Eficácia da manobra de Valsalva modificada como tratamento para reversão de taquicardia supraventricular: revisão sistemática

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v100i2p171-177

Palavras-chave:

Taquicardia, Manobra Valsalva modificada, Manobra vagal, Adenosina, Cardioversão elétrica

Resumo

Introdução: a taquicardia supraventricular é uma arritmia frequente com prevalência de 2,29 a cada 1000 pessoas. Tratamentos medicamentosos e elétrico já são bem delineados em diretrizes como da American Heart Association, porém, acompanhados de risco de efeitos incomodativos ao paciente como falta de ar e sensação de compressão torácica. A estimulação não medicamentosa do nervo vago, como a manobra Valsalva convencional, apresenta pouco efeito colateral, porém, baixa eficácia com cerca de 17% de conversões. Neste cenário, um novo método de estimulação parassimpática tem sido promissor na terapia inicial não medicamentosa: a manobra de Valsalva modificada. Esta consiste na elevação dos membros inferiores após uma expiração contra resistência, visando atingir um maior grau de estimulação vagal. Objetivo: avaliar a taxa de sucesso na reversão de taquicardias supraventriculares pela manobra modificada, por análise dos resultados da execução desta manobra, bem como comparando-a com a manobra de Valsalva convencional. Metodologia: foram feitas pesquisas no banco de dados da Scielo e PubMed pelos termos “tachycardia AND modified Valsalva maneuver”. Artigos publicados 2005 a 2020 foram selecionados e passaram por uma filtragem individual de seus conteúdos (título, abstract e metodologias) buscando homogeneizar assim os resultados. Resultados e Discussão: o artigo apresentado pela Scielo não condizia com este tipo de estudo, e dentre os 29 relacionados pelo PubMed, após filtragem de tempo e critérios de análise individual, 9 trabalhos foram compilados nesta revisão, sendo que 3 fazem uma avaliação isolada da manobra modificada enquanto 6 demonstram uma comparação direta entre as manobras. Todos apontam uma maior eficácia na cardioversão da arritmia pela manobra modificada em comparação com a convencional, sendo uma média das porcentagens de resolução de 48,3% contra 19,6%, respectivamente, sem diferenças significativas nos eventos adversos. Conclusão: A manobra Valsalva modificada gerou uma maior reversão da arritmia do que aqueles que utilizaram a convencional, sem acréscimos de efeitos colaterais e expondo menor número de pacientes a terapias medicamentosas ou cardioversões elétricas.

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Biografia do Autor

Mario Henrique Quim Ferreira, Universidade do Oeste Paulista

Médico Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste). 

Beatriz Cheregati Fumagalli, Universidade do Oeste Paulista (Unoeste)

Discente da Faculdade de Medicina da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste). 

Ana Beatriz Teixeira, Universidade do Oeste Paulista (Unoeste)

Discente da Faculdade de Medicina da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste).

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Publicado

2021-05-20

Como Citar

Ferreira, M. H. Q., Fumagalli, B. C., & Teixeira, A. B. (2021). Eficácia da manobra de Valsalva modificada como tratamento para reversão de taquicardia supraventricular: revisão sistemática. Revista De Medicina, 100(2), 171-177. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v100i2p171-177

Edição

Seção

Artigos de Revisão/Review Articles