Colangite esclerosante em pacientes imunocomprometidos associada à infecção por Cryptosporidium

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v99i4p389-393

Palavras-chave:

Colangite, Imunodeficiência, Criptosporidiose, Pediatria

Resumo

Introdução: Crytosporidium é um protozoário parasita do trato gastrointestinal, com incidência significativamente maior em crianças do que em adultos. Infecta, principalmente, o intestino delgado e provoca diarreia aguda em imunocompetentes. Entretanto, em pacientes imunocomprometidos, a criptosporidiose pode ser uma doença grave e crônica com sintomas persistentes, além de causar manifestações atípicas, como doença gastrintestinal atípica, doença do trato biliar, doença do trato respiratório e pancreatite. A infecção por Cryptosporidium parvum parece estar fortemente associada ao desenvolvimento de colangite. No entanto, as modalidades disponíveis de tratamento são limitadas, devendo a prevenção e redução de risco configurarem as intervenções principais. Objetivo: Relatar o panorama de conhecimentos atuais e prover informações sobre colangite associada à criptosporidiose em pacientes imunodeprimidos na faixa etária pediátrica contribuindo desta forma para o diagnóstico e condutas terapêuticas. Metodologia: Foi feita uma revisão nas principais bases de dados, Institute of Health PUBMED, Scientific Electronic Library Online (SciELO), utilizando descritores, buscando artigos que contemplassem os assuntos: Colangite, Imunodeficiência, Criptosporidiose, Pediatria, sendo realizado o cruzamento entre eles. Foram pesquisados artigos nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola, contendo textos compreendidos entre o período de 2001 a 2018. Discussão: A suspeita da doença hepática crônica surge com o aparecimento de hepatomegalia considerável e de alterações laboratoriais (transaminases hepáticas, fosfatase alcalina e gama GT com níveis séricos aumentados) em pacientes com diagnóstico prévio de imunodeficiência. Diversos trabalhos mostraram que o arsenal terapêutico – de agentes antiparasitários e antibióticos macrolídeos - não foi eficaz para erradicar a infecção e impedir a progressão da doença. Dessa forma, o transplante hepático se faz necessário com a evolução da doença. No entanto, nem mesmo o procedimento é capaz de melhorar os índices de sobrevida deste grupo de pacientes, devido às complicações inerentes ao transplante, como ausência de imunocompetência, uso de medicações e, rejeição do enxerto. A recorrência pode chegar a um quinto dos pacientes. Conclusão: A colangite esclerosante secundária à criptosporidiose deve ser considerada no diagnóstico diferencial de doença hepática crônica em crianças. O diagnóstico pode ser feito pela associação da infecção pelo protozoário na via hepática e biliar com alterações colangiográficas características do ducto biliar. Tais alterações em crianças são, frequentemente, sutis. Portanto, ensaios prospectivos, controlados e colaborativos em pacientes com colangite esclerosante por criptosporidiose são necessários para fornecer uma melhor compreensão da prevalência, patogênese, possível tratamento e prognóstico.

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Biografia do Autor

Gessianni Claire Alves de Souza, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Residente de Pediatria, Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP), Recife, PE.

Raquel Nogueira Cordeiro, Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS)

Graduanda em Medicina pela Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS/IMIP). Possui experiência internacional (México) como estagiária na especialidade Emergências Médicas (2015), além de ter atuado como monitora da disciplina de Semiologia Médica (2015) e como monitora da disciplina de imagens: histologia, patologia e radiologia (2017) e de ter proferido palestra para acadêmicos em Odontologia (2016). Atualmente, é pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, Brasil, colaboradora de pesquisa pelo CNPq, pela Faculdade Pernambucana de Saúde e pelo Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira - IMIP. Além disso, atua na vice-presidência da Liga Acadêmica de Cirurgia Videolaparoscópica de Pernambuco - LCV-PE.

Mayra Vieira Maia, Hospital Maria Lucinda

Médica Pediatra. Hospital Maria Lucinda, Recife, PE.

Lígia Patrícia de Carvalho Batista Éboli, Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP)

Hepatologista pediatra no Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP) e da Unidade de Transplante de Fígado do Hospital Universitário Oswaldo Cruz. Gastroenterologista e hepatologista pediatra da clínica Real Hepato do Real Hospital Português e Tutora do curso de medicina da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS).

Gessienne Clívia Alves e Souza, Universidade de Pernambuco (UPE), Faculdade de Ciências Médicas

Médica(o). Universidade de Pernambuco (UPE), Faculdade de Ciências Médicas, Recife, PE.

Gustavo Henrique Belarmino de Góes, Universidade de Pernambuco (UPE), Faculdade de Ciências Médicas

Médica(o). Universidade de Pernambuco (UPE), Faculdade de Ciências Médicas, Recife, PE.

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Publicado

2020-08-28

Como Citar

Souza, G. C. A. de, Cordeiro, R. N., Maia, M. V., Éboli, L. P. de C. B., Souza, G. C. A. e, & Góes, G. H. B. de. (2020). Colangite esclerosante em pacientes imunocomprometidos associada à infecção por Cryptosporidium. Revista De Medicina, 99(4), 389-393. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v99i4p389-393

Edição

Seção

Artigos de Revisão/Review Articles