Sobre a Revista

A Revista de História, publicação do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) é uma das revistas especializadas em História mais antigas do Brasil, fundada em 1950 pelo professor Eurípedes Simões de Paula.

Notícias

DOSSIÊ HISTÓRIA E CULTURAS SONORAS

2022-02-15

Dúvidas e curiosidades com as sensibilidades sonoras, formas de escuta, a decifração do significado dos sons e das possibilidades de registrá-los sempre estiveram presentes de diversos modos nas culturas ao longo do tempo. As estátuas egípcias conhecidas como Colossos de Mêmnom, por exemplo, carregam, há pelo menos 3 mil anos, o mito de que nelas estavam guardados vários sons que poderiam ser acessados e escutados em condições determinadas. Comenta-se que Pitágoras, no século V a.C., lecionava em um ambiente encoberto por véus e distante dos alunos; assim, sem identificar a fonte sonora, eles eram obrigados a se concentrar apenas na sua escuta. No século XVI, Rabelais, em Pantagruel, descrevia o modo como gritos, palavras, melodias e ruídos congelados no frio exasperante do inverno podiam ser novamente escutados durante o degelo. Mas foi só com o aparecimento das tecnologias de registro e reprodução sonora concebidas no último quartel do século XIX, que os sons e as escutas alcançaram uma dimensão cultural e histórica inédita, já que pela primeira vez os universos dos mitos, da ficção, da memória e da escrita foram transcendidos. As constantes inovações tecnológicas associadas à emergência das músicas massivas no início do século XX, expandiram as possibilidades e multiplicaram os questionamentos em torno do universo sonoro. Ao mesmo tempo, a materialização dos sons e a viabilidade de sua manipulação permitiram identificar nos próprios sentidos sonoros a reificação das relações sociais na forma de mercadoria. Por outro lado, as experimentações musicais de vanguarda, desenvolvidas no transcorrer do século XX, desafiaram os ouvintes a direcionarem atenção a sons que antes não lhes pareciam escutáveis ou dotados de sentido num determinado contexto, relevando tanto os limites como as ampliações de suas escutas. Toda essa dinâmica definida pela vida contemporânea colaborou para a desnaturalização do universo sonoro e retirou a música exclusivamente do “mundo das esferas”, evidenciando que cada época apresenta seus próprios modos de produção e percepção sonora individuais e coletivas, bem como formas (sistematizadas ou não) de pensar sobre os sons e as escutas.  

Deste modo, as contingências temporais e culturais circunscrevem um conjunto de práticas e concepções associadas à produção de sons e às escutas que podem ser compreendidas como “culturas sonoras”, objeto de discussão deste Dossiê. Elas são produtos de particularidades e dinâmicas temporais do passado que podem ser acessadas e conhecidas, mas que, por diversas razões, permaneceram distantes das historiografias por muito tempo. Porém, nos últimos anos esse panorama um tanto rarefeito mudou de modo evidente.  O presente Dossiê pretende justamente discutir essas questões que envolvem as relações entre História e Culturas Sonoras. Deste modo está aberto aos historiadores e estudiosos das Humanidades e Artes em geral que problematizem as práticas e concepções associadas às escutas e à produção sonora ao longo da história, evidenciando seu caráter interdisciplinar. Espera-se contribuições em torno de temas como auralidade; sensibilidades sonoras; experiências de escuta; cartografias sonoras; práticas e disputas em torno do mundo aural; reprodutibilidade sonora; silenciamento e audibilidade; sonoridades transatlânticas; práticas do cotidiano sonoro, entre outros. Espera-se, assim, ampliar e diversificar esse novo campo de pesquisa, repensando e alargando seus fundamentos temáticos e interpretativos.

ORGANIZADORES

Prof. Dr. José Geraldo Vinci de Moraes. Professor do Departamento de História FFLCH – USP

Prof. Dr. Cacá Machado. Professor do Departamento de Música da UNICAMP.

Profa. Dra. Virgínia de Almeida Bessa. Professora visitante no IEB-USP e do Programa de Pós-graduação em Música da UNICAMP.

Dra. Juliana Pérez González. Historiadora pela Universidad Nacional de Colombia. Mestre e Doutora em História pelo PPGHS-USP.

PRAZO PARA A PUBLICAÇÃO

2023

ABERTURA DAS INSCRIÇÕES DOS TEXTOS

Fevereiro de 2022

ENCERRAMENTO DAS INSCRIÇÕES DOS TEXTOS

Julho de 2022

como submeter o artigo

 

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Edição Atual

n. 181 (2022)
Publicado: 2022-01-04
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