Produção da delinquência e rebelião: a fuga de presos da ilha Anchieta em 1952

Autores

  • Dirceu Franco Ferreira Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Departamento de História, Programa de Pós-Graduação em História Econômica http://orcid.org/0000-0002-5464-0105

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-9141.rh.2018.134220

Palavras-chave:

Rebelião prisional , encarceramento, produção da delinquência , ilha Anchieta, São Paulo

Resumo

Neste artigo apresentaremos alguns resultados alcançados em recente pesquisa sobre a rebelião e fuga em massa dos presos do Instituto Correcional da Ilha Anchieta, ocorrida em junho de 1952. Num primeiro momento, demonstraremos como o estudo do perfil dos presos da ilha contribuiu para compreender o processo que levou à primeira grande rebelião e fuga em massa de um presídio brasileiro. Sob esse aspecto, a rebelião em 1952 foi o ápice trágico e dramático de uma prática de encarceramento e gestão da delinquência e, de modo complementar, sua ocorrência foi determinada pela natureza das relações estabelecidas entre os agentes ligados ao controle social. Sob este último aspecto, num segundo momento da exposição, demonstraremos de que maneira os conflitos entre funcionários e militares tiveram papel decisivo na deflagração daquela insurgência, fato que repercutiu de modo decisivo na expansão do encarceramento em São Paulo.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Dirceu Franco Ferreira, Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Departamento de História, Programa de Pós-Graduação em História Econômica

Doutorando pelo Programa de Pós-graduação em História Econômica do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Mestre em História Econômica pelo Programa de Pós-graduação em História Econômica do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Referências

ÁSSALY, A. I. Quatro dias entre quatrocentos vagabundos. Arquivos da Polícia Civil de São Paulo, vol. V, 1º semestre 1943.

CLEMMER, Donald. The prison community. Nova York: Rinehart, 1958.

DIAS, Benedito Nunes. Motim da ilha. São Paulo: Ed. Soma, 1984.

DUARTE, Paulo. Pena de morte no Brasil. Anhembi, vol. 11, n. 33, 1953, p. 509-515.

DUARTE, Paulo. Ilha Anchieta, uma burla sórdida. Anhembi, vol. 8, n. 22, 1952, p. 56-77.

FERREIRA, Dirceu Franco. Rebelião e reforma em São Paulo: aspectos socioeconômicos e desdobramentos políticos da primeira fuga em massa de um presídio brasileiro (ilha Anchieta, 1952). Dissertação de mestrado, FFLCH-USP, São Paulo, 2016.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1987.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Organização e tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.

GOES, Eda Maria. A recusa das grades: rebeliões nos presídios paulistas, 1982-1986. Dissertação de mestrado em História, Unesp, Assis, 1991.

KOERNER, A. (org.). História da justiça penal no Brasil: pesquisas e análises. 1ª edição. São Paulo: IBCCrim, 2006.

LIMA, R. S. de; RATTON, José Luiz; AZEVEDO, R. G. de. Crime, polícia e justiça no Brasil. São Paulo: Contexto, 2014.

MACEDO, Francisco Barbosa de. A greve de 1980: redes sociais e mobilização coletiva dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Dissertação de mestrado, FFLCH-USP, São Paulo, 2010.

MAIA, Clarissa Nunes; NETO, Flávio de Sá; COSTA, Marcos; BRETAS, Marcos Luiz. História das prisões no Brasil, vol. 1 e 2. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2009.

MINHOTO, Laurindo Dias. O paradoxo penitenciário. Integração, nº 42, ano XI, jul./ago./set. 2005.

OLIVEIRA, Samuel Messias de. Ilha Anchieta: rebelião, fatos e lendas. Taubaté: Rubens Artes Gráficas, 2001.

SALLA, Fernando. As prisões em São Paulo: 1822-1940. São Paulo: Annablume; Fapesp, 1999.

SALLA, Fernando. Casa de Detenção de São Paulo: passado e presente. Revista Brasileira de Ciências Criminais, n. 32, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, out./dez. 2000.

SALLA, Fernando. Rebeliões nas prisões brasileiras. Serviço Social e Sociedade, nº 67, 2001.

SALLA, Fernando. As rebeliões nas prisões: novos significados a partir da experiência brasileira. Sociologias, nº 16, Porto Alegre, jul./dez. 2006.

SCHRAG, Clarence. Leadership among prison inmates. American Sociological Review, vol. 19, n. 1, 1954, p. 37-42.

SYKES, Gresham M. The society of captives. A study of a maximum security prison. New Jersey: Princeton University Press, 1958.

TEIXEIRA, A. Construir a delinquência, articular a criminalidade. Um estudo sobre a gestão dos ilegalismos na cidade de São Paulo. Tese de doutorado em Sociologia, FFLCH-USP, São Paulo, 2012.

USEEM, Bert & KIMBALL, Peter. States of siege: U.S. prison riots, 1971-1986. Nova York: Oxford University Press, 1991.

USEEM, Bert & KIMBALL, Peter. A theory of prison riots. Theory and Society, vol. 16, 1987, p. 87-122.

VIANNA, Paulo. O levante da ilha Anchieta... e algo mais. Taubaté: Ed. Minerva, 1987.

VIANNA, Paulo. A ilha Anchieta e eu. Taubaté: Ed. Minerva, 1986.

ZOMIGHANI JR., James Humberto. Território ativo e esquizofrênico – prisão e pena privativa de liberdade no estado de São Paulo. Dissertação de mestrado, FFLCH-USP, São Paulo, 2009.

Downloads

Publicado

2018-05-24

Como Citar

FERREIRA, D. F. Produção da delinquência e rebelião: a fuga de presos da ilha Anchieta em 1952. Revista de História, [S. l.], n. 177, p. 01-31, 2018. DOI: 10.11606/issn.2316-9141.rh.2018.134220. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/view/134220. Acesso em: 23 fev. 2024.

Edição

Seção

Contraventores e sistema prisional na história do Brasil