA TAXONOMIA DE KAPLAN E COOPER”. O objetivo desse estudo foi analisar os sistemas de gerenciamento e controle interno dos escritórios de contabilidade. Especificamente buscou caracterizar os escritórios de contabilidade, analisar o nível de integração dos sistemas de informação entre as áreas administrativa e financeira, contábil, pessoal e fiscal, além de examinar quais delas possuíam controle interno implantado. Os resultados obtidos permitiram caracterizar os escritórios de contabilidade, definindo a estrutura e o perfi l da amostra, bem como o nível de integração dos sistemas de informação e do controle interno implantado entre as áreas pesquisadas.

O estudo apresentado por Márcia Martins Mendes De Luca, Carlos Adriano Santos Gomes, Denise Maria Moreira Chagas Corrêa e Sylvia Rejane Magalhães Domingos sobre a “PARTICIPAÇÃO FEMININA NA PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM CONTABILIDADE PUBLICADA NOS ANAIS DOS EVENTOS ENANPAD, CONGRESSO USP DE CONTROLADORIA E CONTABILIDADE E CONGRESSO ANPCONT” analisa a participação feminina na produção científi ca em contabilidade publicada nos anais dos Encontros da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Administração (EnANPAD), dos Congressos USP de Controladoria e Contabilidade e da Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Ciências Contábeis (ANPCONT). Para isso, utilizou-se pesquisa documental, com enfoque bibliométrico na Lei de Lotka (BUFREM; PRATES, 2005), baseada nos anais dos eventos. Constatou-se, no estudo, que a participação feminina na produção científica contábil, é significativamente pequena em relação à do gênero masculino, e que sua evolução relativa costuma acompanhar a da quantidade total de autores, sendo que nos últimos anos assinalou uma queda no tocante aos eventos da USP e da ANPAD, e um aumento no que tange ao da

ANPCONT.

Os editores da RCO e todos que participaram, direta e indiretamente da construção desta edição, em particular, os pesquisadores da área de contabilidade e gestão das organizações, desejam uma boa leitura!

Amaury José Rezende
- Professor Doutor do RCC/FEA-RP/USP
Maisa de Souza Ribeiro
- Professora Associada do RCC/FEA-RP/USP