Bipartição gástrica para tratamento paliativo de câncer de estômago avançado

relato de caso

Palavras-chave: Neoplasias gástricas, Cuidados paliativos, Relatos de casos

Resumo

Introdução: O Câncer Gástrico (CG) é o quarto câncer mais comumente diagnosticado e a segunda principal causa de morte por câncer em todo o mundo. A sobrevida mediana raramente ultrapassa os 12 meses e, na forma metastática, a sobrevida de 5 anos é inferior a 10%. A maioria dos pacientes apresenta-se em estágios avançados da doença, frequentemente com tumores distais obstrutivos e irressecáveis, demandando tratamento paliativo, cujo objetivo é dar ao doente maior qualidade de vida. Relato do caso: Paciente, sexo masculino, 59 anos, aposentado, tabagista e etilista. Procurou Serviço de Pronto Atendimento com queixa de vômitos pós-prandiais, associados a dor abdominal epigástrica e perda de aproximadamente 8kg nos últimos 20 dias. Ao exame físico, foi identificada massa palpável em regiões de epigastro e mesogastro, dolorosa e de consistência sólida. Paciente teve como hipótese diagnóstica inicial Síndrome Pilórica secundária a neoplasia. A tomografia de abdome mostrou presença de um processo expansivo sólido, de aspecto infiltrativo, envolvendo a parede gástrica, na região do antro, inclusive promovendo sinais de estase líquida. Nódulo heterogêneo, entrando em contiguidade com a veia cava inferior, chegando a medir cerca de 1,1x0,9 cm, em seus maiores diâmetros. Diante do diagnóstico de adenocarcinoma gástrico avançado, com invasão de veia cava inferior, pâncreas e metástase hepática, sem proposta cirúrgica ou oncológica curativa, foi optado por nutrir o paciente de forma parenteral. A equipe cirúrgica optou pela cirurgia de bipartição gástrica com gastrojejuno anastomose, sob a técnica aberta, com duração aproximada de 90 minutos. Paciente recebeu alta hospitalar no quarto DPO, em boas condições clínicas, boa aceitação de dieta via oral, sem náuseas ou vômitos. Paciente veio a falecer 16 meses após a cirurgia devido a hemorragia digestiva alta secundária ao tumor avançado e sepse. Conclusão: a técnica da bipartição pode ser considerada uma técnica efetiva e segura, proporcionando um menor número de sintomas como náusea e vômitos, manutenção de dieta via oral e qualidade de vida para os pacientes sem proposta curativa.

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Biografia do Autor

Jose Júlio Farias Arruda, Hospital Agamenon Magalhães

Residente de Cirurgia Plástica, Hospital Agamenon Magalhães, Recife, PE.

Diego Laurentino Lima, Hospital dos Servidores do Estado de Pernambuco

Research fellow, Department of Surgery, Montefiore Medical Center, Bronx, NY, US.

Romulo Silva Furtado, Hospital dos Servidores do Estado de Pernambuco

Cirurgião do Aparelho Digestivo, Hospital dos Servidores do Estado de Pernambuco.

Raquel Nogueira Cordeiro, Faculdade Pernambucana de Saúde

Estudante de Medicina, Pernambuco Health College - Faculdade Pernambucana de Saúde, Recife, Brasil.

Marconi Roberto Lemos Meira, Hospital dos Servidores do Estado de Pernambuco

Chefe do Departamento de Cirurgia Geral, Hospital dos Servidores do Estado de Pernambuco, Recife, PE.

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Publicado
2020-04-23
Como Citar
Arruda, J. J., Lima, D., Furtado, R., Cordeiro, R., & Meira, M. R. (2020). Bipartição gástrica para tratamento paliativo de câncer de estômago avançado. Revista De Medicina, 99(2), 202-208. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v99i2p202-208
Seção
Relato de Caso/Case Report